5 carros que não serão substituídos por modelos chineses
A invasão chinesa está afetando vários segmentos de alto volume, porém alguns nichos seguem intocados por terem demandas bem específicas
Publicado em 27/10/2026 às 07h00
Atualizado em 27/10/2026 às 07h21
O mercado automotivo do Brasil possui suas particularidades. Os carros eletrificados chineses estão crescendo em segmentos mais convencionais, como hatches, sedãs e SUVs, porém ainda existem alguns setores onde as marcas tradicionais dominam e modelos que ainda não possuem rivais diretos.
Alguns desses filões do mercado brasileiro são bem específicos e dependem de projetos locais, ou são áreas com as quais os chineses não se importam muito. Veja a seguir cinco carros que dificilmente serão superados no Brasil.
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1. Chevrolet Spin

A Chevrolet atualizou toda a sua linha de carros de passeio com plataformas novas e motores de três cilindros. O único bastião da velha guarda foi a minivan Spin, que segue baseada na arquitetura Gamma II e usando o motor 1.8 Família 1.
Apesar de antiga, a Spin não ficou parada no tempo e ganhou uma atualização grande em 2024, que trouxe seis airbags, assistentes ativos de segurança, mais conectividade e outras modernidades. A marca justificou isso com seus dados internos, que apontam o público da minivan como o mais fiel dentro da empresa.
A Chevrolet Spin faz sucesso com taxistas, famílias numerosas, motoristas de aplicativo, profissionais da área de turismo, licitações, frotas corporativas e outros ramos. O motor Família 1 é confiável e barato de manter, estando no mercado brasileiro desde a chegada do Corsa em 1994.
A Stellantis tentou roubar uma fatia do mercado da Spin com o Citroën Aircross, que tem preços similares e sete lugares. Porém a simplicidade desse modelo, a falta de câmbio manual, o uso de motor turbo e a pouca capilaridade da marca jogaram contra.
Existem minivans compactas e simples feitas por marcas chinesas. Uma delas é a Wuling Hongguang, que é vendida como Chevrolet em alguns mercados, mas trata-se de um modelo mais simples que a Spin, com foco em países asiáticos.
2. Fiat Strada

O carro mais vendido no Brasil há alguns anos é a Fiat Strada. Esse segmento de picapes compactas foi criado por aqui pela marca italiana, com a 147 Pick-up, de 1979.
O verdadeiro perigo para a liderança da Strada no Brasil não está nas marcas chinesas, e sim na Volkswagen Tukan. A marca alemã copiou a fórmula de sucesso da Fiat em pontos essenciais, como a suspensão traseira com molas semielípticas e a oferta de um motor aspirado como opção de entrada.
A BYD está preparando o lançamento da Mako, que é uma picape intermediária derivada de SUV para enfrentar a Fiat Toro. Já apuramos que a chinesa está preparando também uma rival para a Strada, mas nesse segmento de entrada os modelos simples voltados ao trabalho ainda são muito valorizados. Uma picapinha compacta chinesa eletrificada incomodaria, no máximo, a Chevrolet Montana.
3. Renault Duster

Já temos opções de SUVs compactos das marcas chinesas no Brasil, como o GAC GS3, o Caoa Chery Tiggo 5X, o BYD Atto 2 e o GWM Ora 5. Eles estão incomodando bastante os modelos de marcas tradicionais no varejo e apostam na tecnologia embarcada para ganhar espaço.
O Renault Duster também é um SUV compacto, mas atua com outra proposta. Ele é mais próximo de um utilitário à moda antiga, com vão livre elevado, suspensão robusta, mecânica simples e porta-malas grande.
Esse conjunto fez dele um dos carros mais populares como viatura policial no Brasil. A Stellantis até tenta roubar um pouco desse público com o Citroën Aircross, porém as marcas chinesas nem passam perto de fazer um SUV mais simples como o Duster.
4. Ram 2500 e 3500

As marcas chinesas estão entrando no mercado de picapes médias: a GWM, a JAC e a Foton seguiram a fórmula tradicional e trouxeram modelos com motor diesel. Porém existe uma faixa superior onde apenas os norte-americanos se aventuram: a das caminhonetes grandes.
Estamos falando mais especificamente das grandalhonas com motor diesel e peso bruto total acima de 3,5 toneladas. No Brasil temos apenas a Ram se aventurando nessa faixa com a 2500 e a 3500.
Essas picapes já são queridinhas do agronegócio e possuem um público dividido entre a ostentação e quem realmente usa sua Ram para rebocar trailers, geralmente com cavalos. As maiores caminhonetes chinesas no mercado global são médias; algumas são híbridas com mais de 400 cv, mas nenhuma possui as capacidades de uma Ram 3500.
5. Ford Mustang

Pode parecer pouco, mas a Ford vendeu 858 unidades do Mustang no Brasil em 2025. Quando ela anunciou que traria 200 unidades com câmbio manual, elas se esgotaram rapidamente.
Existe um público cativo para os esportivos no Brasil; o Mustang tinha vendas consideráveis via importação independente antes de a Ford começar a trazê-lo oficialmente. Com o fim do Chevrolet Camaro, a situação ficou mais fácil para o pony car.
Os compradores sabem que por muito menos existe algum carro elétrico chinês com mais de 400 cv e aceleração impressionante. Porém, quem está atrás de um esportivo quer saber de outras coisas, como um bom acerto dinâmico, o som do motor e toda a experiência sensorial que vem ao dirigir um carro assim.
As marcas chinesas hoje buscam fazer carros generalistas elétricos que também sejam muito rápidos. Seus esportivos são supercarros com mais de 1.000 cv e preços igualmente elevados. Já os entusiastas seguem contando com o Ford Mustang, o BMW M2, o Porsche 911 e outros carros à moda antiga.
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