Luca di Montezemolo afirmou estar decepcionado com o novo superesportivo; modelo rompe com a tradição da marca e frustração derruba valor de mercado
O lançamento do Ferrari Luce, primeiro carro 100% elétrico da marca, gerou uma forte crise de identidade que culminou com duras críticas de Luca di Montezemolo, ex-presidente da montadora. O executivo afirmou de forma contundente que o novo modelo arrisca a “destruição de um mito”, refletindo a insatisfação de entusiastas e a subsequente queda de cerca de 8% nas ações da empresa na bolsa de valores.
Montezemolo, que liderou a fabricante italiana por mais de duas décadas e trabalhou como assistente pessoal do fundador Enzo Ferrari, não poupou palavras durante um evento da Confederação Geral da Indústria Italiana. “Se eu disser o que penso, vou magoar a Ferrari. Estou muito desapontado”, declarou com evidente angústia.
O ex-dirigente chegou a ironizar o design controverso do veículo, sugerindo que o tradicional emblema da marca deveria ser removido da carroceria. “Espero pelo menos que tirem o cavalinho daquele carro”, disse, acrescentando em tom de sarcasmo que, com o estilo adotado, o esportivo ao menos não correrá o risco de ser copiado pelas fabricantes chinesas, que hoje dominam a produção de eletrificados.

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Apresentado em Maranello, o superesportivo rompe com décadas de tradição mecânica e sonora ao abandonar os motores a combustão para adotar um conjunto de quatro motores elétricos, capazes de entregar mais de 1.000 cv. A ficha técnica oficial assegura números de alto desempenho: o veículo acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos, atinge a velocidade máxima de 310 km/h e possui autonomia superior a 530 quilômetros. Seu preço sugerido no mercado europeu varia entre 550 mil e 640 mil euros.

Apesar das especificações arrojadas, a transição radical para a eletrificação pura e as linhas estéticas do Luce vêm enfrentando forte rejeição da comunidade automobilística. O público mais purista considera que a fabricante abandonou a essência emocional que a consagrou. Essa frustração foi rapidamente absorvida pelo mercado financeiro, traduzindo a desconfiança dos investidores sobre a viabilidade de um modelo que parece confrontar a própria herança histórica da Ferrari.
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É só “descascar” essa parte azul, em baixo dela tem uma ferrari bem mais palátavel. Quanto à eletrificação, o único problema é o fato de que baterias não armazenam eletricidade.