Aprenda como alterar o tamanho de rodas e pneus

Fabricantes e Código Brasileiro de Trânsito estabelecem parâmetros para motoristas que desejam instalar conjunto com características diferentes

Por Alexandre Carneiro26/06/18 às 10h46

Afinal, é possível alterar as medidas das rodas e dos pneus do carro? Seja pela vontade de deixar o possante com um visual mais incrementado ou simplesmente com a finalidade de economizar, adquirindo pneus menores e mais baratos no momento de substituí-los, muitos motoristas fazem, ou pensam em fazer, esse tipo de modificação. Pode ou não pode?

Primeiramente, vale destacar que a legislação estabelece critérios para fazer tal tipo de mudança. Segundo o Artigo 8º do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), fica proibido “o aumento ou diminuição do diâmetro externo do conjunto pneu/roda”. Desse modo, é possível instalar uma roda maior, por exemplo, desde que ela seja montada em um pneu de perfil mais baixo, de modo que o diâmetro dos dois componentes juntos não seja alterado.

Alterar medidas de rodas e pneus pode ser ilegal e perigoso

Além disso, o Artigo 8º do CTB também determina que “a utilização de rodas/pneus que ultrapassem os limites externos dos pára-lamas do veículo” também é proibida. Dirigir um veículo “com a cor ou característica alterada,” segundo o texto, é infração gravíssima, punida com multa e apreensão do bem.

Do ponto de vista técnico, também é preciso atentar para determinados critérios, para não colocar a segurança dos ocupantes em risco. “Existem algumas regras que devem ser seguidas para não comprometer a dirigibilidade e os sistemas eletrônicos do veículo,” explica José Carlos Quadrelli, gerente geral de Engenharia de Vendas da Bridgestone. “Embora recomendemos sempre utilizar as medidas indicadas pelo fabricante do carro, que as determinou na definição do comportamento dinâmico, sabemos que existem consumidores que querem alterar as dimensões originais”, ressalva.

A regra básica é a mesma prescrita pela lei: “O diâmetro externo do pneu substituto deve ser igual ao do pneu original, já que o velocímetro e os sistemas de ABS e de controle de tração, entre outros, utilizam essa medida como referência“, explica Quadrelli.

Arte | André Almeida

De acordo com o especialista, tecnicamente, há uma tolerância de 3% para mais ou para menos. Desse modo, um motorista que pretende instalar rodas maiores em um automóvel que utiliza componentes de aro 15, calçados com pneus 195/65 R15, não terá problemas de dirigibilidade em adotar, por exemplo, por um jogo de pneumáticos 195/60 R16 (diferença de 0,9%), mas não deve instalar um de 195/60 R17 (diferença de 4,9 %).

O problema é que a lei não faz qualquer menção a essa diferença de até 3% (o texto faz concessões apenas ao estepe do carro). Desse modo, se a fiscalização conseguir constatar qualquer mudança no diâmetro dos pneus do veículo, mesmo pequena e dentro de tal tolerância, o motorista pode ser punido. É o que pondera a advogada especialista em trânsito Luciana Mascarenhas: “sendo verificado pelo agente ou policial que o diâmetro do conjunto pneu/roda não se manteve inalterado, entendo que ele aplicaria a multa prevista no Artigo 230 CTB”, pontua.

Outras medidas de rodas e pneus

Quanto à largura, do ponto de vista legal, não há exigências além da proibição de que o pneu fique projetado para fora da lataria. Porém, do ponto de vista da dirigibilidade, também há critérios que merecem ser seguidos. Segundo Quadrelli, “a largura deve estar dentro da faixa permitida para o aro do pneu substituto, segundo a norma da Alapa (Associação Latino Americana dos Fabricantes de Pneus, Aros e Rodas). Por exemplo, na medida 205/55 R16, que normalmente usa o aro de largura 6,5 polegadas (chamado de aro de medição), podem ser usados aros de 5,5 a 7,5 polegadas”, afirma. Entenda o que significam esses números no infográfico abaixo:

(Fabiano Azevedo/AutoPapo)

Por fim, o proprietário deve manter a medida offset no novo conjunto de rodas e pneus. Esse número indica a distância entre a linha central da largura do aro e o cubo da roda. “Deve-se manter esse valor próximo ao da roda original, já que sua alteração modifica a bitola (distância entre as linhas de centro das duas rodas do eixo) do veículo, o que afeta a estabilidade”, adverte o especialista.

Mesmo se todas as recomendações forem seguidas, o executivo da Bridgestone ainda sugere uma inspeção visual após a instalação. Segundo ele, o proprietário deve “verificar que o pneu substituto não está entrando em contato com partes da suspensão ou da carroceria do veículo”.

Características de projeto

Além das medidas, o consumidor deve observar as características projetuais do pneu. “O substituto deve ter índice de carga e símbolo de velocidade maiores ou iguais ao do pneu original, para garantir que ele suporte a carga do veículo e resista às velocidades que ele pode desenvolver,” recomenda o gerente geral de Engenharia de Vendas da Bridgestone.

Entre essas características, está também a aplicação para a qual o componente foi desenvolvido. “O pneu substituto deve ter o mesmo tipo de construção do original. Por exemplo, não se deve trocar um componente do tipo LT (sigla de Light Truck, que indica uso em caminhonetes e veículos de carga) por um tipo passeio (P), ou um reforçado por um standard”, complementa Quadrelli.

Fotos iStock | Reprodução

1 Comentário

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  • Cristian 11 de julho de 2018

    Com qual autoridade as pessoas devem se comunicar para fazer menção a tolerância de 3% para mais ou para menos no diâmetro do conjunto roda/pneu?

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