Aquisição da Takata é concluída pela chinesa Ningbo Joyson

Fabricante de airbags explosivos que já mataram 22 pessoas tem três fábricas no Brasil e supre indústria local

Por AutoPapo13/04/18 às 18h44

O processo de aquisição da Takata foi concluído, na quarta-feira (11), pela norte-americana Key Safety Systems (KSS), controlada pela chinesa Ningbo Joyson. A fabricante de airbags japonesa entrou com processo de recuperação judicial em junho passado após ser alvo do maior recall da história. Os airbags da Takata explodem e já mataram 22 pessoas em todo o mundo. A corporação opera três instalações de fornecimento no Brasil.

A Key Safety Systems pagou, na negociação, US$1.6 bilhão pela Takata, que já foi uma das três maiores fornecedoras de airbags do mundo. O primeiro recall do componente foi feito em 2008 pela Honda nos Estados Unidos, mas explosões com os airbags defeituosos estavam ocorrendo desde 2004, antes que autoridades dos EUA investigassem a questão.

Desde então, a fabricante de airbags vem arcando com os custos dos recalls de inúmeras montadoras, multas e investigações criminais que a levaram à falência. Apenas nos Estados Unidos, a japonesa Takata deve US$38.6 bilhões em indenizações, segundo reportou a agência Reuters. O acordo de aquisição da Takata não inclui estas responsabilidades, que estão sendo negociadas dentro do processo de falência sob a legislação do Japão.

Foram negociados todos os estabelecimentos da corporação no mundo, assim como suas operações. A empresa foi fundada em 1933 e produz, além de airbags, cintos de segurança, volantes e cadeirinhas infantis, entre outros. No Brasil, a Takata possui três fábricas e abastece a indústria automotiva local. Segundo o engenheiro Oliver Schulze, entrevistado pelo AutoPapo à época do escândalo, a fornecedora atende a “praticamente todas” as montadoras instaladas aqui.

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Fábrica da Takata em Jundiaí também foi vendida durante negociação com a Ningbo Joyson (Google | Reprodução)

A aquisição da Takata ocorreu na forma de uma fusão com a Key Safety Systems, e as duas passaram a se chamar Joyson Safety Systems. O novo nome vem da companhia chinesa que controla a KSS, Ningbo Joyson Electronic Corp. A sede será mantida na divisão norte-americana, em Michigan.

Ao mesmo tempo, o presidente da Takata, Shigehisa Takada, resignou ao seu posto à frente da corporação. Sua renúncia já havia sido anunciada em 2016, quando ele revelou que deixaria a empresa assim que ela estivesse fora de perigo. Takada é neto do fundador e assumiu o posto em 2014, quando os recalls já estavam em andamento.

Em um processo judicial em 2017, a companhia se declarou culpada de atos criminosos, incluindo entregar testes falsos para fabricantes de automóveis para induzí-los a comprar seus airbags defeituosos. Apesar disso, o New York Times afirma que pelo menos uma montadora tinha conhecimento de que as peças não eram seguras quando decidiu por contratar a Takata, que oferecia um preço menor que as concorrentes.

airbag painel passageiro

Assim, fabricantes de automóveis também respondem a acusações de que sabiam que estavam instalando airbags defeituosos em seus veículos, segundo a Consumer Reports.

O maior recall de todo o mundo começou após se descobrir que os airbags da Takata se tornavam explosivos após 15 anos de exposição a altas temperaturas e umidade. Na década de 1990, a japonesa passou a produzir seus airbags com o químico nitrato de amônio como propelente do gás que infla as bolsas.

O químico, no entanto, é instável. Com o tempo de exposição às variações atmosféricas, ele se torna explosivo. Assim, quando estes airbags são acionados, explodem ao invés de inflar. A explosão leva ao lançamento de fragmentos de metal dentro da cabine do carro, à maneira de uma granada. 22 pessoas já morreram devido aos airbags explosivos e mais de 180 ficaram feridas devido à falha.

Até hoje, os processos de recall da Takata seguem sendo expandidos em todo o mundo. Apenas nos Estados Unidos, cerca de 34 milhões de veículos estão em recall, incluindo 50 milhões de airbags que devem ser substituídos.

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