Fiat Mobi GSR

Mudou o nome, mas os problemas...

Por Marcus Celestino 10/05/17 às 16h36

Mudanças de nome sempre indicam transformações substanciais no comportamento do sujeito. Cat Stevens, lenda da música pop, teve uma epifania em 1976 decorrente de um afogamento quase fatal. O músico se converteu ao islamismo no ano seguinte, vendeu todas as suas guitarras e se tornou Yusuf Islam. Cassius Clay, dos maiores lutadores de boxe do mundo, virou muçulmano por outros motivos e passou a ser Mohammad Ali. Quem também passou por mudança foi a transmissão automatizada Dualogic. O câmbio agora atende por GSR – sigla para Gear Smart Ride-Comfort – e equipa o Fiat Mobi Drive 2018. No entanto, apesar da modificação, a substância não mudou muito…

A transmissão não passa de um aperfeiçoamento. A caixa segue com as mesmas funções da velha Dualogic, assim como os comandos por botões e as aletas para trocas manuais no volante. A Fiat garante que as alterações no câmbio foram significativas. Porém, os atuadores seguem sendo hidráulicos, assim como eram no Dualogic. O motor 1.0 Firefly tricilíndrico, que gera potência máxima de 77 cv a 6.250 rpm e 10,4 kgfm de torque a 3.250 rpm, até que conversa bem com a transmissão automatizada.

Fiat Mobi GSR

Contudo, é notório que embreagens controladas eletronicamente deixam a desejar ante as automáticas, de melhor estirpe. O câmbio automatizado com única embreagem tem operação diferente. O engrenamento da marcha acontece por vez e nas reduções se faz necessário parar de acelerar para desacoplar a marcha em uso. Na hora de dar aquela pisada o sistema rouba o pedal de aceleração para realizar a troca, causando desconforto.

Por ser bem levinho (pesa menos de 970 kg), o Mobi GSR tem desempenho interessante. Nas estradas, com o câmbio no modo esportivo e com o domínio das trocas nas aletas, o resultado é satisfatório. A direção assistida eletricamente é competente e transmite sensação de que o subcompacto está na sua mão a todo o tempo. Contudo, o habitáculo é muito barulhento, e com o motor em altas rotações o condutor precisa colocar o som no talo. Na hora de realizar ultrapassagens o motorista deve ficar esperto, mas com certa cautela – e fazendo o uso correto do câmbio – não passará por muitos problemas.

Já em circuito urbano, especialmente em cidades com topografia acidentada, o Mobi automatizado se mostra problemático. Por causa dos problemas do GSR, o sistema tem dificuldade em definir qual marcha deve ser acoplada. Parece que você é um condutor que acabou de tirar a carteira. Ou um péssimo motorista mesmo.

Fiat Mobi GSR

Espaço interno, acabamento e porta-malas

Aqui tudo segue na mesma. O habitáculo, claro, continua um aperto que só. Os materiais também continuam pobres, traduzindo num acabamento pouco esmerado. O porta-malas tem capacidade de 215 litros, bem menos que o rival Volkswagen up! (285 litros de capacidade de carga).

Isso sem contar a inconveniente (porém leve) tampa de vidro do Mobi. A unidade testada não fechava nem por decreto e foi preciso usar uma ferramenta para travá-la por dentro.

Em termos ergonômicos o Mobi deixa a desejar para os mais gordinhos. O repórter, que se encaixa nesta categoria, não encontrou posição adequada para guiar o modelo de maneira confortável. O banco, que tem como objetivo maior abraçar motoristas de diferentes alturas e percentuais de gordura, é incapaz de fazê-lo. Os pedais, porém, estão bem dispostos, assim como os comandos no volante.

De fábrica o Mobi Drive GSR conta também com ar-condicionado, computador de bordo, vidros e travas elétricas. Rádio Connect com Bluetooth e volante multifuncional são vendidos em pacote separado, bem como o ajuste de altura para o banco do condutor.

Quanto ao sistema de som, inclusive, vale frisar que é uma gambiarra que funciona, mas não é perfeita. O usuário tem de baixar o aplicativo Live On para o seu celular e o pareamento com o Rádio Connect é demorado. Não dá para jogar o volume lá no alto, pois a qualidade sonora não é boa.

Vantagens do automatizado

O conjunto carcaça/engrenagens é o mesmo do sistema manual. O resultado, claro, é uma construção muito mais barata e uma manutenção mais fácil do que a das transmissões automáticas convencionais. Mesmo com os inconvenientes citados é bem melhor aposentar o pé esquerdo do que ficar apertando o pedal da embreagem o dia inteiro.

Fiat Mobi GSR

Caso o condutor dê uma aliviada no acelerador antes das mudanças e force reduções ao pisar firme antes de subidas e ultrapassagens, o desempenho do câmbio melhora consideravelmente. Os mais exigentes podem ainda fazer trocas manuais por meio das borboletas no volante.

Equipado com a transmissão GSR, o preço do subcompacto saltou para R$ 44.780, cerca de R$ 4 mil a mais que a versão manual. Apesar de ser o automatizado mais barato do Brasil, os pacotes encarecem a ponto de chegar na casa dos R$ 50 mil.

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