Acidentes de moto atrasam centenas de cirurgias eletivas no Rio e geram caos na Saúde
Um único hospital deixou de fazer 1.450 cirurgias eletivas em um ano por causa de emergências; bombeiros atendem 144 vítimas de moto por dia no estado
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 07/08/2026 às 09h00
O aumento dos acidentes com motocicletas no Rio de Janeiro (RJ) deixou de ser um problema restrito às emergências e já atinge quem sequer chegou perto de uma moto: pacientes com cirurgias marcadas estão tendo os procedimentos adiados para liberar equipes médicas, leitos e centros cirúrgicos. “Aumenta o número de emergências, tenho que reduzir as eletivas, deixando o paciente internado por mais tempo”, resumiu o secretário municipal de Saúde do Rio, Rodrigo Prado.
O efeito é mensurável: só em 2024, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), referência nacional do SUS no Rio, deixou de realizar 1.450 cirurgias eletivas de alta complexidade por causa de transferências de emergência — um em cada cinco pacientes recebidos tinha lesões graves provocadas por acidentes de moto. Segundo o instituto, cada operação de urgência desse porte empurra para trás ao menos cinco pacientes da fila programada.
Entre janeiro e junho, o Corpo de Bombeiros atendeu mais de 25 mil vítimas de acidentes com motos no estado, média de 144 por dia, ou uma ocorrência a cada dez minutos. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o Rio registrou mais de 600 mortes de motociclistas em 2025 — alta de 29% sobre o ano anterior.
Hospitais lotados dentro e fora do Rio

No Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo (RJ), cerca de 70% das aproximadamente 500 cirurgias ortopédicas feitas por mês decorrem de acidentes de moto, segundo o coordenador de ortopedia da unidade, Carlos Neves. A maioria das vítimas são homens de 20 a 29 anos, que costumam precisar de meses de recuperação. No Hospital Municipal Lourenço Jorge, cerca de 80% das cirurgias por acidentes de trânsito envolvem motociclistas.
O quadro se repete pelo país: em São Paulo, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia estima que 40% dos leitos de ortopedia da cidade estejam ocupados por vítimas de moto. Na Bahia, as internações por esses acidentes custaram cerca de R$ 148,6 milhões ao sistema estadual em 2025. No Amazonas, a Secretaria de Saúde aponta que 70% das cirurgias ortopédicas de uma de suas unidades têm a mesma origem.
Frota maior, entrega mais rápida

Para o Ipea, o avanço acompanha a explosão da frota, que foi de 2,7 milhões de motos em 1998 para mais de 34 milhões em 2024 — de menos de 10% para cerca de 30% dos veículos do país. Hoje, as motos respondem por quase 40% das mortes no trânsito brasileiro e por cerca de 60% das internações por acidentes de transporte.
O instituto, entretanto, também associa o crescimento dos sinistros à disseminação do mototáxi e dos aplicativos de transporte e entrega, que estimulam a pressa dos condutores em troca de remuneração um pouco maior. O tenente-coronel Fábio Contreiras, do Corpo de Bombeiros, aponta na mesma direção: a vulnerabilidade do motociclista somada à pressão por cumprir prazos, sobretudo entre entregadores.
Excesso de velocidade, avanço de sinal e distração com celular aparecem entre os principais fatores de risco. “A gente não enxuga mais gelo. A gente enxuga sangue”, disse Marcelo Pessoa, coordenador do Centro de Trauma do Alberto Torres, ao defender mais educação no trânsito e fiscalização.
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Se conselho vendesse acho que este valeria uma vida!
Quanto vale a vida?
Eu vi a morte de frente, era por volta do ano de 2000, eu tinha apenas 19 anos de idade e estava com a moto (CG 125cc ano 1981, gasolina, freio a disco na dianteira) do meu irmão. Estava eu e um amigo na garupa e era uma avenida de uso misto residencial e comercial, era à noite e tinha um monte de carro estacionado na referida avenida.
Eu estava a uns 60 a 70 km/h quando um carro saiu da garagem e era um Santana da cor preta com os faróis apagados. Só deu tempo para buzinar, foi quando ele ficou na minha frente. Deduzi marcha e então começou a rebolar a traseira da moto. Então um carro passou fritando os pneus na frenagem, e foi então que Deus me inspirou a parar de freiar e tirar de lado.
Soltei os freios e a moto desviou do obstáculo mortal. O motor morreu e então encostei no meio fio, e então eu e o carona não parávamos de tremer as mão por uns 5 minutos.
Que livramento!
Algum tempo depois li numa revista de motos que a segurança da moto não está nos freios, mas sim em desviar do obstáculo. Se tem que planejar a rota de fuga.
Tenho CHN AB, mas não dirijo moto creio eu desde 2005. Pois este o incidente narrado acima não sai da minha cabeça.
O filho do meu porteiro está inválido com apenas 21 anos e nem consegue assinar o próprio nome e o afilhado da babá da minha sobrinha morreu semana passada de acidente de moto… batei em uma árvore.
Por fim fica o conselho:
Na moto o para-choque é você!
