Volkswagen Polo elétrico vende tanto que fila de espera chega a dez meses
Montadora que fecha fábricas e corta vagas não dá conta da procura por seus elétricos de entrada, produzidos apenas na Espanha
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 10/09/2026 às 12h00
Em meio ao fechamento de fábricas e ao corte de dezenas de milhares de vagas, o Grupo Volkswagen encontrou na Europa um problema ‘bom’: não consegue produzir seus elétricos baratos no ritmo em que os pedidos chegam. É o caso do novo ID.Polo, que está esgotado tem clientes na fila de espera por pelo menos dez meses.
Segundo a Automotive News Europe, o hatch acumula mais de 30 mil encomendas desde a abertura dos pedidos, em abril. O desempenho do Skoda Epiq, que divide plataforma e boa parte dos componentes com o modelo alemão, é ainda mais expressivo: são 35 mil encomendas desde julho, ou seja, mais pedidos em menos tempo.

Um porta-voz da Skoda disse à publicação que o SUV elétrico ganha adesão rapidamente e que a marca acertou o alvo com o modelo. A informação sobre a fila de dez meses partiu de uma concessionária ouvida pela revista.
O resultado interessa a uma montadora que vem de sucessivas quedas nas vendas globais e atravessa a maior reestruturação de sua história, com desativação de unidades, demissões em massa e enxugamento da linha de produtos. A aposta em elétricos de entrada é justamente o outro lado dessa estratégia: concentrar investimento nos segmentos que ainda vendem.
Duas fábricas espanholas para quatro modelos
Toda a chamada Electric Urban Car Family do grupo é produzida na Espanha. O ID. Polo e o Cupra Raval saem de Martorell, nos arredores de Barcelona, unidade que recebeu mais de 3 bilhões de euros para se adaptar aos elétricos. O Epiq e o futuro ID. Cross ficam com a fábrica de Navarra, em Pamplona, que fabricou o Polo a combustão por quatro décadas. Para encurtar os prazos, a Volkswagen pretende ampliar a produção nas duas plantas.

O apelo dos modelos está no preço. Na Europa, o ID. Polo parte de cerca de R$ 148,3 mil (24.900 euros) na versão de entrada Trend, com motor de 116 cv, bateria de 37 kWh e autonomia declarada de 334 km. É um patamar que praticamente não existia entre os elétricos europeus até o ano passado, num momento em que carros e combustíveis seguem em alta no continente.
No Brasil, o elétrico da VW custa o dobro
A comparação com o mercado brasileiro é desfavorável. A Volkswagen acaba de anunciar o ID.4 Pro 2027 por R$ 299.990, com chegada às lojas em outubro — será o primeiro elétrico da marca vendido no país fora do programa de assinatura. Nada foi confirmado sobre o ID. Polo por aqui, e o modelo teria pela frente concorrentes chineses já estabelecidos, como BYD Dolphin, Geely EX2 e GAC Aion UT, todos posicionados abaixo dos R$ 200 mil.
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