Nissan alerta: marcas chinesas devem ‘invadir’ os Estados Unidos em poucos anos
Executivo afirma que estrutura de custos da Nissan ainda não permite enfrentar a BYD de igual para igual e defende plano agressivo de cortes no México
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 29/09/2026 às 09h00
Montadoras chinesas devem começar a produzir carros no México em dois a três anos, a poucos quilômetros da fronteira com os Estados Unidos. A previsão é de Christian Meunier, presidente da Nissan para as Américas, que falou a convidados na sede da empresa em Yokohama, no Japão, segundo a publicação americana Automotive News.
Os carros chineses já são vendidos no México, mas pagam tarifa de importação de 50%. Com a produção local, os preços tendem a cair ainda mais e a obrigar as marcas tradicionais a baixar os seus. Para Meunier, a competitividade de custos será a regra do jogo nos próximos cinco anos.
Ele afirmou que a Nissan tem um plano agressivo no México para reduzir custos e conseguir competir com as chinesas quando elas passarem a produzir no país.
O executivo também admitiu que marcas ocidentais e japonesas não se esforçaram o bastante nos últimos anos para cortar gastos. Segundo ele, a atual estrutura de suprimentos e custos da Nissan ainda não é boa o suficiente para enfrentar de igual para igual concorrentes como a BYD.
Chegada aos EUA deve levar ao menos cinco anos
Nos Estados Unidos, tarifas elevadas mantêm os carros chineses fora do mercado, e senadores tentam aprovar uma proibição permanente. O presidente Donald Trump, por outro lado, já disse estar aberto à ideia de marcas chinesas abrirem fábricas no país. O alerta ocorre dias depois da visita do presidente chinês, Xi Jinping, aos EUA.
Assim como Bill Ford, presidente do conselho da Ford, e Jim Farley, presidente-executivo da marca, Meunier acredita que as chinesas acabarão chegando às ruas americanas. Na avaliação dele, porém, isso deve levar pelo menos cinco anos, o que dá às fabricantes já instaladas algum tempo para se preparar.
Menos de duas semanas antes, o presidente-executivo da Hyundai, José Muñoz, havia alertado que, sem salvaguardas, os EUA podem repetir o cenário do Reino Unido e da Europa, onde um em cada dez carros vendidos é chinês.
Nissan aposta em modelos feitos na China
Além de cortar custos, a Nissan pretende usar a estratégia dos rivais a seu favor e vender na região modelos desenvolvidos e produzidos na China. A picape eletrificada Frontier Pro está sendo lançada no México e deve chegar a outros países da América Latina ainda este ano.
O sedã elétrico N7 também virá da China para aproveitar o crescimento das vendas de elétricos na região. Segundo Meunier, a ideia é colocar um produto de desenvolvimento chinês para enfrentar as próprias fabricantes chinesas na América Latina, onde, em sua avaliação, está em curso uma invasão grande e rápida.
No Brasil, a etapa que o executivo prevê para o México já começou: a BYD produz carros em Camaçari (BA), e a GWM, em Iracemápolis (SP).
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