Volkswagen Tera brasileiro vira Tengo na África do Sul, com frente nova e motor 1.6
Batizado de Tengo, o utilitário desenvolvido no Brasil terá frente redesenhada, suspensão reforçada e motor 1.6 na versão sul-africana
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 02/09/2026 às 14h00
A Volkswagen apresentou na noite de 31 de agosto o Tengo, nome que o Tera brasileiro vai usar na África do Sul, onde a produção do utilitário esportivo compacto começa em 2027. A revelação ocorreu em jantar de gala na fábrica de Kariega, na província do Cabo Oriental, durante as comemorações dos 75 anos de produção da marca no país, com a presença do presidente Cyril Ramaphosa e de executivos da VW.

O nome, porém, não é novidade. Ele foi definido em junho de 2025, em votação aberta ao público sul-africano, quando Tengo superou as opções Tavi, Tiva e Tion. A montadora afirma que a palavra tem significado cultural em línguas africanas e remete a força, resiliência e propósito. O que a empresa mostrou na segunda-feira foi o carro.
Registro do nome Tera foi recusado no país
A escolha de um nome diferente também tem um componente jurídico. Segundo o site sul-africano Cars.co.za, o pedido de registro da marca Tera no país foi recusado em setembro de 2024 por ser considerado semelhante ao do Nissan Terra, utilitário que teve passagem breve pelo mercado local. A Volkswagen nunca confirmou a versão e justifica a troca pela criação de uma identidade própria para a região.
O Tengo não é uma cópia do Tera. Martina Biene, presidente da Volkswagen Group Africa, já havia dito que o projeto passaria por uma adaptação às condições locais. Segundo o jornal Business Day, a versão sul-africana tem a frente redesenhada e suspensão reforçada. Serão três configurações, todas com o 1.6 aspirado de origem brasileira, associado a câmbio manual de cinco marchas ou automático de seis. O 1.0 TSI turbo, oferecido no Brasil ao lado do 1.0 MPI, fica fora da lista. A plataforma é a MQB A0, a mesma de Polo e Nivus, e cerca de três quartos das peças vêm do Polo.
Investimento de R$ 1,28 bilhão na fábrica
O projeto é bancado por um investimento de 4 bilhões de rands, o equivalente a cerca de R$ 1,28 bilhão. O dinheiro pagou a modernização da fábrica, que interrompeu a produção em 2025 para receber cerca de cem robôs na área de carroceria, novas esteiras na montagem final e melhorias na pintura. O Tengo será o terceiro modelo da planta, ao lado de Polo e Polo Vivo, e também será exportado para outros países africanos.
Ramaphosa classificou o aporte como um voto de confiança nos trabalhadores e na capacidade industrial do país. O setor automotivo sul-africano responde por mais de 115 mil empregos diretos na indústria e por pouco mais de 5% do produto interno bruto, segundo o governo.
Comercialmente, o utilitário ficará abaixo do T-Cross e deve ocupar o espaço entre ele e o Polo Vivo, versão anterior do hatch mantida em linha no país. A aposta em um modelo mais barato responde ao avanço das marcas chinesas, que vêm ganhando participação no mercado sul-africano. A fábrica já produziu cerca de 40 modelos e mais de 4,8 milhões de veículos desde o primeiro Fusca, em 31 de agosto de 1951.
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