Toyota quer que carro feito no Japão ganhe selo de ‘fabricado na Europa’

Marca japonesa quer alterar as metas rígidas de emissões da União Europeia e ampliar o conceito de fabricação local para parceiros estratégicos

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Para a Toyota Motor Europe, regras rígidas de conteúdo local podem prejudicar a competitividade e os investimentos no setor. (Foto: Toyota | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 20/10/2026 às 09h00

A Toyota quer mudar as regras que a União Europeia prepara para a indústria automotiva. A montadora japonesa pede que carros feitos no Japão, no Reino Unido e na Turquia contem como europeus e que as metas de corte de emissões sejam mais brandas.

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As propostas foram apresentadas pela Toyota Motor Europe na última sexta-feira (16), em Bruxelas, e miram duas iniciativas do bloco: a Lei do Acelerador Industrial e o Pacote Automóvel, que revisa as metas de CO₂.

De “feito na Europa” para “feito com a Europa”

Pela proposta da Comissão Europeia, um carro elétrico só receberá incentivos públicos se tiver 70% de conteúdo europeu, sem contar a bateria. A Toyota apoia a ideia, mas quer estender o selo Made in Europe, ou Fabricado na Europa, a parceiros de confiança.

Segundo a empresa, excluir esses países prejudica investimentos, empregos e tecnologia. Com eles, o mercado ampliado chegaria a cerca de 31 milhões de veículos. O interesse é direto: a marca tem fábricas no Reino Unido e na Turquia.

A fabricante propõe ainda que a exigência seja introduzida aos poucos, até chegar a 70% em três anos, e que só valha a partir de 2030. Pede também um patamar de 70% sobre o total de vendas, no lugar dos 85% em discussão, e que carros a hidrogênio fiquem temporariamente de fora.

Elétricos abaixo da meta

A Toyota sustenta que os consumidores aderem aos carros 100% elétricos mais devagar do que Bruxelas exige. A marca projeta cerca de 45% das vendas em 2030 para eles, ante mais de 55% exigidos pelas regras atuais.

Para contornar o descompasso, a empresa sugere um prazo de cinco anos para cumprir as metas, de 2028 a 2032, e corte de 90% nas emissões em 2035, em vez dos 100% previstos hoje. Quer também que combustíveis renováveis e aço de baixo carbono contem pontos.

No Brasil, a proteção à indústria local segue outro caminho: o imposto de importação sobre carros elétricos chegou a 35% em julho, após quatro aumentos. Na Europa, as propostas da Comissão ainda dependem dos países do bloco e do Parlamento Europeu.

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