Uma esponja de metal pode deixar as batidas de carro muito menos perigosas

Material feito de esferas ocas de aço substitui as longarinas dianteiras sem aumentar peso nem comprimento das peças, segundo simulações

010170260915 espumas metalicas para choques 2x
Espuma metálica em para-choques reduziu risco de lesão grave em colisões, aponta estudo (Foto: Journal of Composites Science | Reprodução)
Por Eduardo Passos
Publicado em 15/09/2026 às 11h00

Um material que lembra uma esponja de metal pode tornar as batidas frontais bem menos perigosas sem deixar o carro mais pesado. É o que aponta estudo da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, publicado na revista Journal of Composites Science, notado pelo site Inovação Tecnológica.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
Incluir como fonte preferida no Google
+
Seguir AutoPapo no Google Discover

Os pesquisadores simularam colisões trocando as longarinas dianteiras — as barras atrás do para-choque que absorvem o impacto — por tubos de alumínio com núcleo de espuma metálica. Em uma batida a 88 km/h, a peça reduziu em cerca de 84% a desaceleração máxima sofrida pelo carro, ante a longarina de aço retangular, comum na maioria dos carros.

O perigo não é a batida, é a parada

Parece contraintuitivo, mas o que machuca em uma colisão não é tanto a força do choque e sim a rapidez com que o corpo para. Por isso as longarinas são feitas para amassar de forma controlada: quanto mais lenta a desaceleração, menor o estrago nos ocupantes.

Foi aí que a espuma metálica se saiu melhor. O Critério de Lesão na Cabeça — índice que estima a chance de trauma craniano grave — caiu cerca de 83% ante a longarina retangular e 45% ante o desenho de dupla seção octogonal em alumínio. Na prática, o carro poderia bater de 32% a 48% mais rápido antes de cruzar os limites críticos.

Esferas ocas de aço

010170260915 cmf carros 1
Foto: Journal of Composites Science | Reprodução

A espuma metálica, ou CMF, na sigla em inglês para Composite Metal Foam, é feita de pequenas esferas ocas de aço mergulhadas em uma matriz de metal. O resultado é leve, resistente e ótimo para absorver compressão — tanto que já é estudado para blindagem, asas de avião e coletes à prova de balas.

A professora Afsaneh Rabiei, que assina o trabalho com Aman Kaushik, destaca que todas as comparações usaram peças de mesmo peso e comprimento. Ou seja, o ganho de segurança não cobra pedágio em consumo. Ela diz que daria até para encurtar as peças.

Como a espuma metálica também resiste bem ao calor e ao fogo, os autores apontam uso em carros elétricos, especialmente em estruturas de proteção das baterias. Vale lembrar: os resultados vêm de modelos computacionais, não de testes físicos.

Até algumas décadas atrás os para-choques eram de aço: protegiam a lataria, mas quase não absorviam energia — quem pagava a conta era quem estava dentro. Foi isso que levou a indústria ao polipropileno. Agora o metal ameaça voltar, em outra forma.

Newsletter
Receba diretamente em seu e-mail notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram
Siga no

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.