Pedágio mais caro do país fica ainda mais salgado em julho — mas logo ele perderá o posto
Tarifa sobe R$ 1,90 em 1º de julho e mantém o complexo como o mais caro do país; cobrança eletrônica que dividiria o valor ficou para depois
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 26/06/2026 às 21h00
Motoristas do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) vão pagar mais caro a partir de 1º de julho. A Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) homologou um reajuste de 4,91% na tarifa, que sobe de R$ 38,70 para R$ 40,60 — alta de R$ 1,90 que mantém o complexo como o pedágio mais caro do Brasil.
Publicado no Diário Oficial do Estado, o novo valor encarece a principal ligação entre a capital paulista e a Baixada Santista, trecho de 65 km por onde passam cerca de 120 mil veículos por dia. O reajuste não se limita ao SAI: na rodovia Cônego Domênico Rangoni, em Santos, a tarifa sobe de R$ 18,30 para R$ 19,20.
A nova tarifa, porém, chega antes da mudança mais aguardada no sistema. A estreia da cobrança eletrônica free flow, inicialmente prevista para o mesmo 1º de julho, foi adiada pela Ecovias Imigrantes, concessionária que administra as rodovias. Em nota, a empresa afirmou que ainda realiza testes operacionais — iniciados em 11 de junho — e que aguarda a homologação e a autorização da Artesp para começar a operar, sem nova data definida.
Quando entrar em funcionamento, o free flow substituirá as praças de pedágio por pórticos equipados com câmeras e sensores, capazes de ler placas e tags sem necessidade de parada. A cobrança, hoje feita apenas na descida para o litoral, passará a ser dividida entre os dois sentidos: R$ 20,30 na ida e R$ 20,30 na volta. Ainda assim, parte das estruturas físicas deve ser mantida de forma temporária para a Operação Comboio, acionada pela Polícia Militar Rodoviária em dias de neblina intensa na Serra do Mar.
O modelo tende a beneficiar quem usa apenas um trecho do sistema, como motoristas que descem a serra e retornam por outras vias — entre elas a Mogi-Bertioga e a Régis Bittencourt —, pagando somente pelo sentido percorrido. A expectativa da Artesp é que a tecnologia reduza as filas registradas em feriados prolongados e na alta temporada, e o modelo poderá ser estendido a outras rodovias paulistas de grande movimento.
Há ainda um efeito simbólico. Com a tarifa repartida, o SAI deixará de ser o pedágio mais caro do país assim que o free flow começar: o posto passaria ao pórtico Cujubim, na BR-364, em Rondônia, que cobra R$ 37 por passagem. Até lá, a cobrança segue concentrada em um único sentido, e o valor cheio de R$ 40,60 continua valendo para quem desce ao litoral.
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