Startup brasileira põe caminhões e ônibus sem motorista para trabalhar em fábricas e portos
Lume Robotics, criada a partir de pesquisas na Ufes, já opera dez veículos autônomos em empresas como Suzano e ArcelorMittal e negocia com três países
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 29/10/2026 às 15h00
O ônibus que leva funcionários dentro de uma siderúrgica no Espírito Santo não tem ninguém ao volante.
O sistema que o conduz é da Lume Robotics, startup capixaba que também coloca caminhões sem motorista para trabalhar em fábricas e portos de empresas como Suzano, ArcelorMittal, Portocel, Ypê e Mercedes-Benz.

São dez veículos autônomos distribuídos entre seis clientes. Na Suzano, quatro caminhões levam a produção das linhas da fábrica até o centro de distribuição.
Já na ArcelorMittal Tubarão, na Serra (ES), o micro-ônibus da Marcopolo transporta funcionários desde o fim de junho.
Reação em um décimo de segundo
O software usa inteligência artificial para mapear o trajeto, reconhecer obstáculos parados ou em movimento e decidir como desviar, como faria um motorista.
Segundo a Lume, o sistema reage em um décimo de segundo, mais rápido que uma pessoa. A empresa estima que a automação reduz em cerca de 25% os custos de operação, com economia de combustível e manutenção.
Por enquanto, a tecnologia fica longe do trânsito comum: os veículos rodam só em áreas privadas, como fábricas, portos e pátios industriais, repetindo trajetos definidos.

De um jato da Embraer às fábricas
A Lume nasceu em 2019, depois de cerca de dez anos de pesquisa com carros autônomos na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Antes de a empresa existir, a mesma equipe ajudou a Embraer a fazer um jato executivo Legacy 500 taxiar sozinho pela pista, num teste em 2019.
O primeiro dinheiro veio do Programa Centelha, do governo federal, que bancou bolsas e equipamentos. Desde então, segundo o fundador, Rânik Guidolini, a startup cresce em média 150% ao ano e já captou quase R$ 5 milhões de investidores privados.
O próximo projeto é um caminhão elétrico sem cabine, desenvolvido com a Suzano para levar celulose. O protótipo deve ficar pronto em 2027, com testes previstos para 2028.
No mesmo prazo, a Lume quer conquistar os primeiros clientes fora do país — há negociações com empresas do Uruguai, do Chile e do México — e dobrar a operação, chegando a cerca de 12 clientes e 20 veículos.
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