Lula quer exportar mais carros, mas exportações do Brasil caem 21,2% no ano
Em encontro com executivos da Stellantis em Brasília, presidente destacou a necessidade de expandir vendas externas após retomada do mercado interno
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 04/08/2026 às 07h00
Atualizado em 04/08/2026 às 07h13
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o próximo passo da indústria automotiva brasileira é ampliar as exportações para a América Latina e a África. A declaração foi feita em 22 de julho, durante reunião com ministros e executivos da Stellantis em Brasília, e parte da expectativa de que o mercado interno retome o patamar de 3 milhões de veículos vendidos em 2026, conforme projeção da Anfavea.
“Temos que ampliar a nossa capacidade de exportar para a América Latina e para a África, dois mercados muito importantes e promissores. Temos condições de, como país, ter uma participação mais efetiva e mais numerosa”, disse o presidente.
Diante de Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, e de Herlander Zola, presidente da companhia para a América do Sul, Lula se colocou à disposição para trabalhar em conjunto com a indústria na remoção dos obstáculos às vendas externas. “Precisamos entender as dificuldades e como poder contribuir para ampliar as exportações”, afirmou.
Exportações em queda e importados em alta
O apelo do presidente chega em um momento de retração dos embarques. Segundo a Anfavea, as exportações brasileiras caíram 21,2% no primeiro semestre, para 216,6 mil unidades, e a entidade revisou a projeção para 2026 de uma alta de 1,5% para uma queda de 12,8%. A Argentina, principal destino dos veículos nacionais, comprou cerca de 60 mil carros brasileiros a menos no período, pressionada pela retração econômica e pela concorrência de modelos chineses e mexicanos.
No caminho oposto, os importados avançaram: foram 280,6 mil unidades emplacadas de janeiro a junho, metade delas de origem chinesa. O resultado devolveu o setor ao déficit na balança comercial, com cerca de 63 mil veículos a mais entrando do que saindo do país.

Stellantis confirma 2 mil vagas
A fala de Lula sucedeu a uma apresentação de Filosa, que veio ao Brasil para as comemorações dos 50 anos da Fiat. O executivo reiterou o investimento de R$ 30 bilhões previsto até 2030, que inclui a produção do Fiat Argo X em Betim (MG) e do Jeep Avenger em Porto Real (RJ).
Segundo a montadora, serão 2 mil contratações diretas em 2026 — 1,5 mil em Betim e 500 em Porto Real —, movimento que viabilizou a abertura do terceiro turno na fábrica mineira e do segundo na fluminense. Considerando toda a cadeia produtiva, a companhia estima 20 mil novos postos no ano. Em 2025, ainda de acordo com a empresa, foram 3,7 mil vagas criadas diretamente e outras 35 mil entre os fornecedores.
Filosa também destacou o grau de nacionalização da operação. De acordo com o executivo, a Stellantis compra mais de R$ 60 bilhões por ano de fornecedores brasileiros e 95% do que produz no país é local, incluindo aço, plástico, produtos químicos, motores e transmissões.
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