Mercedes-Benz ameaça fechar duas fábricas na Alemanha se não cortar custos
Ameaça ocorre após queda de 30% nas vendas na China e perdas com tarifas nos EUA; sindicato fala em ultimato e promete resistência
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 29/09/2026 às 08h00
Atualizado em 29/09/2026 às 08h22
A Mercedes-Benz pode fechar uma fábrica de montagem de veículos e uma unidade de trem de força na Alemanha se não chegar a um acordo com os trabalhadores para reduzir custos.
A possibilidade foi apresentada pelo diretor de produção da marca, Michael Schiebe, em uma assembleia com funcionários da fábrica de Sindelfingen, em 21 de setembro, e confirmada depois pela empresa às agências dpa e Reuters.
Segundo a montadora, Schiebe afirmou que o objetivo é manter todas as unidades alemãs, mas que, sem medidas de corte de custos aceitáveis para ambos os lados, a empresa terá de encerrar uma fábrica de montagem e uma de trem de força no país. À Reuters, a Mercedes disse ainda precisar de condições que elevem a produtividade na Alemanha.
O executivo não indicou quais unidades estão em risco. A Mercedes monta carros no país apenas em Sindelfingen, Rastatt e Bremen, além de operar sete fábricas de motores, transmissões e outros componentes. Segundo o jornal Handelsblatt, que cita o conselho de trabalhadores, a direção avalia encerrar a produção de motores em Untertürkheim.
Sindicato fala em ultimato
As negociações com o IG Metall, sindicato que representa milhares de funcionários da empresa, incluem a ampliação da jornada semanal de 35 para 38 horas sem aumento salarial. A Mercedes confirmou à emissora SWR que discute a possibilidade, mas não um acordo.
O IG Metall reagiu com dureza. Para o sindicato, ameaçar com fechamentos não é forma de construir o futuro, e qualquer tentativa de pressionar os empregados com um ultimato do tipo “concessões ou fechamento” enfrentará resistência.
Antes da assembleia, cerca de 20 mil trabalhadores participaram de um dia de protestos em Sindelfingen. Um acordo firmado em 2025 veta demissões por motivos operacionais até o fim de 2034, o que leva parte da imprensa alemã a tratar a ameaça mais como instrumento de negociação do que como plano imediato.
China e tarifas pressionam resultados
A montadora usa como referência sua fábrica de Kecskemét, na Hungria. Segundo o site Carscoops, a hora de trabalho custa cerca de R$ 93 (US$ 18) no país vizinho, ante R$ 295 (US$ 57) na Alemanha.
A pressão vem também de fora. No segundo trimestre, as vendas da Mercedes na China caíram 30%, e a empresa registrou uma baixa contábil de cerca de R$ 4,1 bilhões (US$ 800 milhões) no mercado, onde enfrenta a concorrência de marcas locais como BYD, Geely e Changan.
Em 2025, as tarifas de importação dos Estados Unidos custaram à montadora cerca de R$ 5,7 bilhões (US$ 1,1 bilhão).O cenário é semelhante ao da Volkswagen, que avalia fechar quatro fábricas alemãs entre 2031 e 2034.
No Brasil, a Mercedes-Benz não fabrica automóveis desde 2020, quando encerrou a produção em Iracemápolis (SP). A Mercedes-Benz do Brasil, que produz caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo (SP), pertence à Daimler Truck, empresa separada da fabricante de carros desde 2021.
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