Kawasaki KLE 650 é revelada e vira maior trail da família
Modelo trilheiro tem motor de 649 cm³, controle de tração e piloto automático de série; nos EUA, parte de US$ 8.799
Publicado em 27/10/2026 às 16h00
A Kawasaki revelou a moto que havia prometido para esta terça-feira (27): a KLE 650 é a mais nova integrante da família de trilheiras da japonesa. O modelo chega em duas versões, KLE 650 ABS e KLE 650 SE ABS, e coloca a linha KLE, hoje conhecida pela 500, um degrau acima em motorização.
O lançamento confirma a hipótese que a imprensa internacional levantou depois do teaser, poucos dias após a estreia da KLE 500 SE Smartride 2027: uma trail de cilindrada maior dentro da mesma família.
As informações divulgadas até agora vêm do material da Kawasaki norte-americana, que trata as duas versões como linha 2027 e confirma chegada às lojas dos Estados Unidos em fevereiro.
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Preços e versões (EUA):
- Kawasaki KLE 650 ABS — US$ 8.799 (R$ 46,9 mil em conversão direta)
- Kawasaki KLE 650 SE ABS — US$ 9.999 (R$ 53,3 mil em conversão direta)
Motor de 649 cm³
O motor é um bicilíndrico paralelo de 649 cm³, com arrefecimento líquido, comando duplo no cabeçote e oito válvulas, derivado da plataforma de média cilindrada que a Kawasaki usa há anos em modelos como Ninja 650 e Versys 650.

A fabricante não divulgou potência, torque nem peso. Nas irmãs de mesmo propulsor, o bicilíndrico entrega cerca de 69 cv e 6,5 kgf.m.
A principal mudança técnica é justamente esse acelerador eletrônico, com corpos de borboleta de 38 mm. Sem cabo entre o punho e o motor, a central eletrônica controla ar e combustível, o que viabiliza o piloto automático e o controle de tração. Segundo a Kawasaki, o acerto de admissão e escape prioriza torque abaixo de 4.000 rpm, com reforço de força acima de 6.000 rpm.
O controle de tração KTRC tem dois modos: o 1, menos intrusivo, mantém mais tração na saída de curva; o 2 corta potência mais cedo quando detecta deslizamento, pensado para piso molhado, paralelepípedo e cascalho.
A embreagem é assistida e deslizante, o que reduz o esforço na manete e limita o travamento da roda traseira em reduções bruscas. O piloto automático é de série nas duas versões.
O câmbio rápido KQS, que dispensa a embreagem ao subir e descer marchas a partir de 2.000 rpm, vem de série só na SE. Na versão padrão, é acessório.
Roda 21 , mas geometria e pneus para o asfalto

O chassi é treliçado, de aço de alta resistência, e pesa 16,9 kg. O motor trabalha como elemento estrutural: a balança é fixada por uma placa aparafusada à traseira do propulsor, solução que dispensa travessas adicionais. A balança de aço ficou 0,5 kg mais leve que a da KLE 500, com rigidez vertical maior.
A própria Kawasaki afirma que entre-eixos, cáster e trail priorizam a estabilidade no asfalto mais do que na KLE 500. Ou seja: a moto maior não é a mais off-road da família, e sim a mais rodoviária.
Na frente, o garfo invertido de 43 mm tem 211 mm de curso; atrás, o monoamortecedor Uni-Trak oferece 196 mm, com ajuste contínuo de pré-carga para compensar passageiro e bagagem. Os freios são dois discos de 300 mm na dianteira, com pinças de dois pistões de 27 mm, e um disco de 230 mm atrás. O ABS pode ser desligado para andar na terra, mas volta a ligar sozinho a cada partida.
As rodas raiadas combinam aros de alumínio e raios de aço, com 21 polegadas na frente e 17 atrás. Só a SE tem rodas preparadas para pneus sem câmara — na versão padrão, um furo na estrada ainda exige desmontar a roda e trocar a câmara.
Assento alto continua alto
A KLE 650 tem assento a 869 mm — praticamente a mesma altura da KLE 500, de 870 mm. A medida é elevada para o segmento, e para quem tem menos estatura a Kawasaki oferece banco baixo na lista de acessórios, assim como protetor de motor, baú, malas laterais e manoplas aquecidas.


O tanque leva 15,9 litros e tem formato estreito, pensado para o piloto deslizar o corpo para a frente em terreno irregular. O para-brisa tem três posições, com 27 mm ou 55 mm a mais que a regulagem padrão. O guidão é do tipo fat bar, de aço na versão padrão e de alumínio D.I.D. na SE, e as pedaleiras têm borracha removível sem ferramentas, que expõe dentes metálicos para pilotar em pé fora do asfalto.
O subchassi traseiro foi dimensionado para aguentar duas malas laterais e um baú ao mesmo tempo, e o escapamento alto foi posicionado para permitir malas simétricas sem reduzir o ângulo de inclinação.
Versão SE custa US$ 1.200 a mais
A diferença entre as duas versões vai além do painel. A padrão usa um LCD de 5 polegadas; a SE traz um TFT colorido do mesmo tamanho, com fundo que muda de claro para escuro conforme a luz, dois desenhos de tela e navegação ponto a ponto quando conectado ao aplicativo Rideology — função que depende de licença paga e varia conforme o país. As duas versões exibem notificações do celular.
A SE acrescenta ainda câmbio rápido, rodas tubeless, guidão de alumínio, protetores de mão reforçados com metal, tomada USB-C e para-brisa 106 mm mais alto. O protetor de cárter também muda: a padrão vem com uma peça de plástico, justificada pela Kawasaki pelo menor peso, enquanto a de alumínio, que protege mais a lateral e a parte de baixo do motor, fica reservada à SE. Na prática, é a solução mais barata na versão de entrada.
Brasil ficou de fora do anúncio
Os preços e as datas divulgados valem para os Estados Unidos, e a conversão direta não serve de referência por aqui, por causa de impostos, frete e política comercial. Nada foi informado sobre a chegada da KLE 650 ao Brasil.
A KLE 500 foi confirmada para o mercado brasileiro durante o Festival Interlagos 2026, mas até agora sem data. A versão maior, revelada nesta terça-feira, não tem qualquer confirmação — nem de chegada, nem de quais versões seriam oferecidas.
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