[Vídeo] Socorro! Tem um Pinto pegando fogo!

É como diria o homem dos "reclames do plim-plim": TÁ PEGANDO FOGO, BICHO

Por AutoPapo25/11/17 às 11h03

Existem carros tão ruins, mas tão ruins, que acabam sendo alçados ao status de lenda tamanha infâmia que os cercam. Um grande exemplo, senão o maior, é o Ford Pinto. Sim. Pinto. O nome sugestivo para nós, brasileiros, torna o subcompacto ainda mais cômico. Produzido entre 1970 (o modelo foi para as lojas, curiosamente, no dia 11 de setembro) e 1980, o Pinto nunca chegou ao Brasil. Mas sua entrada no mercado nacional chegou a ser cogitada pela fabricante, a fim de preencher uma lacuna nas opções do saudoso Corcel.

Ford Pinto

Apesar de engraçadinho para nós, bobões que rimos de qualquer coisa dúbia, a nomenclatura do Pinto advém das cores da pelagem dos cavalos malhados – que alternam o branco, como cor primária, com manchas de outra coloração. Uma evolução no quesito de downgrading com relação ao Maverick, o modelo vinha com opção de dois motores em sua primeira geração. O primeiro era um propulsor britânico (Kent) 1.6 de quatro cilindros, que entregava 76cv de potência. Já o segundo, um 2.0 de fabricação alemã, tinha generosos 101 pintos, quer dizer, cavalos, de potência. Quanto à transmissão, o carango tinha opção de câmbio manual de quatro velocidades e automático de três.

Comercializado primeiramente em configuração para quatro passageiros, o Ford Pinto podia ser comprado por 1.191 dólares. Com preço competitivo, o subcompacto se tornou sucesso imediato. Ele terminou 1971 com mais de 280 mil unidades nas ruas, se tornando o campeão de vendas da Ford no ano, e em pouquíssimo tempo chegou à liderança do segmento. O veículo ainda ganhou versão com rebatimento do banco traseiro para ganho de espaço no porta-malas. Quanto às dimensões, o Pinto tinha 2,3 m de entre-eixos e 4,1 m de comprimento.

Ford Pinto

Polêmicas

O Ford Pinto foi lançado para concorrer diretamente com duas outras bizarrices do início da década de 1970. Uma é o Chevrolet Vega, que à época custava 2,09 mil dólares. A outra era o icônico Gremlin, da famigerada American Motor Company, que saía das revendas por 1,9 mil dólares em sua configuração básica. Além do precinho camarada, os modelos partilhavam de outra característica não tão camarada assim: eram péssimos carros. Contudo, o Pinto tinha um quê a mais, um “tchan” que seus concorrentes não tinham. O subcompacto da Ford conseguia ser pior.

Ford Pinto

Picaretagem da Ford

Os primeiros incidentes com o Pinto começaram a (literalmente) explodir a partir de 1974. O NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration), agência responsável pela segurança no trânsito nos Estados Unidos, começou a investigar denúncias de proprietários do automóvel, que reclamavam que o carro entrava em combustão quando atingido na traseira. O órgão não deu muita bola até 1977, quando um documento da própria Ford acabou sendo vazado pela imprensa. A própria fabricante admitia que o tanque de gasolina não fora disposto de maneira correta no processo de montagem do subcompacto. No memorando, a Ford fez as contas e preferiu “pagar pra ver”. Por quê? O custo nos reparos de cada unidade do modelo totalizaria US$ 137 milhões. Já os gastos com indenizações e acordos decorrentes de abalroamentos envolvendo o Pinto e o fogaréu chegariam a menos de US$ 50 milhões.

Ford Pinto

RECALL Se você acha que o Pinto passou incólume a um recall está redondamente enganado. Depois de uma pressão feroz do NHTSA, em 1978, a Ford teve que recolher mais de um milhão de unidades de seu campeão de vendas. O serviço de recall custou aos cofres da montadora mais de 100 milhões de dólares. O diagnóstico final da agência de segurança era de que o “Pinto era suscetível a danos no tanque de combustível, que consequentemente causavam vazamento e fogo. Como resultado disso, houve ocorrências que resultaram em mortes e queimaduras não fatais”. O mais “quente” da história toda é que os impactos na traseira do modelo não precisavam ser tão violentos. Se outro carro atingisse o Pinto a 50 km/h já poderia desencadear todo o processo explosivo. Que bomba esse cavalo malhado, hein!

TÁ PEGANDO FOGO, BICHO!

0 Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Deixe um comentário