No Ceará, a primeira montadora de automóveis do Brasil

A PACE, no Ceará, nada fabrica e a operação é só mesmo de montagem de componentes: 'até o ar do pneu vem da China'

Chevrolet Spark EUV na fábrica da PACE ceará
Carros chegam semidesmontados: parece um 'Lego' (Foto: Eduardo Rodrigues | AutoPapo)
Por Boris Feldman
Publicado em 27/06/2026 às 09h00

Não ache estranho o título desta coluna, pois as fábricas de automóveis passaram, tempos atrás, a serem chamadas de “montadoras”. O jornalista Bob Sharp, ironicamente, chega a sugerir que a  associação de fabricantes de automóveis (Anfavea) deveria mudar seu nome para “Anmavea”.

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É fato que as fábricas recebem milhares de peças de fornecedores, mas produzem também outra quantidade de componentes. Basta entrar numa planta de automóveis para sentir o chão balançando com a operação das gigantescas prensas (que estampam peças da carroceria) de muitas toneladas. E a produção de motores e caixas de câmbio da maioria delas. E dezenas de outras peças.

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Mas, afinal, surgiu uma montadora (de verdade) no Brasil, a Planta Automotiva do Ceará (PACE), criada para montar automóveis a partir exclusivamente de um kit de peças (SKD). Como se fosse a montagem de um grande Lego.

A história desta fábrica começa em 1995, construída pelo empresário Rogerio Farias. Dois anos depois, é vendida para Mario Araripe, que passa a montar seu jipe Troller. Em 2007, é vendida para a Ford, que não tinha nenhum interesse no jipe, mas nos incentivos fiscais a que tinham direito seus produtos. Mas, por exigência do governo cearense, manteve sua produção, o que efetivamente ocorreu até 2021, quando a empresa norte-americana fechou todas suas fábricas no Brasil.

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A planta ficou então fechada até que, três anos atrás, um grupo do Espírito Santo (Comexport) adquiriu e modernizou o galpão e implantou nova linha de montagem. Modelo a ser produzido? De qualquer marca interessada em contratar os serviços da PACE. A primeira interessada foi a GM: ela começou a parceria importando para o Ceará todos os componentes de seu SUV elétrico Spark EUV. E, logo depois, decidiu contratar a montadora para a produção do Chevrolet Captiva elétrico.

Poucas semanas depois, foi a vez de uma chinesa, a MG Motors, que pertence à poderosa SAIC, anunciar a montagem de dois modelos: o hatch MG4 e o SUV S5.

Que peças são fabricadas no Ceará? Por enquanto, rigorosamente nenhuma. Numa visita às suas instalações, brinquei com um de seus engenheiros: “De nacional, só o ar dos pneus?”.  “Não – ele me respondeu – até o ar é chinês pois as rodas chegam com eles montados”.

Então, a PACE segue rigorosamente o conceito de uma montadora de automóveis: uma fábrica que nada fabrica, só monta.

Modelo uruguaio

É a primeira no Brasil, mas já existia uma outra operando nos mesmos moldes no Uruguai, a Nordex. Que monta veículos para a Ford (linha Transit de vans e furgões), Kia (pequeno caminhão Bongo e prevista também a picape Tasman). E modelos da Fiat e Peugeot, pois a Stellantis adquiriu uma parte da empresa.

As duas “montadoras” atraem empresas brasileiras pelos incentivos fiscais que incidem sobre este produtos. A Nordex por estar num país do Mercosul. A PACE pelos incentivos fiscais da região Nordeste.

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14 Comentários
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Georges 6 de julho de 2026

Eu já vi um MG4 presencialmente e me pareceu bem anabolizado para ser chamado de hatch. Por outro lado, os híbridos, em geral, bem que poderiam ser flex.

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Gustavo 3 de julho de 2026

Cada dia temos mais uma notícia triste para os brasileiros desse desgoverno corrupto que está aí, está literalmente entregando o Brasil para os comunistas chineses. Com certeza ele ganhou e muito o dele para permitir todos esses abusos de deixar eles trazerem as peças tudo prontas e apenas montar os veículos. Mão de obra especializada trazem tudo deles, nossos engenheiros não tem oportunidade nenhuma, contratam apenas a mão de obra mais simples. Mas o pior de tudo isso é saber que brasileiros compram essas bujigangas chinesas que nada trazem de positivo para nosso país. Milhões de empregos e impostos deixam de ser gerado aqui em prol dessas negociatas que esse governo corrupto aceita.

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Adolfo 3 de julho de 2026

Este desgoverno abra as portas para o chineses, a mão de obra especializada, vem da china, para o brasil sobra a peãozada

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Alguém 30 de junho de 2026

[Direcionado ao amigo Santiago, acima, visto que não tem botão de responder em 3º nível]:

Você fala sob a óptica de proteção a setores, ou mesmo a empresários/empresas. Mas o único senhor soberano neste jogo deveria ser o consumidor.

Toda forma de intervenção na economia é uma afronta à ética e à liberdade. Se o mercado for deixado efetivamente livre, ainda que algum player do mercado caia, o espaço, se houver demanda da parte do consumidor, será preenchido por outro player. E se não houver demanda, é a vontade do mercado, logo, não haveria espaço para o que aquele player oferecia.

Praticar protecionismo, por mais que haja boa intenção, significa restringir as opções do consumidor, que, repito, deve ser o rei. Blindar o setor industrial de um país da concorrência estrangeira é prestar um desserviço ao consumidor.
Se o país quer se (re)industrializar, que trabalhe para que seja vantajoso operar indústrias aqui. Isto passa, majoritariamente, por resolver os absurdos tributários, jurídicos e éticos que temos no Brasil. Aí, dificilmente vão querer mexer nisto porque envolve muitas vantagens indevidas…

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Georges 6 de julho de 2026

Perfeito ! Choram isenções sem fim e depois batem em retirada ou instigam o governo a colocar mais imposto nos importados. A fábrica da PACE (Planta Automotiva do Ceará), localizada em Horizonte, tem um quadro projetado para gerar até 9 mil empregos diretos e indiretos na região. Devido à recente expansão para a produção do SUV elétrico Captiva EV, a empresa está ampliando seu quadro efetivo em aproximadamente 50%. Se no quadro não tem engenheiros ou outros de nível superior daqui cabe(ria) ao governo do Ceará e Federal tratar disso quando promovem o contrato.

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Pai dos Enzos 27 de junho de 2026

Da medo tanta burrice em um só comentário

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Santiago 27 de junho de 2026

Não tenha medo…o troféu continuará sendo teu.
Em matéria de burrice, ninguém te supera.

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Polvo 29 de junho de 2026

Tem tanto defensor de veículo chinês por aqui, que as vezes eu acho que a pessoa está sendo paga, ou trabalha de vendedor em concessionárias dos chinas, só pode!

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Santiago 27 de junho de 2026

Já passou da hora de se regulemtar isso a sério.
Se todos os componentes vêm de fora, independente de o veiculo ser montado aqui, então deve ser tratado e taxado como plenamente importado!!!
Uma medida essencial sería vigorar seis ou oito diferentes faixas de impostos, conforme a porcentagem e o “peso” de componentes fabricados localmente.
Sim, aumentará a burocracia e a necessidade de maior fiscalização, porém acaba-se com esse tipo de drible à nossa industria..

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Alguém 27 de junho de 2026

Dane-se a “nossa” indústria. Ela que se adapte e se torne competitiva.
Só deveria vigorar uma única faixa de impostos sobre todos os produtos, importados ou não: ZERO. Estímulo total à livre concorrência.

O que não pode é penalizar o consumidor pra beneficiar um grupo de incompetentes.

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Carlos Jaguariuna 3 de julho de 2026

Você é um néscio. Zero tributos…brincou, né?! Saia do fantástico Mundo de Bob.

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Santiago 28 de junho de 2026

Quanto maior a quantidade de componentes fabricados no Brasil, menor vai ficando a taxação sovre o veículo.
Quem apenas montar carros importados na forma de kits, paga pelo teto como importado mesmo.
Quem for adicionando componentes locais, vai entrando nas faixas menores e decrescentes de impostos. E portanto pagando cada menos tributos até atingir o patamar base de impostos

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Alguém 29 de junho de 2026

Dan3-se a “nossa” indústria. Ela que se adapte e se torne competitiva.
Só deveria vigorar uma única faixa de impostos sobre todos os produtos, importados ou não: ZERO. Estímulo total à livre concorrência.

O que não pode é penalizar o consumidor pra beneficiar um grupo de inc0mpetent3s.

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Santiago 29 de junho de 2026

Todas as economias industriais, especialmente a China, construíram os seus parques fabrís com incentivos e intermediações dos respectivos governos. Inclusive taxando importados de maneira claramente protecionista, tanto no início do processo quanto em posteriores momentos de crise.
Portanto o discurso de livre concorrência sem qualquer protecionismo é muito conveniente pra países que já consolidaram as suas indústrias e têm forte peso e influência nas finanças globais, porém não foi obedecendo a essa cartilha que eles abriram caminhos pra erguererem os seus impérios

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