Os culpados pela deterioração das estradas britânicas não são os automóveis, mas sim o clima e os caminhões
Especialistas em infraestrutura apontam que caminhões pesados e intempéries detonam o asfalto, desmentindo culpa de carros elétricos e outros veículos leves
Publicado em 28/08/2026 às 14h00
Especialistas da área de engenharia civil e infraestrutura saíram em defesa dos carros elétricos e dos utilitários esportivos, rebatendo a narrativa de que esses modelos seriam os principais responsáveis pelo avanço de buracos e pela degradação das rodovias britânicas. O debate ganhou intensidade após levantamentos apontarem que a massa média dos automóveis novos aumentou em cerca de 400 quilos nos últimos nove anos, chegando perto de duas toneladas, o que motivou prefeituras de grandes centros a discutir tarifas de estacionamento mais elevadas para veículos pesados.
Apesar desse encorpamento geral da frota de passeio, profissionais do setor esclarecem que o impacto exercido sobre o asfalto não depende apenas do peso total, mas sim da carga distribuída por eixo. Engenheiros explicam que o desgaste cresce de maneira exponencial, ao duplicar a pressão sobre um eixo, os danos causados à estrutura da pista se multiplicam por dezesseis. Por essa razão, o maior estrago nas vias é provocado pelo transporte de carga pesada, sendo que um único trajeto de um caminhão de grande porte gera um impacto equivalente a milhares de passagens de carros comuns.
São Pedro não ajuda
Outro fator determinante apontado pelos especialistas é o impacto severo das condições climáticas combinado com a escassez de recursos para manutenção. Os ciclos frequentes de congelamento e derretimento da água que penetra nas microfissuras da pista enfraquecem a estrutura, enquanto ondas de calor extremo amolecem o material da pista.
Dados setoriais revelam que autoridades locais lidam com um atraso bilionário em obras de restauração viária, deixando grande parte da malha com vida útil reduzida. Dessa forma, entidades técnicas concluem que o problema central das estradas decorre do tráfego intensivo de caminhões, do clima rigoroso e da falta crônica de investimentos, isentando os automóveis leves da culpa principal, que muitas vezes era atribuída a eles.
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