Novo imposto sobre carros tem alíquota maior que o IPI, mas não aumenta o preço; entenda

Novo tributo substitui o IPI em fevereiro e é calculado sobre o valor do carro sem ICMS, PIS e Cofins; alíquotas são corrigidas por 1,21

06/06/2023 Brasília (DF) Venda de carros na Cidade do Automóvel em Brasília Foto Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil
MP 1.399 busca manter o valor cobrado em 2027 ao compensar a base de cálculo menor; governo tem até maio do ano que vem para propor regra definitiva (Foto: Agência Brasil | Rafa Neddermeyer)
Por Eduardo Passos
Publicado em 05/11/2026 às 11h00

O governo federal publicou, nesta quarta-feira (4), a Medida Provisória 1.399, que define quanto os carros vão pagar de Imposto Seletivo, o “imposto do pecado”, a partir de 2 de fevereiro de 2027.

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O novo tributo substitui o IPI dos veículos e tem alíquotas maiores. Mesmo assim, o preço dos carros deve ficar próximo do atual.

As alíquotas seguem a tabela do IPI Verde, em vigor desde novembro do ano passado: 6,3% para carros de passeio e 3,9% para picapes e comerciais leves, com ajustes conforme combustível, potência, eficiência, segurança e reciclabilidade.

Alíquota maior, imposto parecido

A explicação está na base de cálculo. O IPI incide sobre o valor do carro com ICMS, PIS e Cofins embutidos. Já o Imposto Seletivo é cobrado sobre o valor sem esses tributos, uma base menor.

Para compensar, a MP multiplica as alíquotas atuais por 1,21, que é, na média nacional, quanto a base com tributos supera a base sem eles. No exemplo abaixo, com números redondos, o valor pago fica igual:

Item IPI (hoje) Imposto Seletivo (2027)
Valor do carro sem tributos R$ 100.000 R$ 100.000
Base de cálculo R$ 121.000 R$ 100.000
Alíquota 7,8% 9,44%
Imposto pago R$ 9.438 R$ 9.438

Na vida real, a conta só empata na média: cada modelo pode pagar um pouco mais ou um pouco menos.

Veja como fica em modelos vendidos no Brasil, sempre pela alíquota máxima, sem os descontos explicados mais abaixo:

Modelo Alíquota hoje → em 2027 Imposto em reais
Fiat Mobi Like 1.0 flex 0% → 0% Igual, se mantiver o registro
BYD Dolphin Mini elétrico (75 cv) Até 2,15% → até 2,6% Praticamente igual
Jeep Compass Sport 1.3 turbo flex (176 cv) Até 7,8% → até 9,44% Praticamente igual
Fiat Toro Volcano 2.2 turbodiesel (200 cv) Até 6,9% → até 8,35% Praticamente igual
Jeep Commander Overland 2.2 turbodiesel (200 cv) Até 21,3% → até 25,77% Praticamente igual

Carro elétrico não fica isento: mantém o desconto de 2 pontos percentuais que já tem no IPI.

As picapes também não disparam. Elas seguem com tabela própria, em que o diesel acrescenta 2,5 pontos, contra 12 nos carros de passeio. Por isso, a Toro paga bem menos que o Commander, que usa o mesmo motor.

Os descontos dependem de três critérios, comprovados modelo a modelo. A eficiência energética tira até 2 pontos se o carro consumir menos energia que um limite calculado a partir do próprio peso.

A segurança vale 1 ponto e exige, de série, itens como controle de estabilidade, frenagem autônoma de emergência, alerta de saída de faixa e proteção para pedestres.

A reciclabilidade vale até 2 pontos: a fabricante manda um carro velho para desmanche a cada cinco unidades produzidas do modelo, ou a cada dez, para o desconto menor.

Somados, os critérios cortam cerca de 6 pontos do Imposto Seletivo, sem deixar a alíquota abaixo de zero. No Compass, ela cairia de 9,44% para 3,39%. Como esses descontos já valem hoje, a comparação não muda.

O Mobi tem registro no programa Carro Sustentável, e a MP mantém a alíquota zero para esses modelos. O mesmo vale para compras de pessoas com deficiência, pessoas com autismo e taxistas.

CBS e 2028 ainda podem mudar a conta

Em janeiro, a CBS, tributo federal criado pela reforma tributária, substitui o PIS e a Cofins, que também pesam no preço dos carros.

O TCU calculou a alíquota de referência da CBS em 11,3%, e o Senado tem até 15 de dezembro para fixá-la. A arrecadação prevista com o Imposto Seletivo entra nessa conta para reduzir a CBS, mas o efeito sobre o preço de cada carro ainda não está claro.

As alíquotas da MP também não são definitivas. O governo tem até 31 de maio de 2027 para enviar ao Congresso um projeto de lei com os percentuais de 2028.

Antes disso, Câmara e Senado precisam votar a MP, que pode receber emendas. Pela Constituição, MP que cria ou aumenta imposto só vale no ano seguinte se virar lei até o fim do ano em que foi editada.

O governo também anunciou uma proposta de emenda à Constituição para manter o IPI em janeiro de 2027, já que o novo imposto só começa em fevereiro.

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