Louis Vuitton faz dois Porsche 911 com para-choque de madeira e prancha de surfe entalhada
Botões banhados a ródio, deck de madeira envernizada como de lancha e cápsulas de roupa sob medida acompanham os dois exemplares únicos
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 12/08/2026 às 19h00
Tudo começou com um pedido simples: um relógio de painel. A conversa evoluiu e virou o primeiro produto co-branded da história da Louis Vuitton, além de uma estreia para a Singer Vehicle Design — o atelier californiano especializado em criar versões ainda mais exclusivas do Porsche 911. Reveladas nesta quarta-feira em Monterey, na Califórnia, as duas criações em parceria das marcas partem da geração 964 do 911, e chegam com carroceria de fibra de carbono: um Classic cupê e um Classic Turbo conversível.
O modelo cupê usa a paleta da grife — açafrão, azul-cobalto e amarelo —, tom que a maison tem em arquivo há mais de um século e meio e conversa com o Bahama Yellow das primeiras encomendas da Singer. O veículo traz bagageiro de teto sob medida para mala, prancha de surfe ou esquis, pneus de demonstração azul-cobalto e a grade de admissão traseira com as iniciais L e V escondidas num motivo geométrico.

O interior é forrado em couro no tom do VVT, usado nas alças e etiquetas das malas da casa. Os bancos têm gomos que imitam o “malletage” do forro dos baús, ilhoses de ventilação feitos à mão com a flor do Monograma e costura em linha amarela. Nada de plástico: botões, trancas e difusores de ar foram usinados em metal banhado a ródio e acabados um a um com técnicas de relojoaria. Até as tampas de combustível e de óleo trazem a tipografia dos relógios da grife.
A peça de origem da colobração é um Tambour mecânico destacável, feito pela La Fabrique du Temps Louis Vuitton, na Suíça, que sai do painel e funciona como relógio de mesa. Redesenhar velocímetro, conta-giros e mostradores para acompanhá-lo consumiu um ano de trabalho: fundo azul-cobalto, letras laranja.

O conversível de Ghesquière
Já o modelo Classic Turbo foi concebido por Nicolas Ghesquière, diretor artístico das coleções femininas da Louis Vuitton, e mistura náutica com automóvel. O branco Calcaire Lutétien remete à pedra que forma a paisagem de Paris, inclusive a sede da marca no Pont Neuf. O porta-malas traseiro se abre revelando um deck de madeira envernizada pela mesma técnica dos runabouts, e até os para-choques têm madeira. O relógio migra para o centro do console, ao lado de uma chave de ignição dourada, e o acabamento da alavanca imita o cordão da bolsa Noé.
Mecanicamente, o cupê tem motor boxer 4.0 aspirado a ar e o conversível, 3.8 biturbo com intercooler ar-água, ambos com câmbio manual de seis marchas, tração traseira e freios carbono-cerâmica. A potência não foi divulgada.



Cada carro vem com sua cápsula de moda. O cupê ganhou jaqueta de couro, luvas perfuradas, capacete jet de carbono e fibra de vidro, o sapato LV Rally e a prancha feita em Angers, com marchetaria de carvalho claro e nogueira; os esquis vêm dos Alpes, em madeira, titanal e aço. O conversível traz terno sob medida em seda de paraquedas, relógio Tambour Automatic de 40 mm em cerâmica e ouro amarelo e um Coffret Trésor — estojo criado por Georges Vuitton em 1896 — para guardar os dois relógios. Os preços não foram revelados.
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