Não é só no Brasil: combustível sobe até 97% no mundo após guerra entre EUA e Irã

Preços globais de gasolina, diesel e querosene de aviação estão entre 60% e 97% acima do pré-guerra; nos postos brasileiros, a alta é mais contida

Agência Internacional de Energia quer reduzir a dependência de petróleo no mundo
Gasolina, diesel e querosene de aviação disparam até 97% no mundo com guerra no Irã (Foto: AutoPapo | Acervo)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 05/10/2026 às 12h00

A disparada dos combustíveis provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã é um fenômeno global. Segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), os preços da gasolina, do diesel e do querosene de aviação no mundo estão entre 60% e 97% acima dos níveis anteriores ao conflito, iniciado no fim de fevereiro.

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De acordo com a porta-voz do fundo, Julie Kozak, a alta reflete a falta de capacidade de refino. Em entrevista coletiva na quinta-feira (1º), ela atribuiu a turbulência tanto às dificuldades no transporte de petróleo e gás natural pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo do mundo, quanto à perda de parte das refinarias do Golfo Pérsico.

Kozak afirmou ainda que refinarias de outras regiões já operam quase no limite. Questionada sobre uma eventual proibição das exportações de diesel pelos EUA, medida que o presidente Donald Trump disse avaliar “muito seriamente”, ela não respondeu diretamente.

Diesel bate recorde nos EUA; no Brasil, alta é mais contida

Nos Estados Unidos, o galão do diesel chegou ao recorde de US$ 6,53 em 21 de setembro, segundo o centro de estudos American Action Forum, o equivalente a cerca de R$ 9 por litro.

Nos postos brasileiros, o efeito foi menor, mas pesou sobretudo no diesel. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), o litro do diesel S10 custava em média R$ 7,35 na semana encerrada no sábado (3), cerca de 21% acima dos R$ 6,09 registrados antes da guerra.

A gasolina subiu bem menos no período: de R$ 6,28 para R$ 6,55, alta de cerca de 4%. A diferença em relação ao exterior se explica, em parte, pela política de preços da Petrobras, que não repassa integralmente as oscilações internacionais, e pela mistura obrigatória de etanol na gasolina. Já o diesel, do qual o país importa uma fatia relevante do consumo, sente mais a pressão de fora.

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