Farizon F3E: VUC chega por R$ 240 mil para ser o Bongo elétrico
De olho em grandes frotistas de entregas urbanas, Farizon F3E estreia com ecossistema para eliminar impacto do caminhão a diesel no faturamento
Publicado em 08/09/2026 às 15h00
Atualizado em 08/09/2026 às 15h24
A Farizon, empresa do Grupo Geely, acaba de iniciar sua operação no mercado brasileiro com o F3E, um VUC elétrico de até 3,5 toneladas que chega ao país por R$ 240 mil. O caminhão chega simultaneamente ao lançamento em outros mercados, como o chinês, e tem como principal aplicação as operações de distribuição urbana, especialmente aquelas ligadas ao comércio eletrônico e às entregas de última milha.
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A estratégia da marca, que por aqui é representada pelo Grupo Timber, parte de uma avaliação de que o transporte urbano será uma das áreas de maior avanço da eletrificação no Brasil. O F3E foi desenvolvido para operações otimizadas. Ou seja, na condição em que o veículo retorna à garagem diariamente e pode ser recarregado durante a noite.

O modelo é equipado com motor elétrico de 150 cv e 30,6 kgfm de torque, abastecido por uma bateria de 72,84 kWh de Fosfato de Ferro-Lítio (LiFePO4), que promete autonomia na faixa dos 250 km. Segundo a fabricante, a combinação oferece equilíbrio na entrega de força e a média de quilometragem praticada pelos frotistas.
“Em nossos levantamentos, com base em operações de grandes empresas de comércio eletrônico em trajeto urbano, a quilometragem média de um VUC gira em torno de 120 km. Isso significa que o F3E, dependendo da operação, pode rodar até dois dias sem recarga”, comenta Rodrigo Pikussa, responsável pelas operações da Farizon no Brasil.
Detalhes do Farizon F3E
Um dos diferenciais do modelo é o entre-eixos de 3,70 metros, 60 centímetros superior ao de uma configuração convencional do segmento. Segundo Rodrigo Pikussa, responsável pelas operações da Farizon no Brasil, a medida permite instalar baús maiores e que não precisam ser tão elevados. “Quando o baú é muito alto, há um comprometimento da estabilidade, sem contar que há limitações de empilhamento da carga”, explica.
Além disso, o caminhão ainda conta com recursos de automóveis sofisticados, como partida sem chave, assistentes de condução, climatização digital, quadro de instrumentos digital e multimídia flutuante com conexão para smparthones. “Hoje o frotista já pensa no conteúdo embarcado, que aumenta a satisfação e retenção do motorista. Além disso, o motorista de e-commerce é muito exigido e, estatisticamente pelo número de sinistros, se expõe a mais riscos. Ferramentas de auxílio vão reduzir, acidentes e consequentemente, custos operacionais, além de oferecer mais segurança para quem passa horas ao volante”, comenta.
Racionalidade na bateria e alcance

O F3E também conta com opções de recarga rápida, permitindo ampliar a utilização do veículo quando necessário. O veículo suporta diferentes tipos de carregadores como um walbox de 7 kW, assim como recarga em redes trifásicas e até mesmo em estações de corrente contínua de até 100 kW.
Para a Farizon, entretanto, a operação mais eficiente não depende necessariamente de recargas rápidas. O cenário ideal é aquele em que a rota é previsível e existe um ponto fixo de recarga na base, principalmente durante a noite, que pode passar algumas horas na tomada, sem a necessidade de um carregador tão potente (e caro), além de o custo da energia tende a ser menor.
A autonomia também foi dimensionada para evitar o excesso de peso causado por baterias maiores. Para Pikussa, veículos urbanos não precisam necessariamente superar 300 quilômetros de alcance. Uma bateria maior acrescentaria peso e custo sem necessariamente trazer benefício para uma operação que percorre distâncias menores diariamente.
Elétrico como ferramenta de redução de custos
A Farizon defende que a decisão pela eletrificação dos veículos comerciais está deixando de ser associada apenas à imagem corporativa ou a compromissos ambientais. A avaliação da empresa é que o custo operacional começa a ser o principal argumento para a substituição dos modelos a combustão.
O F3E custa R$ 45 mil a mais que um Kia Bongo de 2,5 toneladas, usado pela empresa como referência de mercado, com preço na faixa de R$ 195 mil. Segundo Pikussa, essa diferença já pode ser compensada pela operação do veículo elétrico, dependendo da quilometragem diária, do preço do diesel e da tarifa de energia elétrica.
Outro ponto considerado pela empresa é a manutenção. Veículos elétricos exigem menos manutenção que um carro a combustão. Defeitos no motor e transmissão são recorrentes em motores térmicos e praticamente inexistentes em um veículo elétrico. Além disso, o grande medo de defeito na bateria é atenuado pela fabricante, que oferece oito anos ou 400 mil quilômetros de garantia.
“A expectativa é de que o veículo seja substituído, em média, depois de cinco anos de uso, enquanto a bateria tenha vida útil superior à do próprio caminhão. A ausência de componentes como motor a combustão, sistema de escapamento e câmbio também reduz a quantidade de itens sujeitos a manutenção”, explica.
A Farizon projeta ainda um comportamento diferente no mercado de usados. A empresa avalia que a demanda por veículos elétricos usados já começa a superar a de modelos a combustão em alguns segmentos e que essa tendência poderá chegar aos veículos comerciais. Nesse cenário, o valor residual do F3E seria outro fator a ser considerado na conta de aquisição.
“Um veículo a combustão terá um grande custo de manutenção depois de cinco anos de uso, diferentemente de um elétrico, que se precisar de reparo serão avarias pontuais de funilaria. Não existe quebra de caixa, queima de óleo em um veículo elétrico. Para o segundo dono também é uma tranquilidade.
Foco inicial nas grandes frotas
A operação brasileira da Farizon começa com vendas diretas e equipe própria, priorizando grandes operadores de transporte e empresas de comércio eletrônico. A estratégia busca gerar volume antes da ampliação da distribuição por meio de parceiros regionais. A empresa já iniciou acordos com redes de concessionários nas regiões Sul e Sudeste e pretende ampliar a cobertura gradualmente.

O pós-venda será baseado em manutenção simplificada e intervalos maiores entre as intervenções. A marca também utiliza unidades móveis de atendimento, transformando vans em oficinas para realizar serviços diretamente nas bases das empresas, inclusive no final do turno.
Para reparos mais complexos e colisões, a estratégia prevê parcerias com oficinas autorizadas de padrão definido pela marca, com participação da estrutura móvel quando necessário.
A Farizon também oferece infraestrutura necessária para a operação elétrica. Dentro do grupo, uma divisão trabalha com carregadores e oferece equipamentos de 7 a 160 kW, além de projetos de eletropostos e consultoria para instalação.
A proposta é avaliar a infraestrutura de cada operação antes da definição dos equipamentos. A análise considera o perfil da frota, a rotina dos veículos, os horários de carregamento e a demanda de energia. “A solução não é o veículo, mas o ecossistema”, resume Pikussa.
Com o F3E, a Farizon pretende posicionar o caminhão elétrico como uma ferramenta de produtividade para as operações urbanas. A lógica defendida pela empresa é que, ao organizar horários, rotas, recarga e condução de forma mais racional, o operador também pode melhorar a eficiência da própria frota a combustão (enquanto ela sobreviver).
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