O mesmo Renault Kwid custa R$ 82.790 no Brasil e cerca de R$ 24.000 na Índia
Anfavea calcula que tributos respondem por até 43,7% do preço de um automóvel no Brasil, ante 18% de imposto sobre o carro pequeno indiano
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 01/09/2026 às 15h00
O Renault Kwid reestilizado que acaba de chegar às lojas brasileiras parte de R$ 82.790. Na Índia, onde o mesmo modelo é produzido e vendido, o hatch começa em 4,53 lakh de rupias, o equivalente a cerca de R$ 24 mil. Os dois carros dividem plataforma, motor de três cilindros e conceito, mas o brasileiro custa quase três vezes mais. Parte da diferença se explica por conteúdo, e parte por contabilidade. A maior fatia, porém, é tributária.

Por que o mesmo carro custa três vezes mais aqui
A Anfavea afirma que o Brasil tem a maior carga tributária sobre automóveis do mundo. Nas contas da associação, IPI, PIS/Cofins e ICMS respondem por algo entre 24,7% e 32,3% do preço de um carro a combustão, percentual que varia conforme a motorização. Estimativas mais amplas da própria entidade chegam a 43,7% quando se incluem tributos embutidos na cadeia. O agravante é o efeito cascata: cada imposto incide sobre um preço que já carrega o anterior.
A Índia caminhou na direção oposta. Desde 22 de setembro de 2025, a reforma conhecida como GST 2.0 derrubou de 28% para 18% a alíquota sobre carros de até 4 metros com motor a gasolina de até 1.200 cm³, faixa em que o Kwid se encaixa, e extinguiu o cess, sobretaxa que ia de 1% a 22%. A carga efetiva, que beirava 30%, caiu para 18%, e as montadoras repassaram o corte. O Kwid indiano ficou mais barato de um dia para o outro.
A comparação tem letras miúdas
O preço indiano é ex-showroom e não inclui emplacamento, seguro obrigatório nem taxa estadual. Somados esses itens, o Kwid sai por 5,42 lakh a 6,66 lakh em Mumbai, entre 20% e 47% acima da etiqueta. Vale lembrar que um lakh equivale a 100 mil rupias.

Os carros também não são gêmeos. O brasileiro usa motor 1.0 flex, com 68 cv na gasolina e 71 cv no etanol, e recebeu nesta atualização central multimídia de 10,1″ e quadro de instrumentos digital de 7″. O indiano roda só a gasolina, passou por uma reforma bem mais tímida em julho e é oferecido em duas versões, Evolution e Climber. Em segurança, porém, não fica atrás: a linha 2026 indiana traz seis airbags.
Pesa ainda a escala: em Chennai, a Renault fabrica para um mercado em que o Maruti Suzuki Alto K10 custa 3,50 lakh e puxa o piso de preço para baixo. No Complexo Ayrton Senna, no Paraná, o Kwid brasileiro convive com fornecedores, salários e encargos de outro patamar.
No Brasil, a linha custa R$ 82.790 na Evolution, R$ 87.590 na Techno e R$ 91.890 na Outsider. Por conta do lançamento, a versão de entrada está em condição promocional a partir de R$ 71.190. A plataforma CMF-A, de 2015, e o câmbio manual de cinco marchas seguem inalterados.




👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|
Não desistem dessas comparações ridiculas. Todos os paises que tem fabricas de automóveis colocam imposto de importação. Todos.
Quem não tem imposto é quem não tem fabrica. Pais que não produz NADA como o Paraguai. Pra que imposto de importação se não tem industria nacional pra proteger? Alem disso, a India não tem o minimo de nada. Crianca la trabalha. Não tem assistência médica. Nada. Igual paraguai. Quem vai pra la vem se tratar aqui quando tem cancer.




