Motor a amônia da Toyota não emite CO2, mas exige tanque 2,5 vezes maior que o de gasolina
Projeto faz parte da estratégia da Toyota de buscar alternativas aos elétricos, a mesma que trouxe ao Brasil os híbridos flex a etanol
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 14/10/2026 às 20h00
A Daihatsu, subsidiária de carros compactos da Toyota, revelou um motor movido a amônia, a mesma substância usada na fabricação de fertilizantes. O protótipo foi exibido no Japan Mobility Show Bizweek, no Japão.
O projeto faz parte da estratégia multicaminhos da Toyota, que defende outras tecnologias além dos carros 100% elétricos para reduzir emissões. No Brasil, essa mesma linha trouxe os híbridos flex, que podem rodar com etanol.
Hidrogênio feito a bordo
O motor é derivado do três cilindros 0.66 turbo usado nos kei cars, categoria japonesa de carros pequenos com motor de até 660 cm³. O tanque leva apenas amônia líquida, sem reservatório de hidrogênio.
Como a amônia queima com dificuldade, o sistema converte parte dela em hidrogênio, que é misturado ao restante do combustível e deixa a combustão mais estável.
Na partida e com o motor frio, um reator de plasma usa eletricidade para produzir o hidrogênio. Depois que o conjunto esquenta, um reformador catalítico assume a tarefa, segundo a equipe da Daihatsu ouvida pelo site japonês Motor Fan.
Sem carbono, mas com outros poluentes
Por não ter carbono na molécula, a amônia não emite CO₂ ao queimar. Ela também é mais fácil de armazenar que o hidrogênio puro: vira líquido a -33 °C, enquanto o hidrogênio exige -253 °C ou tanques de alta pressão.
Em compensação, guarda bem menos energia que a gasolina: para levar a mesma quantidade, o tanque precisaria ser cerca de 2,5 vezes maior.
A combustão também gera óxidos de nitrogênio, e a amônia que não queima pode liberar óxido nitroso, gás de efeito estufa mais potente que o CO₂.
Os próprios engenheiros admitem que encaixar todo o sistema em um kei car é um desafio. O motor ainda está em testes de bancada e nunca foi instalado em um carro. A meta é chegar à potência dos kei cars atuais.
Além disso, a amônia é tóxica, não tem rede de abastecimento e hoje é produzida principalmente a partir de gás natural, o que gera CO₂ na fabricação.
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