Safári da Uber no Quênia tem poucas reservas e enfrenta resistência de guias
Serviço lançado em 2025 no Parque Nacional de Nairóbi tem poucas reservas e enfrenta boicote de guias locais, segundo o jornal The Wall Street Journal
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 01/10/2026 às 19h00
Um ano depois de chegar ao Quênia, o Uber Safari, serviço da Uber que leva passageiros para passeios guiados em veículos 4×4 no Parque Nacional de Nairóbi, enfrenta resistência de guias locais e tem registrado poucas reservas. Para evitar conflitos, a empresa retirou o logotipo da marca das laterais dos carros usados nos passeios, segundo reportagem do jornal americano The Wall Street Journal.
Lançado em setembro de 2025, como parte das comemorações de dez anos da Uber no Quênia, o serviço permite agendar pelo aplicativo excursões de três horas, durante o dia ou à noite, em utilitários Land Cruiser conduzidos por guias credenciados.
O Quênia foi o segundo país a receber a modalidade, depois da África do Sul. A iniciativa faz parte de um portfólio de experiências turísticas que já incluiu voos de balão na Capadócia, na Turquia, e passeios de trenó na Lapônia, na Finlândia.
A proposta da empresa é atrair viajantes a negócios que passam poucos dias na capital, turistas e moradores da cidade que nunca visitaram o parque. Os passeios diurnos partem de cerca de R$ 780 (US$ 150) e os noturnos custam em torno de R$ 1.560 (US$ 300), valores cobrados por veículo, que leva até sete pessoas de dia e até cinco à noite.
Guias tradicionais cobram até cerca de R$ 1.010 (US$ 195) por meio período. Em ambos os casos, turistas de fora da África ainda pagam a taxa de entrada no parque, de cerca de R$ 415 (US$ 80).
Safári com arranha-céus ao fundo
O Parque Nacional de Nairóbi se destaca pela proximidade incomum com a área urbana e com os dois aeroportos da capital queniana. Em cerca de 117 km² de savana, abriga espécies como leões, zebras, girafas e rinocerontes, o que permite aos visitantes fotografar os animais tendo os prédios da metrópole como pano de fundo.
Guias tradicionais reagiram
Felix Migoya, presidente da Associação de Guias e Motoristas de Turismo da África Oriental, que representa cerca de 1.000 guias em Nairóbi, afirmou ao jornal que o serviço foi um fracasso desde o primeiro dia. Segundo ele, a associação orientou os membros a não trabalharem com a Uber, e nenhum guia teve coragem de circular com os adesivos da empresa por medo da reação dos colegas.
Boa parte da rejeição inicial, de acordo com o Journal, surgiu da crença equivocada de que a Uber colocaria motoristas comuns de aplicativo dentro do parque, no lugar de guias certificados com veículos preparados para o terreno. A Autoridade Reguladora do Turismo do Quênia esclareceu depois que o serviço usaria apenas guias licenciados e veículos aprovados.
Imran Manji, gerente-geral da Uber na África Oriental, disse que a retirada do logotipo foi uma decisão de segurança. Segundo ele, o primeiro ano foi consumido em grande parte por problemas operacionais, como manter a conexão dos motoristas em áreas remotas do parque e atender às exigências específicas dos passeios noturnos.
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