5 carros que redefiniram a Jaguar antes dela focar nos carros elétricos

A marca britânica está criando polêmicas por inovar demais, mas quebrar os próprios moldes faz parte de sua tradição desde os anos 1940

jaguar linha histórica
A marca já se reinventou várias vezes (Foto: Jaguar | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 12/10/2026 às 11h00

A Jaguar finalmente revelou o Type 01, carro que marca o início de sua nova fase 100% elétrica. A marca britânica agora quer se posicionar em um segmento mais exclusivo, deixando de competir com a BMW para mirar na Bentley.

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O novo Type 01 é um carro de estilo marcante e original, sem usar referências ao passado da marca. Apesar de ter sido criticado por muitos fãs, ele faz parte de uma longa tradição de inovações da Jaguar.

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Vamos relembrar aqui alguns modelos que marcaram a história da marca britânica. Esses modelos definiram como nós enxergamos a Jaguar hoje, algo que o Type 01 tenta fazer para as próximas décadas.

1. Jaguar XK120

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O XK120 marcou a transição da SS Cars para Jaguar após o término da Segunda Guerra Mundial e lançou o motor de seis cilindros que fez a fama da marca (Foto: Jaguar | Divulgação)

O Reino Unido era um celeiro de fabricantes independente produzindo esportivos. A SS Cars, de William Lyons, era uma delas e fazia roadsters com motores de seis cilindros em linha.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, Sir Lyons mudou o nome da empresa para Jaguar, pois a sigla SS era associada ao grupo de combate da Alemanha nazista. O primeiro modelo inédito da marca após essa troca de nome foi o esportivo XK120.

Ele foi apresentado no Salão de Londres em 1948 com um desenho curvilíneo e moderno. Sob o capô estava um seis cilindros em linha 3.4 inédito, chamado de XK e que fez a fama da marca.

Esse motor trazia duplo comando de válvulas, câmaras de combustão hemisféricas, cabeçote em alumínio e potência de 160 cv. O projeto inicial foi tão bem feito que esse seis cilindros em linha foi produzido até 1992, recebendo diversas melhorias e equipando a maior parte dos carros presentes nessa lista.

Voltando ao XK120, o numeral de seu nome vem da velocidade máximas em milhas por hora, equivalente a 192 km/h. Mas testes de revistas indicavam que ele podia chegar a 200 km/h.

O Jaguar XK120 foi bem sucedido em corridas e também quebrou alguns recordes de velocidade. Um modelo modificado chegou a 277 km/h em 1953, demonstrando a força do motor de seis cilindros.

O XK120 foi atualizado durante os anos com os modelos XK140 e XK150. Até sair de linha em 1961 para dar lugar ao E-Type.

2. Jaguar Mark 2

jaguar mark 2 vermelho frente parado
O Mark 2 pode ser chamado de pai dos sedãs esportivos, pois trazia freios a discos nas quatro rodas e o motor do XK120 (Foto: Jaguar | Divulgação)

A Jaguar também fazia sedãs grandes com visual conservador. Ela entrou no mercado de sedãs médios executivos com o Mark 1 em 1955 e acabou criando também os sedãs esportivos.

O Mark 1 utilizava o motor XK, inicialmente em uma versão 2.4 e mais tarde veio o 3.4 dos roadsters. Com essa opção mais forte ele acelerava de zero a 100 km/h em 9,1 segundos.

Graças a esse motor o Mark 1 dominou os campeonatos de turismo. Em 1959 veio o sucessor Mark 2, com diversas melhorias e a oferta de motor 3.8 do E-Type.

Ele também vinha com freios a discos nas quatro rodas, algo inédito em um sedã. O desempenho de esportivo e as quatro portas fizeram do Mark 2 um favorito dos bandidos britânicos, principalmente dos ladrões de banco.

3. E-Type

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O E-Type arrancou elogios de Enzo Ferrari e foi um dos carros mais rápidos de seu tempo (Foto: Jaguar | Divulgação)

O Jaguar E-Type foi um dos esportivos mais importantes do século XX, junto do Mercedes-Benz 300 SL, do Porsche 911 e do Lamborghini Miura. Ele foi apresentado em 1961 e arrancou elogios de todos, incluindo de Enzo Ferrari.

As belas formas da carroceria do E-Type não foram assinadas por algum estúdio italiano. O designer foi o engenheiro aeronáutico Malcolm Sayer, que se baseou em cálculos matemáticos para conseguir a melhor aerodinâmica possível.

O motor de seis cilindros em linha crescia para 3,8 litros e entregava 265 cv, 105 a mais que o primeiro XK120. Para lidar com essa força foi adotada também uma suspensão traseira independente inovadora e os freios eram montados juntos do diferencial para reduzir o peso não suspenso.

O Jaguar E-Type era um carro veloz, capaz de atingir 246 km/h e acelerava de zero a 100 km/h em 6,4 segundos. O desempenho rivalizava com os carros da Ferrari, mas os preços eram bem menores.

Mais tarde veio um motor 4.2, com mais torque e comportamento mais elástico. A última atualização trouxe um motor V12, que deixou o E-Type mais pesado e fez dele um grand tourer.

4. XJ

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Esteticamente o XJ tem muito em comum com os sedãs modernos (Foto: Jaguar | Divulgação)

O primeiro Jaguar XJ foi um sedã tão bem desenhado que suas proporções poderiam ser usadas em um carro moderno. Ele possui três volumes bem definidos, colunas finas e quatro faróis circulares.

Ele também trazia muitos elementos do E-Type, como o motor 4.2 de seis cilindros, o V12 5.3 e a suspensão traseira independente. Com o maior motor ele era o sedã mais veloz do mundo, capaz de atingir 225 km/h.

A primeira geração do Jaguar XJ teve vida longa, recebeu uma atualização em 1973 e outra em 1979. Uma segunda geração apareceu em 1986 apenas com motor de seis cilindros, a primeira seguiu em linha com o V12 até 1992.

A terceira geração do XJ, lançada em 2003 inovou com o monobloco todo feito em alumínio. Dessa forma ele pesava 1.790 kg em uma época onde sedãs desse porte já atingiam as 2 toneladas.

5. F-Type

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O F-Type colocou a marca de volta ao mundo dos esportivos (Foto: Jaguar | Divulgação)

Os britânicos são tratados como tradicionalistas por ainda manterem uma família real e a tradição do chá da tarde. Mas na realidade eles são adeptos de projetos modernos de engenharia e arquitetura.

A Jaguar abusou da onda retrô no final dos anos 90, mas os desenhos inspirados nos anos 60 escondiam carros modernos feitos em alumínio e com motores novos. Ela quebrou isso quando apresentou o XF, que estreou uma nova linguagem visual mais agressiva e sem referências ao passado.

Como chamariz dessa nova fase ela lançou também um esportivo, o F-Type. Ele sucedeu o antigo XK na gama, mas trocava a proposta de grand tourer para ser um carro esporte de fato, tendo como alvo o Porsche 911.

O F-Type era curto, com 4,47 m de comprimento, trazia apenas dois lugares e sob o capô vinham apenas motores V6 ou V8, sempre com compressor mecânico. Independente da escolha o ronco que saía do escapamento era sempre borbulhante e cheio de personalidade.

Os modelos V8 eram considerados ariscos demais, muitos jornalistas preferiam o V6 por ser mais fácil de dirigir. Mais tarde o V8 ganhou tração integral para ajudar os motoristas.

Durante as atualizações também veio uma opção de câmbio manual para o V6 e uma opção de entrada com motor 2.0 turbo. O F-Type teve vida longa para um esportivo, 12 anos, e só saiu de linha com essa nova reformulação da marca.

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