McLaren vai transformar concessionárias em boutiques de luxo inspiradas na Gucci
Fabricante britânica prevê investimento mínimo de R$ 5,17 milhões por revendedor para transformar lojas em boutiques de alto padrão
Publicado em 14/09/2026 às 21h00
A McLaren quer que a compra de um supercarro pareça menos com uma visita à Apple Store e mais com uma tarde na Gucci. Em reunião reservada com sua rede de concessionárias nos Estados Unidos, a fabricante britânica apresentou um plano que troca as atuais lojas minimalistas por ambientes de boutique de alto luxo — e cobra de cada revendedor pelo menos R$ 5 milhões para a reforma.
O relato do encontro é do Automotive News, que ouviu revendedores presentes sob condição de anonimato. Um deles resumiu a nova identidade de forma direta: as lojas devem lembrar pontos de venda de Gucci, Louis Vuitton e Burberry.

Madeira, luz quente e o laranja papaya
O projeto abandona o branco clínico das vitrines atuais. A ideia é uma recepção central cercada pelos carros, dispostos em ilhas, e salas privadas de atendimento para quem estiver fechando negócio. Entram acabamentos em madeira, tons terrosos e iluminação quente, com toques do laranja papaya que a marca herdou das pistas.
Segundo um dos revendedores ouvidos, o objetivo não é afastar o cliente que quer saber de motor, câmbio e fibra de carbono, mas atrair o comprador que valoriza a experiência da loja tanto quanto a ficha técnica. A capacidade de pós-venda também deve crescer pelo menos 25%.
O nome McLaren ganhará tipografia retrô inspirada nas letras do posto de gasolina que a família de Bruce McLaren mantinha na Nova Zelândia, e o símbolo Speedmark ficará tridimensional, aparecendo com mais frequência separado do logotipo.
Cinco endereços próprios e um cupê de 821 cv
Sob controle da CYVN Holdings, de Abu Dhabi, a McLaren ganhou fôlego financeiro e mira os Estados Unidos, responsáveis por mais da metade das vendas globais. Além das 27 concessionárias já existentes no país — que juntas emplacam cerca de 300 carros novos por ano —, a marca planeja cinco centros próprios em Nova York, Miami, Dallas, Los Angeles e Las Vegas, voltados a eventos, personalização e cultura de marca mais do que a vendas.

No catálogo, a promessa é de pelo menos um lançamento por ano até 2028, incluindo um utilitário esportivo de quatro portas, um grand tourer de motor dianteiro e uma linha de supercarros ultrasseletos ligados à história da marca. O hipercarro W1, de 1.275 cv e US$ 2,1 milhões, cerca de R$ 10,86 milhões, já abriu a fila.
O próximo é o P34, cupê híbrido de motor central previsto para o fim do verão do Hemisfério Norte de 2027, entre agosto e setembro. O conjunto traz motor V6 biturbo desenvolvido internamente, com 821 cv e 110,6 kgfm.
Participantes da reunião descreveram dianteira em cunha inspirada no McLaren F1, cobertura de vidro temperado sobre o motor e bancos em couro Nappa e anilina. O preço inicial estimado é de US$ 313 mil, cerca de R$ 1,62 milhão, com mil unidades previstas no primeiro ano — quase 50% a mais que as cerca de 2.200 entregas globais de 2025.
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