‘Mulher no volante, perigo constante’ vira ‘segurança constante’ em lei contra o preconceito no trânsito
Norma do Espírito Santo, em vigor desde 30 de setembro, prevê ações educativas, incentivo a denúncias e atendimento às vítimas de assédio
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 14/10/2026 às 17h00
O Espírito Santo passou a ter uma campanha permanente contra o assédio e o preconceito sofridos por mulheres no trânsito. A Lei nº 12.954/2026 está em vigor desde 30 de setembro.
A campanha se chama “Mulher no Volante Segurança Constante”, nome que inverte o velho bordão “mulher no volante, perigo constante”.
A norma tem origem no Projeto de Lei nº 150/2023, da deputada estadual Iriny Lopes (PT).
O que a lei prevê
O texto prevê campanhas educativas, a divulgação de iniciativas públicas e privadas de combate ao assédio e ao preconceito e a disseminação de políticas públicas de atendimento às vítimas.
Também estão entre os objetivos estimular denúncias e ampliar o acesso à informação sobre direitos e canais de atendimento.
Na justificativa do projeto, a deputada afirma que o trânsito também é um espaço de violência de gênero. Para ela, piadas e comentários depreciativos quando uma motorista erra ajudam a manter o estereótipo de que mulheres dirigem mal.
O estado não é o único a apostar nisso. Em abril, Mauá, na Grande São Paulo, criou uma campanha municipal com nome parecido, “Mulher no volante, respeito constante”.
Poucas mulheres nos aplicativos
Um levantamento da Machine (empresa que fornece sistemas para aplicativos de transporte e de entregas) mostra a baixa presença feminina entre quem trabalha no trânsito.
Com base em corridas feitas em todo o país, a participação das mulheres entre os motoristas de aplicativo caiu de 11,53% em 2024 para 11,21% em 2025 e 10,61% em 2026.
Nas entregas, a presença feminina é ainda menor: as mulheres eram 5,55% dos entregadores em 2024, chegaram a 5,85% em 2025 e recuaram para 5,76% neste ano — menos de uma em cada 17.
Para Júlia Camossa, estatística responsável pelo Data Machine, os dados mostram uma espécie de teto estrutural para as mulheres nesse mercado. Segundo ela, o desafio vai além de entrar no setor e envolve permanência, condições de trabalho e risco ocupacional.
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