Tesla muda nome do seu ‘piloto automático’ na Europa porque ele não é tão automático assim
Mudança atende ao Ministério dos Transportes alemão, que viu no nome a promessa de um carro autônomo; nos EUA, a Tesla mantém o nome antigo
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 14/10/2026 às 11h00
A Tesla deixou de chamar seu sistema de assistência ao motorista de Full Self-Driving (“condução autônoma total”, em inglês) na Europa. Nos sites europeus da marca, ele agora se chama Tesla Assisted Driving, que se traduz como Condução Assistida Tesla.
A mudança veio depois que o Ministério dos Transportes da Alemanha classificou o nome antigo como enganoso, em comunicado divulgado no último dia 6. Segundo o órgão, a própria Tesla sugeriu a nova denominação em conversas com o ministro Steffen Bilger, em setembro.
Para o ministério, o nome original não corresponde ao que o sistema faz: ele não assume toda a tarefa de dirigir, e o motorista continua responsável pelo carro o tempo todo.
Apoio alemão tem condições
Em troca, Bilger prometeu defender a aprovação do sistema em toda a União Europeia. A votação no bloco estava prevista para 6 de outubro, mas foi adiada para dezembro, no mínimo.
Hoje, o sistema da Tesla funciona em oito países da UE graças a aprovações nacionais, entre eles Holanda, Bélgica e Dinamarca. Alemanha, França, Itália e Espanha ainda não deram aval.
A principal disputa é a velocidade. A Alemanha aceitou que o sistema ultrapasse o limite da via em no máximo 10%, segundo a agência Reuters. A versão europeia aprovada na Holanda permite chegar a até 50% acima do limite detectado, o que exigiria uma mudança no software, segundo o site Electrek.
França e Suécia também já criticaram a possibilidade de o carro andar acima do limite com o sistema ligado.
A versão europeia já era mais contida que a americana: perdeu perfis de condução mais agressivos, como o chamado Mad Max. Ainda assim, mantém funções centrais, como direção, aceleração e troca de faixa.
Com qualquer nome, o sistema segue classificado no nível 2 de automação da SAE, entidade internacional de engenharia automotiva. Isso significa que ele exige supervisão constante do motorista e não torna o carro autônomo.
Nos Estados Unidos, a Tesla continua vendendo o pacote como Full Self-Driving (Supervised), por cerca de R$ 500 (US$ 99) por mês.
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