Quanto mais caro o capacete, melhor ele é?

O valor do produto influi na qualidade e nos materiais aplicados, porém nem todo o valor é direcionado à segurança

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Pedro Acosta, usa na MotoGP um modelo que custa mais de R$ 10 mil (Foto: Alpinestars | Divulgação)
Por Lucas Silvério
Publicado em 27/05/2026 às 18h00

O capacete é o EPI (Equipamento de Proteção Individual) mais importante para motociclistas e condutores, tanto que é o único que exige certificação durante condições urbanas cotidianas. Por isso, o investimento neste item não deve ser um “limitador de saúde”. Porém, o piloto deve se atentar, uma vez que nem sempre o alto preço está ligado ao desempenho. Ao menos no quesito segurança.

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O selo do Inmetro é obrigatório no Brasil (Foto: Inmetro | Divulgação)

Em entrevista, o Grupo Motociclo – um dos maiores distribuidores e importadores de peças, acessórios e equipamentos para motocicletas do Brasil e marca por trás da Helt Capacetes – afirmou que vários fatores podem influenciar o preço de um capacete, mas o alto custo não determina a qualidade ou segurança.

Nem sempre um capacete mais caro será necessariamente mais seguro, porém normalmente os modelos de maior valor agregado oferecem um conjunto mais completo de tecnologias, conforto, acabamento e recursos adicionais”, afirmou a marca. “O preço pode influenciar porque modelos premium normalmente utilizam materiais mais leves e resistentes, possuem projetos aerodinâmicos mais avançados e passam por processos de desenvolvimento mais sofisticados. Além disso, costumam oferecer mais conforto térmico e acústico, o que também contribui para uma pilotagem mais segura em longos períodos.”

O preço de um capacete

Os capacetes modernos contam com um fator muito importante e expressivo além da segurança e qualidade de conforto: a tecnologia embarcada.

A Internet das Coisas integrou veículos, smartphones e, no caso da motocicleta (e alguns outros), o capacete. Agora, o EPI muitas vezes sai de fábrica com tecnologias que permitem a intercomunicação, seja com o próprio veículo, outros motociclistas ou até com smartphones, possibilitando assim ouvir músicas e escutar o GPS.

Projetos mais avançados, como o GT-Air 3 Smart, da japonesa Shoei, referência em segurança no motociclismo, conseguem ainda exibir na viseira dados do painel da moto, como velocidade, instruções de navegação GPS e chamadas telefônicas.

Enquanto um capacete convencional pode partir de cerca de R$ 200, um que já venha com intercomunicador se inicia ao menos em cerca de R$ 600.

Além de tudo, demais características do capacete, como qualidade dos materiais, aerodinâmica e design, podem fazer o modelo ultrapassar os R$ 10.000.

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O Alpinestars Supertech R10 é usado na competiçaõ mais importante do segmento (Foto: Alpinestars | Divulgação)

No site da Alpinestars, uma das mais renomadas marcas de equipamentos do motociclismo mundial, o mesmo capacete utilizado pelos pilotos da MotoGP, o Alpinestars Supertech R10, custa R$ 10.990,49. O modelo representa a mais alta tecnologia no quesito segurança e desempenho.

O custo-benefício

O Motociclo deixou claro que, por mais que existam estes modelos de alto custo, a relação custo-benefício pode sim ser a saída para os pilotos que, embora não queiram desembolsar um alto valor, ainda se preocupam com a segurança.

“Existem capacetes com excelente relação custo-benefício, que entregam um bom nível de proteção dentro das normas exigidas pelo Inmetro. O mais importante é escolher um capacete certificado, de marca confiável e que tenha encaixe perfeito na cabeça do motociclista, pois um capacete mal ajustado perde grande parte da sua eficiência de proteção.”

O capacete de moto deve, por lei, contar com o selo de identificação do Inmetro, comprovando que é um produto de qualidade, estar em bom estado de uso e ter todas as quatro faixas reflexivas.

Além disso, é fundamental que o motociclista use um capacete novo, que nunca tenha sofrido uma queda (o que compromete a estrutura interna) e do tamanho adequado, evitando se soltar ou girar em circunstâncias adversas.

O tamanho do capacete também é fundamental para a segurança do tripulante. A numeração do tamanho do capacete é a mesma da circunferência do crânio da pessoa, em centímetros. Para medir também é simples: basta colocar uma fita métrica no meio da testa e contornar toda a cabeça até que as duas pontas se unam.

As medidas do EPI variam bastante, as mais comuns estão entre 56 cm e 62 cm, sendo esperado que o capacete de moto aperte as bochechas do condutor, pois a espuma nova ainda está rígida. O que não pode acontecer é o incômodo no crânio. Nestas situações, é melhor pegar um número maior.

O especialista em capacetes alerta

“O preço pode influenciar, mas não deve ser analisado de forma isolada.”

No fim das contas, o mais importante é escolher o capacete mais adequado para o uso em questão, respeitando a legislação e as normas de segurança.

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