5 carros alemães que foram grandes fracassos

Eles são primorosos na engenharia, mas podem errar na leitura do mercado e cometer erros como qualquer outros fabricantes

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O comprador de picape tem gostos muito específicos até com marcas (Foto: Mercedes-Benz | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 01/07/2026 às 08h00

Os alemães são famosos no mundo dos automóveis pela excelência na engenharia, mas até eles podem errar e fazer carros que fracassam no mercado. Muitas vezes o erro foi na leitura do mercado ou veio de decisões ruins dos executivos.

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Aqui vamos focar nos carros alemães que tiveram problemas com vendas, pois os problemáticos na mecânica já foram abordados em outra ocasião. Confira cinco exemplos.

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1. Volkswagen Up

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Quem teve um adorou, porém muitos torceram o nariz por ser caro para um subcompacto (Foto: Volkswagen | Divulgação)

O Volkswagen Up foi um sucesso na Europa, mas não conseguiu repetir o feito por aqui. A marca alemã teve o cuidado de preparar o carro para o nosso gosto, aumentando o volume do porta-malas e do tanque, homologando o veículo para levar cinco ocupantes e mudando a porta traseira para que o vidro possa descer.

O problema do Up no Brasil foi apostar no conceito de subcompacto urbano sofisticado. Como sua arquitetura era moderna, ele era mais caro de fazer que o Gol, mesmo sendo menor. O Up aspirado beliscava no valor de rivais com motores 1.4 ou 1.5.

Quem experimentava o Volkswagen Up e não fazia questão de ter um carro grande adorava o modelo. Ele era bom de dirigir, cabia motoristas altos com conforto e passava sensação de solidez. O motor TSI que veio mais tarde deu um desempenho surpreendente, que combinava com os bons engates do câmbio manual.

Mas no final das contas o Up foi um fracasso para a Volkswagen, pois vendeu abaixo do esperado. Hoje a marca voltou a ser líder de vendas graças ao Polo Track, que é um popular ao gosto brasileiro com porte maior.

2. Mercedes-Benz Classe X

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Apenas uma versão tinha motor Mercedes para justificar o preço elevado (Foto: Mercedes-Benz | Divulgação)

As picapes médias são sucesso de venda nos mercados emergentes e todas as marcas queriam ter uma nos anos 2000. Enquanto a Volkswagen se arriscou fazendo a Amarok por conta própria, a Mercedes-Benz se juntou com a Renault para fazer sua caminhonete derivada da Nissan Frontier.

A marca alemã também faz vans, caminhões e o jipe Classe G, ter veículos de trabalho não é novidade para ela. Mas parece que a Mercedes-Benz subestimou o mercado de picapes, que não leva o luxo muito a sério.

A Classe X trazia dianteira, traseira e interior diferentes da Frontier, mas alguns botões eram comuns com o modelo japonês. Sob o capô estava o nosso conhecido 2.3 turbodiesel da Renault, que também foi usado pela Nissan. Mas apenas na picape da marca alemã existiu o V6 3.0 da Mercedes, com 258 cv.

O que fez a Classe X fracassar foi justamente a concorrência interna: os modelos de quatro cilindros eram próximos demais da Frontier e o V6 era caro demais para uma picape. Existiu planos de produzi-la na Argentina para a América Latina, mas as vendas baixas fez a Mercedes desistir desse segmento o quanto antes.

3. BMW Série 3 Compact E46/5

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Com essa carinha era difícil de roubar os clientes do Golf (Foto: BMW | Divulgação)

O segmento dos hatches médios é um dos mais populares da Europa e a BMW cansou de ver o Volkswagen Golf fazendo sucesso. Como ela não queria quebrar sua tradição de fazer carros com tração traseira, criou o Série 3 Compact.

O modelo era, basicamente, um Série 3 E36 cupê com a traseira encurtada, tampa do porta-malas do tipo hatch e suspensão traseira simplificada da geração anterior. O modelo foi um sucesso, pois oferecia o prazer ao dirigir de um Série 3 por um valor menor.

A geração seguinte também teve um modelo Compact, que resolvia algumas críticas antigas como o espaço para a cabeça no banco traseiro. Mas o motivo para esse BMW em miniatura ser um fracasso foi o desenho.

Nessa época os alemães estavam tentando ser ousados com seus carros. O Série 3 Compact ganhou faróis divididos com elementos circulares e uma lanterna traseira vertical e translucida.

Após esse fracasso a BMW parou de cortar a traseira do Série 3 e fez um hatch propriamente dito com o Série 1, que mantinha a tração traseira. Hoje o médio da marca alemã se rendeu a tração dianteira para conseguir vendas melhores, a marca se tocou que uma parte considerável do público nem sabia quais eram as rodas motrizes.

4. Audi A2

Audi A2
Ele tinha porte de Honda Fit, carroceria em alumínio e um capô que não podia ser aberto (Foto: Audi | Divulgação)

A Mercedes-Benz virou manchete quando criou o seu primeiro carro compacto, o Classe A. A BMW não fugiu muito de sua fórmula tradicional com o Série 3 Compact. Mas a Audi foi ousada e ao mesmo tempo passou sob o radar com o A2.

Ter um carro pequeno não é novidade para a Audi, o modelo 50 dos anos 70 deu origem ao Polo, mas nos anos 2000 ela já era consolidada como uma marca de luxo. O A2 foi um experimento que misturava hatch com minivan e buscava a maior eficiência possível.

O porte era similar ao de um Honda Fit de primeira geração, com 2,40 m de entre-eixos, 3,86 m de comprimento e 1,67 m de largura. O desenho era inspirado no TT e carroceria foi feita em alumínio para reduzir o peso.

Uma inovação do Audi A2 foi o capô que não podia ser aberto pelo proprietário, ele tinha acesso apenas a vareta do óleo e o reservatório do limpador de para-brisa. Para realizar a manutenção era preciso desparafusar o capô.

Ele foi alvo de alguns experimentos, como a versão 3L que usava motor 1.2 turbodiesel de 75 cv e vinha sem ar-condicionado para poder atingir médias de 33 km/l. O Audi A2 nunca vendeu bem, emplacou apenas 176.377 unidades de 2000 a 2006, enquanto a primeira geração do Classe A vendeu mais de 1 milhão de unidades.

5. Volkswagen Phaeton

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Por baixo tinha muito em comum com o Bentley Continental GT, mas o emblema da grade não atraiu o público (Foto: Volkswagen | Divulgação)

O executivo, Ferdinand Piëch, viu a Mercedes-Benz entrando no segmento de carros compactos e pensou em responder com um Volkswagen de luxo. A ideia do alemão era peitar o Mercedes-Benz Classe S, referência global em luxo e tecnologia.

O grupo Volkswagen já possuía algo do gênero com o Audi A8 e ainda tinha a Bentley sob seu guarda-chuva, mas Piëch era teimoso. O Phaeton foi fruto dos caprichos do executivo e precisava atingir especificações que ele determinou.

Rodar a 300 km/h constantemente a 50° e mantendo 22° na cabine, ter alta rigidez torsional e o aquecedor funcionar antes do motor esquentar forma algumas exigências de Piëch. O Phaeton usava a plataforma do Audi A8, mas por ter carroceria em aço no lugar do alumínio era mais próximo do Bentley Continental GT.

Como sedã de alto luxo era um modelo impressionante, mas o público nessa faixa de preço é muito ligado ao emblema. O Volkswagen Phaeton foi um fracasso comercial, a expectativa era de vender 20 mil carros por ano e mal chegaram a 6 mil.

A produção durou de 2002 a 2016 graças a China, único mercado onde as vendas em decentes. Uma segunda geração foi cogitada e chegou a um estágio avançado de desenvolvimento, mas foi cancelada.

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