Carros de leilão: vale a pena comprar com essas condições?

Os carros de leilão são mais baratos que a média do mercado, mas não oferecem garantia, direito de troca ou devolução

Por Bárbara Angelo 24/07/18 às 16h30

Quando falamos em carros de leilão, alguns pensam nos riscos, outros nas oportunidades. Por um lado, os bens vendidos dessa forma se caracterizam por um preço abaixo do praticado pelo mercado. Por outro, não oferecem garantia, troca ou devolução. Além disso, no caso de comprar carros, nem mesmo se permite que os interessados virem a chave do veículo na hora de avaliá-lo.

Antes de tudo, é preciso entender o que é essa categoria de venda e compra de carros.

carros de leilão martelo

De onde vêm os carros de leilão?

Os veículos oferecidos em leilões podem ter diversas origens, e saber qual delas é a do carro de interesse é importante na hora de saber se vale a pena fazer o negócio. Confira, abaixo, o que pode levar um veículo a ser vendido sob o martelo:

  • Carros acidentados vendidos por seguradoras: estes veículos sofreram acidentes e foi declarada Perda Total pela seguradora. Eles só podem ser adquiridos por estabelecimentos de ferro velho ou desmanche, mas podem ir parar em leilões através de empresas mal intencionadas. É preciso ficar esperto para não cair nessa.
  • Carros financiados: outro caso dos carros de leilões são de veículos que estavam sendo financiados, mas o dono parou de pagar as prestações. Então, a financeira vai apreender o carro e vendê-lo a um novo dono através do leilão, e podem ser uma boa aposta.
  • Acidentes de transporte: também é possível que um veículo zero quilômetro tenha sofrido avarias durante o transporte de fábrica. A marca, então, vai vendê-lo em um leilão de carros. Eles podem trazer desde pequenos arranhões até grandes estragos.
  • Frotas de empresas: por fim, os carros de leilão podem pertencer a frotas de empresas. Elas renovam seus veículos de tempos em tempos, e podem preferir vendê-los no martelo nessa hora.

Como é o processo de comprar carros em um leilão?

Muitos leilões são feitos pela internet, mas o processo é o mesmo quando ocorrem pessoalmente. A gerente comercial da Sold Leilões, Ana Matheus, explica que a casa é especializada em vender carros de frota de empresas diretamente para o consumidor final.

Ela conta que a maioria dos veículos disponíveis no site tem essa procedência. Para participar de um leilão, o comprador deve se cadastrar no site da Sold, processo no qual deve enviar documentos que comprovem sua idoneidade. Em seguida, ele poderá dar uma olhada nos carros de leilão registrados na página da empresa, utilizada aqui como exemplo.

Se quiser comprar um dos carros, o interessado pode dar seu lance, mas apenas nos últimos 60 segundos do leilão é que o novo dono será definido, explica Ana sobre o período final do processo. A maioria dos lances é dada nesse momento e uma oferta pode ser rapidamente coberta por outra.

Se o comprador der o lance vencedor – ou seja, fizer a maior oferta pelo carro – ele poderá comprá-lo. O pagamento, então, é feito à vista. “Todos os leilões são à vista”, esclarece a gerente. Se o vencedor não pagar o montante exigido, seu nome será registrado nas listas do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e Serasa, e ele também terá que pagar uma multa à casa de leilões.

“É preciso ser rígido, porque até uma criança pode brincar de leilão”, justifica Ana, falando de uma política que julga ser comum ao setor.

Feito o pagamento, o comprador toma posse do veículo, momento no qual deve assinar um termo de recebimento. A partir do momento em que retira o carro, ele se torna responsável por todos os problemas e débitos que este vier a apresentar, e não tem direito a garantia, troca ou devolução.

Quanto ao processo de transferência dos carros de leilão, é feito da mesma forma que na compra de uma revenda.

Quais são as taxas cobradas sobre carros de leilão?

Além do valor acertado pelo automóvel, o novo dono também deverá arcar com a comissão do leiloeiro de 5% sobre o valor pago, além de uma parcela por despesas administrativas. Esta última é determinada por órgãos estaduais e também depende do montante negociado na transação. Em São Paulo, por exemplo, em um arremate de até R$99,99, o comprador deve pagar, adicionalmente, R$30.

Se o valor for de R$ 20 mil a R$ 24.999, essa taxa será de R$ 1.750. Por isso, Paulo Garbossa, consultor da ABK Automotive, destaca que se uma pessoa tem interesse em comprar carros de leilão, ela deve conhecer tudo sobre o processo e sobre os veículos ofertados.

Como se precaver na hora de comprar em leilão?

A modalidade dos leilões é definida por lei no Brasil. Segundo o texto, o leilão é a única categoria onde um bem pode ser vendido no estado em que se encontra e sem garantia. Assim, alguns carros são vendidos com defeitos conhecidos, que são explicados na descrição do lote. A lei determina que seja informado se o carro sofreu sinistros de pequena, média ou grande monta, e outros eventos de seu histórico, conta Garbossa.

Assim, um comprador não deve fazer um lance sem obter todas as informações que puder. Antes de tudo, ele deve conhecer a empresa que está ofertando o leilão, e deve ler o edital do processo. O documento é disponibilizado pelo organizador do evento e detalha todos os direitos e deveres do comprador.

Uma vez ciente destes compromissos, é necessário que o comprador investigue os carros de leilão que lhe interessam da forma mais completa possível. Garbossa sugere que se leve um mecânico ou outro especialista para ver o veículo pessoalmente. Mesmo com a impossibilidade de ligar o veículo, o profissional poderá avaliar a pintura e dizer se ele sofreu colisões; checar o reservatório de óleo, que dá sintomas de problemas mais graves; inspecionar as suspensões; observar se o carro sofreu algum tipo de modificação, e muitos outros detalhes.

“Sempre há riscos, mesmo fora de um leilão. O comprador deve minimizar os prejuízos”, declara o consultor. Além de uma avaliação do carro, o interessado também deve checar a placa do veículo no Detran do estado em que ele está registrado. O órgão tem um histórico do carro, que pode revelar acidentes, roubos, multas e inadimplências de donos anteriores.

Havendo débitos, o comprador pode tentar negociá-los com o ofertante. Além disso, as casas de leilão declaram, na descrição do lote do carro, se IPVA e outras documentações estão quitadas ou não. Estes custos também devem ser levados em consideração.

Ciente de todos estes riscos, um comprador pode conseguir fazer um bom negócio ao comprar carros de leilão. Muitos nunca sofreram avarias, mas foram recuperados de donos que não pagaram as prestações de um financiamento, explica Garbossa. Eles podem ter baixa quilometragem e, com um histórico devidamente verificado pelo cliente, podem se mostrar interessantes.

Dicas para comprar carros de leilão

Assim, em resumo, confira as seguintes recomendações antes de fechar negócio:

  •  Saiba qual é a origem dos carros sendo oferecidos no leilão
  • Leia o edital do leilão
  • Consulte a placa do veículo junto ao Detran e se informe sobre histórico e possíveis débitos
  • Leve um mecânico para dar uma olhada no carro
  • Esteja bem informado sobre o preço do modelo de interesse no mercado de usados

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6 Comentários
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    Felipe Nunes de Azevedo Silva 23 de outubro de 2019

    Quero saber como faço pra participar

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    galileu domingues de brito 26 de setembro de 2018

    a sua empresa teria interesse ter um imovel comercial no bairro do tatuape, se interessar mande seu watsap que enviarei as fotos,obrigado a pela atenção

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    David Moreira 14 de setembro de 2018

    Estou procurando hr para comprar

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    Orizon Junior 21 de agosto de 2018

    Leilão é um negócio como outro qualquer. Carro ruim em loja tem aos montes e ninguém fala nada. Tem de tudo nos leilões e quando falo de tudo é tudo mesmo. De sucata a carro zero. Isso mesmo caroo Zero.
    Em nov/16 comprei um Corolla XEI 16/17 com 07 (sete) km rodados. Tinha um pequeno amassado no teto. O reparo me custou 300,00 e o carro não tinha garantia de fábrica. Economizei cerca de 10% em relação ao zero km na loja.
    Quanto melhor o estado do carro menor a diferença em relação ao novo. A internet tá aí pra isso. Pesquise, estude, não falta coisa boa à venda nos leilões. Leilão é como qualquer outro ramo de atividade humana. Forte Abraço a todos

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    Antônio Carlos 24 de julho de 2018

    Conheço algumas pessoas que frequentam os leilões e até fazem deles meio de vida. Pessoalmente, quero distância.

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    José A J Vital 24 de julho de 2018

    Frequentei eventualmente leilões por um bom tempo. Só vale a pena se o valor total ficar pelo menos 35 % abaixo do preço de mercado. Os riscos são muitos.
    A maioria dos leiloeiros age de forma correta e imparcial, mas há excessões. Existem grupinhos que formam as tais panelinhas, pra arrematar e repassar os carros que interessam . Se não conseguem, fazem com que o valor do bem fique próximo ou até maior que o valor aquí fora.
    Houve uma situação no maior pátio de leilões do Brasil, onde me interessei por um Fiat Siena que se encontrava em ótimo estado.
    Eu dando lances e um dos ” amiguinhos ” do leiloeiro também, pau a pau. O leiloeiro descarado bateu o martelo favorecendo descaradamente o outro sujeito.
    Nunca mais coloquei meus pés naquela arapuca.

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