Mecânico instala turbo de trator em Ford Model T de 1908 e testa o resultado na rua

Merlin Johnson acoplou um turbo de trator Kubota ao motor 2.9 de 1908; velocidade máxima subiu de 37 km/h para 45 km/h

FORD MODELO T TURBO 100 ANOS COPIA
O mecânico Merlin Johnson desafiou as leis da engenharia automotiva ao acoplar uma turbina de trator em um motor de 100 anos de idade (Foto: Reprodução)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 14/09/2026 às 06h00

Um preparador norte-americano instalou um turbocompressor retirado de um trator Kubota no motor original de um Ford Model T e conseguiu fazer o conjunto funcionar. O propulsor, projetado em 1908, passou a levar o carro a 45 km/h, contra os 37 km/h que registrava antes da modificação.

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O autor do projeto é Merlin Johnson, mecânico experiente que mantém o canal Merlin’s Old School Garage no YouTube. O motor do Model T é um 2.9 de quatro cilindros e válvulas laterais que entregava 20,3 cv quando saiu de fábrica.

A sobrealimentação, porém, não é mais nova que o carro: o engenheiro suíço Alfred Büchi patenteou em 1905 um projeto de turbina movida a gases de escape, três anos antes de Henry Ford lançar o Model T. A tecnologia só chegaria à produção em série em 1962, com o Oldsmobile Jetfire.

Lubrificação foi o maior obstáculo

A instalação física foi a parte simples. Johnson removeu o coletor de escape de ferro fundido original, abriu um furo, fabricou um flange e parafusou o turbo ali.

O problema estava no óleo. Motores do Model T não têm bomba de lubrificação: o óleo percorre um tubo que vai da frente do motor até o câmbio e é espalhado por respingo, sem pressão. Sem uma linha pressurizada, o eixo da turbina queimaria em poucos instantes.

A saída encontrada foi usar a força centrífuga do volante do motor para empurrar o lubrificante por um tubo de cobre até o turbo. O retorno ficou a cargo de um sifão simples, que devolve o óleo ao motor.

Test-drive rendeu 8 km/h a mais

A primeira partida na oficina ocorreu sem vazamentos e o test-drive pelo bairro confirmou o funcionamento do arranjo. Segundo Johnson, a pressão de sobrealimentação ficou em torno de 6 psi (cerca de 0,4 bar), o que indica que o motor centenário suporta ao menos esse nível sem se romper.

O ganho de 8 km/h, no entanto, é modesto para os padrões atuais. Mesmo turbinado, o Model T de Johnson seguiria abaixo da velocidade mínima permitida em uma rodovia brasileira com limite de 110 km/h — 55 km/h, metade da máxima, conforme o artigo 62 do Código de Trânsito Brasileiro.

O método não é o mais barato nem o mais eficiente de acelerar um Model T, e dificilmente será copiado em escala por outros proprietários do modelo. O carro, contudo, está entre as bases históricas da cultura hot-rod nos Estados Unidos, o que ajuda a explicar por que segue como alvo de modificações mais de um século depois.

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