Fiat Mobi Way On

Versão com proposta aventureira do Mobi oferece muito pouco para quem deseja pegar estrada de terra. Pior: os defeitos do carro urbano permanecem na versão Way, como o motor e direção defasados em relação à concorrência

Por Sérgio Melo14/09/16 às 14h42

O Fiat Mobi Way On sofre de um anacronismo crônico. É um ultra compacto, também chamado de City Car, com uma proposta aventureira e pretensiosamente fora de estrada. Se a falta de prumo existencial fosse o único problema do Mobi talvez ele até poderia seguir por aí sem tropeços e agradar consumidores confusos. Porém, a lista de pecados da pequena novidade da Fiat é imensa e supera as vantagens de ter um veículo de apenas 3,58 m de comprimento (24,5 cm mais curto que o Uno).

Os crédulos podem alegar que a aventura urbana com ruas esburacadas, quebra-molas e eventuais passeios por estradinhas de terra bem cuidadas nos finais de semana podem justificar a existência do carro urbano com a pegada fora de estrada.

Quem observa a versão Way não percebe grandes alterações. Acabamentos em plástico, molduras nas rodas e um rack no teto são perceptíveis. A Fiat tenta argumentar que o carro é 5 cm mais alto. Entretanto, não acredite nisso como argumento de compra, pois a medida leva em conta o rack de teto – o que não faz diferença alguma na hora de transpor obstáculos.

Mobi Way On
(Fiat/Divulgação)

O importante é a altura do carro em relação ao solo: 1,5 cm maior que o Mobi genuinamente urbano. E isso é pouco. Soma-se a falta de aptidão off-road os pneus 175/65 chamados de “superverdes” e voltados para a redução de consumo, sem nenhuma desenvoltura para enfrentar poças de lama.

O entre-eixos do Mobi é o mesmo do Fiat 500 e assim como ocorre no primo mais estiloso o transporte de quatro adultos é extremamente desconfortável. Ao dirigir o Mobi é inevitável não pensar em seu paradigma de estilo e proposta: o Volkswagen up!. O compacto da VW é 4 cm maior que o Mobi, mas por ser um projeto original consegue entregar um conforto bem melhor.

No Mobi há a opção de remover duas peças plásticas, que funcionam como limitadores dos assentos dianteiros. É só retirar a pecinha – sem chave de fenda ou esforço -, que o espaço do motorista cresce. Porém, se o banco deslizar até o fim fica impossível que o passageiro sente no banco traseiro.

Mobi Way On
(Fiat/Divulgação)

A tampa do porta-malas é 100% de vidro e a capacidade de carga é de 215 litros. Ou seja; cabe, no máximo, duas mochilas. Há um contêiner com separações internas que ajuda a organizar os objetos, mas em vista do formato bastante instável e da tampa que se solta ao passar pelo primeiro buraco, acaba sendo um transtorno. Mais uma vez é preciso citar o paradigma da VW. No up! o porta-malas tem capacidade de 285 litros – um terço maior que a do urbanóide da Fiat.

O acabamento interno é todo de plástico. Nem a área próxima ao descanso de braço dos forros das portas, que na maioria dos veículos é estofada, escapa da dureza do plástico. Vale destacar, entretanto, que o visual é moderno e sem rebarbas de acabamento. O painel de instrumentos é igual ao do Uno, com computador de bordo e informações complementares como temperatura e hodômetro. O comando do sistema multimídia é feito por botões ao redor de uma pequena tela de LCD, onde normalmente fica o rádio.

Mobi Way On
(Fiat/Divulgação)

Mecânica

O motor do Mobi Way On é o mesmo que equipa o Uno: o datado Fire 1.0, que entrega 75 cv de potência e 9,9 kgfm de torque abastecido com etanol. O propoulsor é de quatro cilindros, enquanto os concorrentes (VW, Peugeot, Ford, Citroën, Nissan, Kia e Hyundai) já esbanjam os modernos, econômicos e potentes triclindircos.

O sistema de partida a frio é o velho tanquinho e não há comandos de válvulas variáveis para otimizar desempenho e economia. A transmissão manual de cinco velocidades não tem bloqueio do diferencial como outros modelos com a proposta aventureira da Fiat, mas os engates são precisos.

Mobi Way On
(Fiat/Divulgação)

O minguado torque em baixas rotações deixa a desejar, as retomadas são lentas e as respostas demoradas. Só mantendo o motor em rotações mais altas com a utilização de marchas reduzidas ele se torna ágil no trânsito urbano. Na estrada, com quatro adultos, realmente falta potência. Mesmo equipado com a ultrapassada direção hidráulica, o reduzido diâmetro de giro de 9,96 m o que aliado ao diminuto tamanho não cria problemas para balizas. Vale frisar que seu rival up! vem equipado com direção assistida eletricamente, que facilita a vida do condutor na hora de manobrar o automóvel.

A suspensão, contudo, é um ponto positivo. O urbanoide passa por quebra-molas com facilidade e encara as pavimentações precárias sem muitos problemas. O tratamento acústico também é digna de elogios. O habitáculo é silencioso e condutor e passageiros ficam praticamente alheios aos ruídos externos (em especial da barulheira advinda do ruidoso motor Fire).

O Mobi Way On pode ser considerado econômico e conseguiu nota A no programa de etiquetagem do Inmetro na categoria dos Micro compactos. Vale registrar que, de acordo com a medição do Inmetro ,tanto o up! como vários outros carros urbanos, incluindo versões do próprio Uno, são mais econômicos que o Mobi. Já durante o teste realizado pelo AutoPapo o Mobi rendeu 8,6 km/l na cidade e 16,3 km/l na estrada, com gasolina.

A configuração testada pelo AutoPapo – a Way On – a mais completa da família, destacam se: alarme, ar condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, limpador e lavador traseiro, vidros dianteiros / travas das portas / retrovisor elétrico com tilt down que vira automaticamente para baixo quando se aciona a ré, rodas em liga, sistema de som com varias entradas, viva voz para o celular, sensores de estacionamento traseiros e chave com telecomandos.

SEGURANÇA

O Mobi Way On oferece apenas o básico. Nada dos modernos sistemas de controle de tração, de estabilidade ou câmera de ré. O assento traseiro não tem cinto de três pontos e nem encosto de cabeça para a posição central, o que é um pecado gravíssimo, pois diversos modelos compactos já contam com isso há muitos anos.

PREÇO

A versão Way On custa R$ 43.800. O rival direto VW Cross up! custa R$ 45.210. O Uno Way 1.0 com proposta semelhante, apesar de ser maior, custa R$ 39.088.

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