Pessoas estão deixando vômito, fezes e até cabeças de porco nos bancos dos táxis sem motoristas
Waymo chegou a 14 cidades e mais de 4 mil veículos nos EUA, com metade dos agentes de assistência remota baseada nas Filipinas
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 04/09/2026 às 12h00
A expansão dos robotáxis da Waymo depende de um trabalho humano que a empresa raramente mostra: limpar vômito, fezes e outros resíduos deixados pelos passageiros. O relato é de um funcionário de um depósito da companhia na região da Baía de São Francisco, entrevistado sob anonimato pelo site Bay Area Current. Ele não é contratado pela Waymo, mas pela Transdev US, empresa que presta serviços de operação à dona dos robotáxis.
Segundo o trabalhador, sua função incluía estacionar os veículos, verificar se estavam carregados, transferir os dados coletados nas viagens e encaminhar problemas técnicos ou avarias às equipes responsáveis. Quando um carro precisava de higienização, a tarefa era repassada aos funcionários contratados especificamente para limpeza. Vômito e fezes, afirma, aparecem com frequência, sobretudo nas noites de fim de semana.
O episódio mais inusitado envolveu duas cabeças de porco esquecidas no banco traseiro de um dos veículos. De acordo com o relato, os itens estavam soltos no carro e a remoção ficou com a equipe de limpeza.
Cerca de R$ 150 por hora e turno definido em cima da hora
O pagamento é de cerca de R$ 150 por hora (US$ 29) para quem trabalha de manhã ou no turno intermediário. Quem cobre a madrugada, das 22h às 6h30, recebe um adicional de US$ 2, o que eleva o valor a aproximadamente R$ 160 por hora (US$ 31). Há mais US$ 1 por hora para quem pega as noites de sábado e domingo, justamente as de maior volume de sujeira.
A rotina é instável. Os funcionários circulam entre diferentes depósitos e só descobrem o local do turno duas horas antes do início. A função de cada dia também é definida pelos gerentes na hora, conforme o tempo de casa e a proximidade com a chefia. Antes de começar, ele passou por integrações separadas na Transdev, na Waymo e na Alphabet, controladora do serviço, seguidas de uma única semana de treinamento.
O funcionário disse não saber se passageiros que sujam os carros são impedidos de usar o serviço e afirmou que as imagens das câmeras internas não são revisadas de forma rotineira. Nem a Waymo nem a Transdev comentaram publicamente o relato.
Frota cresce e a assistência remota fica no exterior
A operação avança rápido. Em 1º de setembro, a Waymo abriu ao público viagens autônomas em Denver, San Diego e Tampa, chegando a 14 cidades americanas e a mais de 4 mil veículos. A empresa afirma realizar mais de 500 mil viagens pagas por semana e projeta 1 milhão até o fim do ano.
Mesmo sem motorista, os carros contam com uma estrutura de apoio humano. Em carta ao senador Ed Markey, em fevereiro, a Waymo informou manter cerca de 70 agentes de assistência remota de plantão simultaneamente no mundo — metade no Arizona e em Michigan, metade em duas cidades das Filipinas. A empresa sustenta que eles não dirigem os veículos à distância: respondem a pedidos de informação do próprio sistema autônomo, que pode aceitar ou descartar a orientação.
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