Joint venture de Renault e Geely aposta em motor a metanol e tecnologia de superesportivo para carros elétricos

Com 47% de eficiência, o D20 Methanol recarrega uma bateria de 40 kWh usando só 19,6 litros de combustível e dispensa a gasolina

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O motor D20 utiliza metanol para aumentar a potência e ampliar a autonomia de veículos elétricos (Fotos: Horse | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 15/07/2026 às 14h00

A Horse Powertrain apresentou o D20 Methanol, um conjunto motriz desenvolvido para carros elétricos com extensor de autonomia (REEV) que queima 100% de metanol para gerar energia e recarregar a bateria. A solução combina um motor a combustão com motores elétricos de fluxo axial — tecnologia usada em superesportivos — e foi projetada para atender às normas de emissões da China e ao padrão europeu Euro 7. Desenvolvida pela joint venture entre o Grupo Renault e a Geely, a novidade foi revelada nesta terça-feira (14), em Londres, depois de uma primeira aparição no Salão de Pequim, em abril.

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Diferentemente de um híbrido convencional, no REEV o motor a combustão não move as rodas: ele funciona apenas como gerador, produzindo eletricidade para reabastecer a bateria quando necessário. No D20, esse papel cabe a um quatro-cilindros 2.0 turbo alimentado exclusivamente por metanol, capaz de partir a frio em temperaturas de até -35 °C. O conjunto completo — motor, gerador e eletrônica de potência — pesa cerca de 170 kg e entrega até 143 cv (105 kW).

A grande novidade está na arquitetura do gerador, que acopla os motores de fluxo axial diretamente ao virabrequim do motor a combustão. Enquanto os motores de fluxo radial, de formato cilíndrico, empilham rotor e estator em torno de um eixo, o desenho axial dispõe essas peças como discos sobrepostos — o chamado formato “panqueca” —, o que rende um pacote bem mais compacto.

D20 Methanol motor Horse

Segundo a empresa, a solução é 46% mais curta no sentido axial e oferece 63% mais potência por unidade de volume do que um motor radial equivalente, com auxílio de um módulo de carbeto de silício (SiC). O projeto sem núcleo ainda permite dois rotores girando em torno de um único estator. É a mesma família de motores empregada em superesportivos híbridos como Ferrari 296 GTB e Lamborghini Temerario, aqui reaproveitada não pela performance, mas pela compactação e pela eficiência.

O sistema converte 47% da energia do combustível em eletricidade, enquanto os motores elétricos operam com rendimento de 96,4%. Na prática, são necessários cerca de 2,1 kWh de metanol para gerar 1 kWh de eletricidade — o que, de acordo com a Horse, permite recarregar por completo uma bateria de 40 kWh com apenas 19,6 litros de combustível. Contribuem para o resultado uma ignição de alta energia, de 240 mJ, capaz de operar com mistura extremamente pobre de metanol, o que eleva a eficiência e reduz as emissões.

Para Fortune Zhao, diretor de tecnologia da Horse Powertrain, o D20 Methanol reúne diversas tecnologias inéditas em um conjunto compacto e de alta densidade de potência, marcando uma das primeiras aplicações de motores de fluxo axial em um sistema automotivo voltado à produção em larga escala. A empresa, no entanto, ainda não confirmou quais mercados ou modelos receberão o motor — embora a aposta recaia sobre marcas ligadas à própria Geely, que já vem incentivando o uso de metanol em frotas de táxis na China.

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