Sem espaço entre os sedãs, Nissan Sentra sai de linha e pode dar lugar a um elétrico chinês
Após três anos de mercado e descontos de até R$ 30 mil, o sedã médio da Nissan sai de linha com só 341 emplacamentos em 2026
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 07/07/2026 às 17h00
Atualizado em 07/07/2026 às 17h19
A Nissan confirmou nesta semana o fim das vendas do Sentra no Brasil, reportou a revista Autoesporte. A atual geração, importada do México, deixa o portfólio da marca após cerca de três anos de comercialização. Em nota oficial, a fabricante japonesa classificou a decisão como parte do “ciclo de vida natural” do produto e evitou detalhar planos imediatos para um substituto direto.
A saída não surpreende quem acompanha os emplacamentos da Fenabrave: entre janeiro e junho deste ano, o sedã médio somou apenas 341 unidades entregues — em junho, foram só nove. O número contrasta com o do líder da categoria: no mesmo intervalo, o Toyota Corolla emplacou 13.021 exemplares, segundo dados da entidade.

Mesmo com design atualizado e uma lista de equipamentos que, na teoria, deveria atrair o consumidor, o Sentra não rompeu a barreira do desinteresse. Nos últimos meses, a própria rede de concessionárias tentou reverter o cenário com bonificações agressivas, que teriam chegado a R$ 30 mil, segundo relatos do mercado. Nem mesmo a redução de preços foi suficiente para impulsionar o volume do modelo. O sedã médio, aliás, vem perdendo espaço no gosto do brasileiro diante do avanço dos SUVs e da nova safra de rivais híbridos e elétricos, que oferecem maior liquidez no mercado de usados.
Sob o capô, o Sentra carregava o conhecido motor 2.0 aspirado, de 151 cv e 20 kgfm, acoplado a um câmbio CVT e tração dianteira. O modelo mede 4,64 m de comprimento, 1,82 m de largura e 2,71 m de entre-eixos; o porta-malas acomoda 466 litros, cerca de 37 litros a menos que a geração anterior. No Brasil, a linha 2026 era oferecida nas versões Advance e Exclusive, com preços sugeridos entre R$ 174.490 e R$ 198.790.

A saída do sedã reforça o movimento da Nissan de concentrar esforços em modelos de maior giro, como os SUVs Kicks e Kait, mantendo no cardápio apenas o Versa 1.6 entre os sedãs de entrada. Resta a dúvida sobre o que a marca prepara para ocupar o espaço deixado pelo Sentra. Nos bastidores, especula-se que a fabricante avalia a introdução de um modelo chinês eletrificado. O nome mais citado é o N7, sedã elétrico desenvolvido pela joint venture Dongfeng Nissan e já flagrado em testes no país — um carro maior que o Sentra, com 4,93 m de comprimento. Por ora, a Nissan se limita a dizer que divulgará a nova estratégia de produto em “momento oportuno”.
O que se sabe sobre o Nissan N7
O N7 é um sedã 100% elétrico desenvolvido pela joint venture Dongfeng-Nissan e fabricado em Guangzhou, na China, onde chegou às concessionárias em abril de 2025. O carro é maior que o Sentra: tem 4,93 m de comprimento, 1,90 m de largura e 2,92 m de entre-eixos. A ficha técnica traz duas opções de bateria, de 58 kWh e 73 kWh, associadas a motores de 218 cv ou 272 cv; a autonomia no ciclo chinês CLTC varia de 510 km a 635 km, segundo a Nissan. No mercado chinês, o modelo é vendido entre 119.900 e 149.900 yuans — o equivalente a cerca de R$ 91 mil a R$ 114 mil em conversão direta, sem impostos de importação.



A possibilidade de o N7 chegar ao Brasil não é apenas especulação: uma unidade do sedã já foi flagrada rodando pelas ruas do país, o que reforça a hipótese de que o modelo seja avaliado como substituto do Sentra na linha da marca. A Nissan já confirmou que passará a exportar, a partir de 2026, veículos elétricos fabricados na China para outros mercados, embora não tenha citado o Brasil nominalmente entre os destinos iniciais.
Em termos de preço, uma estimativa própria desta reportagem parte de um cálculo comparativo: divide-se o preço de tabela no Brasil de um sedã elétrico chinês do mesmo porte já homologado no país pelo preço equivalente desse carro na China, convertido para reais pela cotação do dia, sem acréscimo de impostos. O resultado é um “multiplicador de importação”, que soma frete, tributos, margem de revenda e custos de homologação, e que foi então aplicado à faixa de preço do N7 na China. A projeção aponta uma faixa estimada entre R$ 180 mil e R$ 225 mil para o N7 no Brasil, caso a Nissan opte por importá-lo diretamente, sem produção local.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|



