Conhecida pelas motos, Kawasaki entrega superpetroleiro de 340 metros movido a gás natural
Grupo japonês, que já foi sócio de estaleiro na Bahia, entregou navio com motor bicombustível capaz de zerar as emissões de enxofre
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 23/10/2026 às 14h00
A Kawasaki Heavy Industries, grupo japonês dono da fabricante de motos de mesmo nome, entregou um petroleiro gigante que pode navegar movido a gás natural.
O Tsurugidake é o quarto superpetroleiro (VLCC, na sigla em inglês) movido a gás natural liquefeito (GNL) do grupo. O navio foi entregue em 14 de outubro à armadora Sequoia Navigation, no estaleiro que a Kawasaki mantém com a chinesa Cosco em Dalian, na China.
Com 339,50 m de comprimento — mais de três campos de futebol enfileirados —, o navio tem porões com capacidade para 352.151 m³, o equivalente a cerca de 2,2 milhões de barris de petróleo.
No lugar do bulbo de proa tradicional (a protuberância arredondada que fica abaixo da linha d’água), o casco ganhou uma proa redesenhada, que reduz a resistência das ondas. O motor principal, de baixa rotação e curso ultralongo, trabalha com uma hélice de grande diâmetro para gastar menos combustível.
Gás ou óleo no mesmo motor
O motor MAN, de sete cilindros e cerca de 13 mil litros de deslocamento, é bicombustível: aceita GNL ou óleo combustível com baixo teor de enxofre (LSFO). Cada pistão tem 80 cm de diâmetro e percorre 3,72 m dentro do cilindro.
Segundo a Kawasaki, com GNL as emissões de dióxido de carbono (CO₂) caem de 25% a 30%, as de óxidos de nitrogênio (NOx) recuam cerca de 85%, e as de óxidos de enxofre (SOx) são eliminadas, na comparação com motores movidos a óleo pesado.
O navio também tem lavadores de gases (scrubbers) no escapamento do motor e dos geradores, que retiram o enxofre e permitem seguir usando óleo convencional dentro das regras em vigor desde 2020, o que reduz o custo com combustível.
O Tsurugidake atende à Fase 3 do Índice de Projeto de Eficiência Energética (EEDI), regra internacional que exige dos petroleiros encomendados a partir de 2025 um corte de 30% nas emissões de CO₂ em relação à Fase 0.
O navio tem velocidade de cerca de 15,45 nós (28,6 km/h), tripulação de 37 pessoas e bandeira do Panamá.
No Brasil, a Kawasaki foi sócia, com 30%, do estaleiro Enseada do Paraguaçu, na Bahia, criado para construir navios-sonda do pré-sal e atingido pela crise da Sete Brasil.
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