Novo capacete da MotoGP se despedaça para proteger motociclista em quedas

Pista GP R3 usa painéis apoiados em centenas de microesferas que se soltam em quedas angulares, as mais associadas a concussões

AGV CAPACETE 1 copia
Capacete que se quebra de propósito estreia na MotoGP e promete cortar concussões (Foto: AGV | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 16/09/2026 às 15h00

A AGV apresentou o Pista GP R3, um capacete topo de linha para a MotoGP projetado para se desmanchar em parte durante determinadas quedas. Segundo a fabricante italiana, a camada externa se solta de forma controlada em impactos angulares e reduz em seis vezes o risco calculado de concussão em testes de laboratório, na comparação com a configuração convencional.

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O modelo estreou nos treinos livres do GP de San Marino e da Riviera de Rimini, em Misano, no dia 11 de setembro, usado pelos pilotos patrocinados pela marca na MotoGP, na Moto2 e na Moto3. É a maior mudança da plataforma Pista GP desde a estreia da linha, em 2011, e sucede o Pista GP RR, de 2020.

O casco segue inteiramente em fibra de carbono, mas ganhou uma segunda camada externa apoiada sobre uma matriz de centenas de microesferas: o sistema AGV Sphera, baseado na tecnologia RLS (Release Layer System), desenvolvida com uma start-up britânica de mesmo nome. Esses painéis flutuantes deslizam no sentido da força aplicada e, quando a solicitação é intensa, se desprendem por completo da estrutura.

AGV CAPACETE 2
Foto: AGV | Divulgação

Por que desmanchar protege mais

A lógica contraria a intuição de quem compra um capacete homologado pelo Inmetro e espera que ele resista inteiro à batida. Os ensaios tradicionais privilegiam impactos frontais contra superfícies planas, mas cabeças são arredondadas e caem em ângulo. Nesses choques oblíquos, o capacete e o crânio giram enquanto o cérebro, suspenso no líquido cefalorraquidiano, acompanha o movimento com atraso. É essa rotação relativa que gera as tensões responsáveis pelas lesões mais graves.

Ao escapar do casco, os painéis sacrificiais dissipam parte da energia rotacional antes que ela chegue à cabeça. O projeto atende ao FRHPhe-02, protocolo mais recente da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) para capacetes de competição, que passou a cobrar dos fabricantes justamente o desempenho em impactos angulares.

Quando a tecnologia chega às ruas

A AGV não é a primeira marca a adotar peças sacrificiais: a japonesa Arai faz entradas de ar e spoilers se soltarem no impacto há anos. A diferença está na escala. No Pista GP R3, a área projetada para se desprender cobre boa parte do capacete e funciona quase como um segundo casco, o que amplia a superfície disponível para dissipar forças rotacionais.

A fabricante ainda não divulgou preço nem data de venda ao público, prevista para 2027. Hoje o Pista GP RR parte de cerca de US$ 1.500 (aproximadamente R$ 7.700) no exterior e costuma passar de R$ 10 mil nas lojas brasileiras, patamar que deve servir de piso para a nova geração.

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