Tesla Roadster encantou com acrobacias, mas especialistas apontam o que o vídeo não mostra
Nove anos depois do primeiro anúncio, a Tesla trocou a promessa de um superesportivo de longo alcance por um espetáculo de poucos segundos
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 20/10/2026 às 10h00
Depois de saltar e girar no ar na apresentação de 15 de outubro, o novo Tesla Roadster passou a ter sua viabilidade técnica questionada por engenheiros, cientistas e pela imprensa especializada.
O carro esportivo elétrico fez manobras que rodaram o mundo, mas com muitos poréns que tornam quase impossível repeti-las nas ruas. Também foi uma apresentação controlada remotamente, utilizando um protótipo que pode ser muito mais leve que a versão final.
Autonomia pela metade
O ponto mais criticado é a autonomia: em 2017, a Tesla prometeu 998 km de alcance com uma bateria de 200 kWh. Agora, fala em pouco mais de 483 km e não revela a capacidade do conjunto.
Para o site Torque News, a marca adotou uma bateria menor para cortar peso e abrir espaço para as ventoinhas que grudam o carro no chão e para os tanques de gás.
Esses tanques disputam lugar com as pessoas: segundo Lars Moravy, vice-presidente de engenharia da Tesla, o cilindro de 200 litros da versão Thrust fica atrás dos bancos, e a Rocket, a única que voa, troca o banco do passageiro por outro, de 400 litros.
Cada carga rende cerca de cinco segundos de empuxo, e reabastecer leva de duas a seis horas, disse Moravy à Top Gear.
O cientista Yann LeCun, professor da Universidade de Nova York e vencedor do Prêmio Turing (considerado o Nobel da computação), chamou a demonstração de jogada de marketing.
Pelas contas que publicou no X, mesmo que metade do peso do carro fosse gás comprimido, o empuxo forte o bastante para erguê-lo duraria menos de dez segundos, e o mais provável seria algo perto de cinco. O número coincide com o que o próprio Moravy admitiu.
Isso porque jatos de gás frio são pouco eficientes: sem queima de combustível, rendem menos de um quarto do impulso de um motor de foguete a querosene, segundo comparação feita pelo Jalopnik.
Para efeito de comparação, os tanques da Rocket guardam cerca de 250 kg de gás, segundo o The Verge, num carro que a Tesla quer manter abaixo de 1.700 kg.
Por isso, LeCun concluiu que o carro do vídeo seria uma casca leve recheada de tanques, longe de um modelo de rua. Ele comparou o Roadster à SpaceShipOne, nave particular de 2004 que fez três voos recordistas antes de ser aposentada.
Outro carro
O visual também mudou radicalmente: o cupê arredondado de 2017, com quatro lugares e teto de vidro removível, virou uma cunha angulosa de dois lugares, com portas tipo tesoura e inspiração nos aviões militares SR-71 e F-35.




Mesmo assim, a Tesla reabriu as reservas, que custam cerca de R$ 252 mil (US$ 50 mil). O preço final segue em aberto — em 2017, era o equivalente a R$ 1 milhão (US$ 200 mil) — e a produção está prevista para 2028.
A versão Rocket não tem aprovação para rodar em vias públicas, e o próprio Musk admitiu no palco que ela não foi pensada para priorizar a segurança.
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