Toyota bate martelo no motor V6 para decidir se ele precisa ser trocado
Procedimento oficial usa martelo de plástico, acelerômetro e software para avaliar o mancal do virabrequim; entenda como funciona
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 19/08/2026 às 08h00
Atualizado em 19/08/2026 às 08h15
A Toyota transformou um martelo de plástico em ferramenta oficial de diagnóstico: instruções técnicas enviadas às concessionárias descrevem um procedimento que usa o impacto controlado de um martelinho para medir a vibração do virabrequim e decidir se o motor V6 3.4 biturbo dos carros da marca precisa ser trocado, sem desmontá-lo.
O teste integra a campanha de recall do motor V35A-FTS, de 415 cv e 66,2 kgfm, que já alcançou mais de 250 mil picapes Tundra e SUVs Lexus LX 600 e GX 550 nos Estados Unidos desde 2024. Batizado de V35A Crank Bearing Inspection, o procedimento pertence à campanha 25TA14 e se aplica a unidades do Tundra dos anos-modelo 2022 a 2024, segundo as instruções obtidas pelo site Pickup Truck + SUV Talk.
A falha tem origem em detritos do processo de usinagem que não foram removidos durante a fabricação e desgastam o mancal principal nº 1, peça sobre a qual o virabrequim gira. Segundo a Toyota, o defeito pode provocar ruído metálico, funcionamento irregular, falha de partida e perda de potência com o carro em movimento.
Como funciona o teste do martelo
Antes da medição, o técnico troca o óleo, aquece o motor até uma temperatura determinada, remove as correias de acessórios e posiciona o virabrequim em um ponto específico. Um acelerômetro é então fixado ao parafuso do virabrequim e ligado ao software de inspeção da marca.
Em seguida, a polia do virabrequim é golpeada na posição equivalente às três horas de um relógio. O software avalia cada golpe e informa se a batida foi adequada, fraca, forte demais ou duplicada. São necessárias três medições válidas, enviadas à nuvem junto com dados de uso do veículo. O sistema devolve apenas duas respostas: OK, quando o motor é aprovado, ou Replace, quando a troca do conjunto é obrigatória.
Segundo um porta-voz da Toyota ouvido pelo site The Drive, a inspeção se apoia na frequência de ressonância da parte frontal do virabrequim para avaliar a condição do mancal nº 1. O desenvolvimento do método, afirma a empresa, envolveu testes em diversos motores para mapear as diferenças de frequência entre mancais com e sem desgaste anormal.
Princípio antigo, aplicação inédita
A técnica não é nova. Conhecida como teste de impacto ou análise modal experimental, é usada há décadas para medir como estruturas reagem a uma força curta e controlada, no mesmo princípio do diapasão. Inédito é o uso do recurso como rotina de concessionária, para decidir se o motor de um cliente será substituído.
O método evita desmontagens que consomem dezenas de horas de oficina, mas a Toyota sustenta que nem todo veículo convocado precisa de um motor novo, posição que alimenta a desconfiança de proprietários. A montadora ressalva ainda que o teste não diagnostica motores que já apresentam sintomas; nesses casos, a orientação é procurar a concessionária imediatamente.
Nenhum dos modelos afetados é vendido oficialmente no Brasil: Tundra e LX 600 chegam ao país apenas por importação independente. Aqui, campanhas de recall são acompanhadas pela Senacon, secretaria de defesa do consumidor do Ministério da Justiça.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|
Prefiro o método tradicional:
1. tirar o carter de óleo e pegar a biela com a mão e sacudir simulando a eexplosão da câmara de combustão, ou seja um movimento radial.
2. ou desmotar as bronzinas e verificar o desgaste.
