Investidores e analistas projetam que a fabricante de carros elétricos seja incorporada à dona dos foguetes, formando um império de Elon Musk
A próxima grande jogada de Elon Musk pode ser fundir a SpaceX com a Tesla, sua fabricante de carros elétricos, reunindo a maior parte de seus negócios em um único conglomerado de tecnologia avaliado em cerca de US$ 4 trilhões — uma espécie de Elon, Inc. A operação não está confirmada, mas, segundo o The New York Times, virou a aposta de boa parte de Wall Street depois que a SpaceX protagonizou o maior IPO da história.
Como Musk controla a SpaceX e é o maior acionista da Tesla, ele estaria, na prática, negociando consigo mesmo — o que tende a gerar ações de investidores insatisfeitos. Só que há pouco que eles possam fazer, dizem juristas ouvidos pelo jornal. As duas empresas têm sede no Texas, cuja legislação dificulta contestar decisões da gestão: para processar a companhia, é preciso deter ao menos 3% das ações, algo como US$ 45 bilhões diante do valor de mercado da Tesla, de US$ 1,5 trilhão.
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Pela lei texana, dois terços dos acionistas da Tesla teriam de aprovar a fusão. Mas Musk já controla cerca de 20% dos votos e conta com uma base fiel, que há pouco referendou um pacote de remuneração de quase US$ 1 trilhão para ele. Na SpaceX, o negócio dependeria do aval de uma só pessoa: o próprio Musk, dono de mais de 82% dos votos. A expectativa é que a empresa espacial, maior em valor de mercado, troque suas ações pelas da Tesla.
As companhias já dividem executivos e recursos e tocam projetos bilionários juntas, como a fábrica de chips Terafab e o software de inteligência artificial Macrohard. A Tesla vendeu baterias e carros à SpaceX e investiu na xAI, incorporada pela empresa espacial neste ano. Somadas, formariam um império que vai de foguetes, internet via satélite Starlink e energia solar a carros elétricos, robôs humanoides e data centers no espaço. Para a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, a união facilitaria a vida de Musk. Gestoras que detêm papéis das duas, como a ARK, veem sinergia, mas preferem que a fusão venha depois de a Tesla deslanchar no negócio de robotáxis.
Advogados, políticos e parte dos acionistas devem tentar barrar o negócio, ainda que com chances pequenas. Reguladores poderiam levantar objeções antitruste ou de segurança nacional, já que ambas atuam em IA, mas dificilmente agirão sob o governo Trump, de quem Musk é grande doador. O maior risco ao plano, dizem os especialistas, seria uma queda forte das ações.
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