Erro do velocímetro existe por segurança, entenda

O dado mostrado no painel possui uma pequena variação em relação a realidade pela segurança do motorista, não é defeito

toyota gr yaris 2024 interior painel de instrumentos
Tanto faz se for analógico ou digital, o erro existe (Foto: Toyota | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 23/01/2026 às 17h00

Já reparou nos radares que mostram a velocidade ela nunca bate com a do velocímetro? Seu carro não está com defeito, esse erro é proposital. São raros os veículos com 100% de precisão nesse medidor.

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O velocímetro do carro mostrar uma velocidade maior que a real é uma medida de segurança. A legislação brasileira proíbe o contrário, que exibir valor menor que o real com margem acima de 2%.

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O erro do velocímetro em um carro novo não costuma ser maior que 10%, mas em média fica entre 5 e 7%. Dessa forma o motorista possui uma margem de segurança ao passar nos radares de velocidade, por exemplo.

Esse erro presente no velocímetro é independente dele ser analógico ou digital. A partir dos anos 90 o painel dos carros passaram a receber dados eletrônicos de velocidade, não usam mais cabo como antigamente. A margem de segurança faz parte da programação.

O que pode mudar o erro do velocímetro

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Alterar o diâmetro dos pneus irá afetar na medição de velocidade e pode render multa (Foto: ABT | Divulgação)

Uma das modificações mais comuns no Brasil, até em carros novos, é trocar as rodas do carro. Na hora de fazer isso é preciso calcular bem a medida do pneu usado, para não alterar o diâmetro total do conjunto.

A velocidade do carro é medida por um sensor localizado no câmbio, que afere a rotação de um eixo. Ele é calibrado conforme o diâmetro do conjunto roda/pneu original, quando há alterações a medição passa a ser errada.

Se o diâmetro aumentar o carro vai marcar uma velocidade menor que a real, se o diâmetro for menor ocorre o inverso. As mudanças são perceptíveis se forem maiores que 3% em relação ao diâmetro total.

Além de mudar a aferição do velocímetro, alterar o diâmetro total do conjunto roda/pneu em mais de 3% rende multa por ser considerada como uma modificação. Ela é ima infração grave, somando 5 pontos na CNH, multa de R$ 195,23 e retenção do veículo para regularização.

Rodar sem velocímetro ou com ele quebrado dá multa

Se o seu carro está com problemas no velocímetro ou sem o painel de instrumentos é melhor resolver o mais rápido possível. Além de não ter uma informação vital, que é a velocidade, isso é ilegal.

O artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) aponta que é ilegal rodar “com registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo viciado ou defeituoso, quando houver exigência desse aparelho”.

O erro fora da margem original também é ilegal, por ser considerado como vício e também por ser causado pela alteração no diâmetro dos pneus. Tudo isso é tipificado como infração grave, somando 5 pontos na CNH, multa de R$ 195,23 e retenção do veículo para regularização

Velocímetro do GPS é confiável?

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Os navegadores mostram a velocidade, mas a aferição pode ser imprecisa devido a fatores externos (Foto: Laurie Andrade | AutoPapo)

Os principais aplicativos de navegadores, como o Google Maps e o Waze, possuem a opção de mostrar um velocímetro. Ele costuma ser mais preciso que o do painel e alinhado com os radares, mas não é recomendável confiar apenas nele.

Essa medição dos aplicativos podem sofrer atrasos ou perder a precisão conforme diversos fatores. Até mesmo o local onde o celular está pode afetar na precisão da velocidade mostrada no navegador.

Ele pode ser um quebra-galho em carros onde o velocímetro esteja com defeitos. Mas como já vimos, rodar assim vai resultar em uma multa.

Existem aparelhos para medir velocidade utilizando sinal de GPS para ter maior precisão, que são usado para aferir o desempenho dos carros. Mas eles são dedicados para essa função e possuem calibragem específica.

Quando o erro foi exagerado de propósito

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O Fissore era o DKW de luxo com o mesmo motor dos modelos mais baratos (Foto: DKW-Vemag | Divulgação)

O erro do velocímetro já foi usado como recurso nos primórdios da indústria automotiva brasileira para promover um carro. A DKW-Vemag vendia uma família de carros pequenos, com o Belcar e a Vemaguete, e usou seus recursos para criar um modelo mais luxuoso.

Ela chamou o estúdio italiano Fissore para desenhar um sedã mais sofisticado, que viria para competir com o Aero-Willys, o Simca Chambord e o FNM JK. A plataforma era a mesma do Belcar, assim como o motor 1.0 de dois tempos.

O carro foi batizado como DKW Fissore, em homenagem ao estúdio italiano. O elegante sedã era maior e mais pesado que o Belcar, resultando em desempenho pior mesmo com motor 6 cv mais potente.

Para disfarçar que o modelo topo de linha era mais lento que o de entrada, a DKW-Vemag aumentou o erro do velocímetro. Com isso o comprador que pagou mais caro andava nas ruas achando que estava em um carro mais rápido.

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