Carros usados de locadora: vale a pena comprar?

Na hora de comprar um usado, os que são de locadoras merecem consideração pois têm vários diferenciais - mas também há contras

Por Bárbara Angelo08/06/18 às 16h13

A venda de veículos usados no país aumentou 7,21% no ano passado se comparado a 2016, de acordo com a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A crise do setor foi uma das responsáveis pelas mudanças nos hábitos do consumidor brasileiro. Acompanhando esse crescimento, está uma categoria bem específica: os carros usados de locadora, vendidos pelas empresas do setor após o uso para aluguel.

A prática não é nova mas, assim como os seminovos e usados, vem se apresentando como opção para os consumidores em busca de um veículo mais acessível. Em 2016, as empresas do setor compraram 217.848 carros novos. Já no ano passado, com um alívio na crise, as locadoras adquiriram 359.702 veículos.

movida seminovos carros usados de locadora
(Movida/Divulgação)

Os dados, que são da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), mostram que houve um aumento na frota do setor acompanhando a melhora do cenário. Assim, mais usados estão à venda neste ano. E as empresas de aluguel de carros também sabem negociar seus produtos e afirmam, para atrair o cliente, que aquele é um veículo  de procedência.

Mas isso não é só propaganda. Os carros que compõem a frota de uma locadora passam por todas as revisões de forma sistemática, conta Menfis Silva, da área de marketing da Movida. As checagens são feitas nas concessionárias das marcas, de acordo com o que determinam para não perderem a garantia.

Além disso, a maioria dos usados de locadoras são vendidos com pouco mais de um ano de uso. Isso é um ponto positivo em especial para o diretor da Kelley Blue Book (KBB) do Brasil, Carlos Domingues. A empresa é especializada em pesquisas de mercado sobre automóveis, com foco no consumidor.

Domingues explica que os carros têm uma “curva de avaria”, e ela é bastante regular. A maioria dos problemas mecânicos que os veículos apresentam aparece dentro do primeiro ano de uso. No segundo, esse número se estabiliza e passa a cair até o quarto ano de uso. Só então o número de defeitos aumenta de novo.

Ou seja, os carros usados de locadora são vendidos na fase em que dão menos problema, depois do primeiro ano de uso. Dados da ABLA indicam que a idade média dos carros vendidos pelas locadoras foi de 18 meses em 2017.

movida seminovos carros usados de locadora
(Movida/Divulgação)

Mesmo assim, muitos consumidores consideram que estes não são veículos desejáveis. Para Domingues, essa visão é um pouco distorcida. “Na minha experiência, os carros de locadora dão muito menos problema do que o mercado pensa”, ilustra ele.

E o consultor Paulo Garbossa concorda. Além disso, para ele, outro diferencial dos usados de locadora é o preço. O consultor conta que as locadoras compram veículos em grande quantidade, o que diminui o valor na hora da revenda. O desconto, contudo, também estará valendo quando for hora do terceiro dono, já que o passado de locadora estará registrado no histórico do veículo.

Outro ponto positivo dos carros usados de locadora é que elas devem oferecer a garantia de 90 dias, como prevê o código de defesa do consumidor. Essa obrigação não existe se o negócio for feito entre duas pessoas físicas e nem em leilões.

Além disso, as locadoras não vão adulterar hodômetros para fazer a quilometragem parecer menor, como pode acontecer quando o veículo tem outras origens, completa Domingues, diretor da KBB.

Portanto, os carros usados de locadora costumam ser mais baratos, ter todas as revisões da marca feitas, idade média de um ano e meio, e garantia de 90 dias, o que o torna um produto a ser considerado.

Entretanto, é preciso ficar atento a alguns detalhes, como aponta o perito e engenheiro mecânico Sérgio Melo. Os carros de locadora costumam ter uma quilometragem mais alta que a de um veículo particular do mesmo ano. Além disso, o uso pelo qual passou geralmente é mais pesado.

“Cada hora entra uma pessoa, e ninguém tem pena nenhuma do carro alugado, pisam com tudo no acelerador. Então, embora seja um veículo com revisões em dia, é um produto judiado”, coloca ele.

Por isso, os carros usados de locadora merecem entrar na pesquisa do consumidor, já que apresentam muitas vantagens. Mas também há lados negativos que devem ser observados antes de fechar negócio.

14 Comentários

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  • Samarone 13 de agosto de 2018

    Apos extensa pesquisa em jornais, lojas e feiras, acabei comprando um carro da Movida em BH, estava abaixo da tabela, em muito bom estado, km baixa, um arranhão no para-choque traseiro, 2 pneus 80 %, 2 + ou – 30%, apos a escolha do carro que foi demorada, peguei os dados (do carro) fui ate uma concessionaria da marca e pedi consulta do chassi, apos constatar que foram feitas as revisões e que o veiculo ainda gozava da garantia de fabrica, voltei para fechar negocio, mas antes pedi o histórico do carro no sistema da Movida, onde constatei a troca do para brisa, o que me fez conferir o mesmo com mais cuidado, como o estepe estava zero pedi um pneu novo em troca de arrumar o para-choque o que fui atendido, em fim, comprei o carro que queria, com km baixa, 2 pneus novos, 2 80%, estepe 30 %, ainda com 2 anos de garantia de fabrica, por preço menor que a tabela, fiquei e ainda estou muito satisfeito. Recomendo, mas tem de ter paciência e algum conhecimento para não fazer uma escolha errada.

    Ps. com menos de 30 dias começou a chiar as pastilhas, como a venda de Pessoa Jurídica para Pessoa Física tem por Lei 90 dias de garantia, fui ate a Movida e pedi pastilhas novas, o que fui prontamente atendido.

  • Raimundo 31 de julho de 2018

    Comprei um carro na movida lauro de freitas até agora não usei o veículo pois ainda não chegou o dut mais a questão do atendimento, antes da compra e toda atenção do mundo depois da compra e um Deus nos acuda para obter informações. Espero que eu não tenha feito um mau negócio, vide todas as desconfianças das pessoas em veículos de locadora.

    • PAULO 30 de setembro de 2018

      VC PODE RODAR NORMALMENTE COM O DOCUMENTO 2018 VISTORIADO, NAO PRECISA ESPERAR CHEGAR O DUT

  • Robison Coutinho 26 de julho de 2018

    Não é um bom negócio. Recentemente comprei um carro de uma locadora que prestava serviço na Empresa em que trabalho, comprei pois este carro era do meu uso no trabalho então conheço o produto pois o preço para negociação com funcionários da Empresa que loca os carros é atrativo 25% abaixo da Fipe. Ocorre, que hoje em dia existem diversos serviços de consultoria de carros pela Internet que lhe passam o histórico do carro (se era de leilão, recuperado de furto, etc). E lá está o meu carro com uma observação tipo ” há indício de sinistro”. Detalhe, o carro nunca bateu ou foi reparado (pois era do meu uso pessoal) e a Locadora de que comprei com veículo não trabalha com seguradoras, simplesmente vendem o carro caso o reparo seja acima de R$ 10,000.00. Tive conhecimento desta situação somente 6 meses depois após submeter o veículo para avaliação de preço. Para piorar a situação, estes sites não indicam quem registram a fonte da informar ou que registrou esta observação. Meu carro teve avaliação de 50% abaixo da Tabela FIPE. Então é aquele velho ditado….o barato sai caro.

    • Raimundo 31 de julho de 2018

      I pq vc comprou sem consultar i

  • Edson 26 de junho de 2018

    Minha opinião é, o problema maior não está nos carros e sim nos seus donos que em grande parte só querem levar vantagem sobre os leigos. No geral entre “, quase ninguém revende um carro com boa manutenção, simplesmente esconde o defeito dos veículos e a pessoa que comprar que se vira. Sacanagem no geral, não tem consideração nenhuma pelo comprador. Brasil

  • Eduardo 24 de junho de 2018

    Na minha opinião , carro de locadora é uma loteria,além do mais não acho mais barato,eles compram com um bom desconto e revendem no preço de mercado, as vezes até mais caro,a questão do óleo a granel em CCS não vejo problemas, pois são de marcas homologadas e a diferença é que vem em tambor e eles colocam em um recipiente com a marca dos 3,5l e colocam no carro, no meu caso VW o oléo da ultima vez foi da MOTUL, homologada VW,agora revisões fora dos 3 anos , prefiro fazer mecanico particular mesmo… na CCS querem tirar nosso dinheiro.

  • Sandro 18 de junho de 2018

    Comprei um veículo da Movida numa concessionária.
    Recebi o manual do veículo e apontava a revisão de 10 mil km, porém com um carimbo que nos ninguém sabe de onde.
    Levei o veículo e o manual até a concessionária da marca, entrei contato com a fábrica e ninguém sabe me dizer a origem do carimbo de quem fez a revisão.
    Sr Menfis Silva, poderia me ajudar nesse caso, já que o veículo pertencia à frota de sua empresa por ocasião da revisão?

    • Fernadez 20 de junho de 2018

      Na movida do Itaim Paulista fui ver uma spin que estava com 66k, o carro ja tinha retoque de paralama, parachoques desencaixados, os 04 pneus ja estavam comendo o TWI e o vendedor simplesmente disse que aqueles pneus estavam meia vida, que ainda podiam rodar negando a troca. Uma tremenda vergonha isso.

    • Sandro 22 de junho de 2018

      Em contato com um representante da Movida aqui da minha cidade, o mesmo informou que as revisões são feitas em uma única concessionária, independente da marca do veículo. Cheguei a conclusão de que a revisão do meu veículo foi feita, porém não na concessionária da marca. Desta forma deixo a dica para verificarem as revisões no manual do veículo antes de fechar o negócio.
      Desta forma você poderá comprovar se a revisão foi feita na concessionária da marca para não perder a garantia.

  • Rodrigo 12 de junho de 2018

    Mauricio, exemplificou perfeitamente o que eu quis dizer… Nada como acompanhar o que está sendo realizado e trocar idéias com quem está realizando os serviços. E na questão de óleo, pelo menos aqui em Poa, as CC’s estão adotando a granel… Na Peugeot (e na VW e Citroen também) vi o técnico trazendo um galão já com a quantidade da troca sem identificação nenhuma de marca/tipo. Sabe-se lá o que utilizam. Quando questionei, responderam o óbvio, que era o recomendado pelo Manual (na Peugeot ainda afirmaram ser o óleo recomendado pela montadora- Total).

  • Rodolfo 11 de junho de 2018

    Uma coisa a se pensar é o carro ter sido judiado tendo em vista que quem o alugou abastece nos postos mais baratos para poder levar vantagem. E é sabido que combustível batizado acaba com o motor desde as peças que tem contato direto com ele como também o óleo que pode virar um borra e fundir o motor no caso de batismo por solventes (etanol e gasolina são batizados por solventes).

  • Mauricio Tadeu leobaldo 9 de junho de 2018

    Exatamente Rodrigo, sem contar que dificilmente voce sabe a procedência do óleo que utilizam, já que a troca é basicamente a única revisão que fazem, no último mês fiz a troca de óleo numa oficina especializada, para um Jeep Renegade 2006 diesel e paguei R$ 290,00 trocando todos os filtros, incluindo filtro de ar condicionado e de combustível, enquanto na concessionária o preço seria de R$ 1060,00 não sabendo o que é que trocariam, pois ninguem acompanha essa pseudo revisão que leva o dia inteiro, já na oficina especializada levou menos de 01 hora e pude acompanhar tudo, inclusive com o mecânico me perguntando minhas preferencias. Não recomendo revisões em concessionárias após o período de garantia, isso só é feito para arrancar mais dinheiro do comprador.

  • Rodrigo 8 de junho de 2018

    …”Portanto, os carros usados de locadora costumam ser mais baratos, ter todas as revisões da marca feitas, idade média de um ano e meio”…

    Neste caso, ter TODAS as revisões feitas, significa 1 nos veículos com revisão anual e 2, no máximo 3 nos veículos com revisões semestrais…
    Além disso, quem já teve carros 0km sabe bem como são as revisões de CCS’s em que, na sua grande maioria, se resumem a extorsão máxima de seus clientes em troca da manutenção da Garantia contratual… Falando por mim, somente realizo as revisões durante o período de garantia. Findado este prazo, tudo particular, com mais qualidade, atenção pessoal e certeza na realização dos serviços faturados.

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