Remover os para-barros da Toyota Hilux economiza R$ 360 mas traz problemas maiores

Análise aerodinâmica da Toyota Hilux de oitava geração a 100 km/h mostra ganho pequeno com a medida e sugere outras mudanças mais eficazes

toyota hilux rogue double cab 27
Simulação mediu quanto os para-barros aumentam o consumo de uma picape como a Toyota Hilux (Foto: Toyota | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 08/09/2026 às 22h00

Retirar os para-barros de uma picape realmente reduz o arrasto aerodinâmico, mas o ganho é pequeno diante de um problema muito maior: a altura livre do solo. É a conclusão de uma simulação feita pela consultoria americana Premier Aerodynamics com uma Toyota Hilux de oitava geração rodando a 100 km/h, divulgada em vídeo no YouTube.

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A empresa recorreu ao OpenFOAM, programa de código aberto de dinâmica dos fluidos computacional (CFD), para medir o efeito das abas de borracha instaladas atrás das rodas. Com os para-barros, o coeficiente de arrasto da picape sobe de 0,37 para 0,38. Segundo o apresentador da análise, remover as peças economizaria cerca de US$ 70 por ano em combustível, o equivalente a R$ 358, considerando uso predominantemente rodoviário e os preços praticados nos Estados Unidos.

O diagnóstico, porém, é mais interessante que o número. As abas prejudicam a aerodinâmica por interromper o fluxo de ar em uma região mais alta da carroceria, mas apenas agravam um problema que já existe: a suspensão elevada gera grandes esteiras de turbulência ao redor das rodas. A frente da Hilux mantém o ar colado à carroceria de forma eficiente, e é justamente atrás das rodas dianteiras que esse fluxo se desprende, por causa do vão livre.

Remover paralamas da sua picape pode melhorar o consumo de combustível
Foto: Premier Aerodynamics | YouTube

Onde estão os ganhos de verdade

Mudanças mais eficazes, aponta a análise, seriam cobrir a caçamba, de preferência com capota do tipo fastback, de linha inclinada, ou rebaixar a suspensão. O estudo também critica dois traços de estilo da oitava geração: os arcos de roda pronunciados e as colunas A de ângulo acentuado, que não cumprem função prática e aumentam a resistência do ar.

Ainda assim, a picape se comportou melhor do que a silhueta sugere. A linha de carroceria entre a caixa de roda traseira e a tampa da caçamba sobe e funciona como um difusor, e o fluxo de ar sobre a caçamba é bem controlado. Em análise anterior, a mesma consultoria concluiu que a Ram Dakota de segunda geração também era mais aerodinâmica do que aparentava.

Para quem pensa em desmontar as peças, vale um lembrete: os para-barros existem para conter respingos de água, barro e cascalho na própria carroceria e nos veículos que seguem atrás. A Resolução 888/2021 do Contran estabelece requisitos de sistema antispray para caminhonetes e de dispositivo protetor de roda para automóveis, camionetas e utilitários, com prazos escalonados de aplicação.

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