China proibirá as luzes azuis que sinalizam piloto automático em carros novos
MIIT proibiu o item em novas homologações, e montadoras devem recorrer a atualizações remotas para se adequar às regras chinesas
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 04/08/2026 às 08h00
A China decidiu ‘apagar’ as luzes azuis que sinalizam quando os sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) estão em operação. Segundo apuração de veículos especializados chineses, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) determinou que os carros de passeio deixem de receber esses indicadores externos por descumprirem a norma nacional de iluminação veicular GB4785. A restrição vale para modelos homologados a partir de 27 de julho.
A medida veio a público pela captura de tela de um comunicado do ministério divulgada pelo blogueiro do setor Sun Shaojun e depois checada por fontes da indústria junto ao jornal Yicai. Não houve, até agora, publicação formal do texto. A Changan atestou a autenticidade da orientação, e a Geely afirmou que cumprirá estritamente as regras nacionais enquanto aguarda requisitos complementares.
Uma cor fora da lista
O conflito regulatório é antigo. A GB4785-2019, de cumprimento obrigatório, limita as cores da iluminação externa dos veículos a branco, vermelho, amarelo e âmbar. Azul e verde não constam da lista, o que manteve essas luzes em uma zona cinzenta desde que se popularizaram. A expectativa do setor é que o comitê nacional de normalização automotiva publique requisitos complementares à norma para fechar a lacuna.
Há ainda um detalhe curioso na cronologia. Uma minuta posta em consulta pública em 2021 chegou a propor a obrigatoriedade de luzes azul-esverdeadas em veículos de nível 3 de autonomia ou superior. O dispositivo não entrou na versão final da norma, concluída em 2025.

Do Li Auto L9 a 2,5 milhões de carros
A moda começou em agosto de 2022, com o lançamento do SUV Li Auto L9 e seus cinco indicadores azuis. Aito, Xpeng, Nio, Xiaomi e Geely adotaram o recurso em seguida. Nos modelos 2026 da Li Auto, as luzes foram integradas à faixa de LED frontal batizada de “Star Ring”, que muda de cor quando a condução assistida é acionada. Levantamento da consultoria DVN aponta 755 mil veículos equipados com o sistema na China até setembro de 2025, com projeção de 2,5 milhões apenas em 2026.
Críticos sustentam que o azul distrai outros motoristas à noite, pode ser confundido com as setas e acaba servindo de escudo de responsabilidade, estimulando quem está ao volante a confiar demais no sistema. Defensores argumentam que a sinalização avisa os demais usuários da via de que o carro está sob condução assistida. O regulador chinês cita risco de poluição luminosa e de acidentes.
Para os carros já vendidos, o MIIT ainda estuda como proceder, e não há proibição em vigor. Especialistas ouvidos pela imprensa chinesa avaliam que as fabricantes podem recorrer a atualizações remotas (over-the-air) para trocar a cor ou desativar a função. O impacto mais direto recai sobre a cadeia de fornecedores de LED, que investiu em componentes e linhas de produção específicas para o recurso.
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Utilidade mesmo acho que não têm. Talvez servisse como status com esta luz diferente acesa.
Aqui no B0stil tinham que multar quem anda com luz de neblina traseira acesa, sem neblina. Incomoda demais.
