Frontier argentina: em produção para o Brasil, Nissan insiste na mentira

Picape, que é irmã da Mercedes-Benz Classe X e Renault Alaskan, não tem a suspensão multilink anunciada pela Nissan

Por AutoPapo30/07/18 às 17h00

A fabricação da Nissan Frontier argentina foi iniciada, segundo informa a marca. A picape passou a ser produzida na cidade de Córdoba em uma nova linha de montagem, de onde virá para o Brasil. Ainda assim, a japonesa insiste que a picape conta com uma suspensão multilink que não existe.

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(Nissan | Divulgação)

A mentira começou em 2015, quando a geração atual da picape foi lançada na Argentina. A marca passou a anunciar, então, a nova suspensão multilink. O equipamento, entretanto, não está presente na picape.

Para que a suspensão traseira da Frontier fosse do tipo multilink, as rodas teriam que ser independentes. Isso é impossível, já que o eixo traseiro da picape é rígido. Nós explicamos a incongruência com mais detalhes quando premiamos a picape com o Pinóquio de Ouro 2017.

Ao que tudo indica, a Nissan continuará insistindo na presença do equipamento, como consta no site oficial da marca. O Brasil será o primeiro país a receber a Frontier argentina.

A nova fábrica é dedicada à produção de picapes e conta também com uma pista de testes para veículos da categoria. Ali, serão produzidos modelos para a aliança Renault-Nissan e também para a Daimler.

A própria Frontier é fruto de uma parceria entre as três marcas: chassi e estruturas mecânicas e motor do modelo são os mesmos para as picapes Renault Alaskan e Mercedes-Benz Classe X. As três dividirão, assim, a nova linha de montagem.

A fábrica tem capacidade para produzir 70 mil veículos por ano e é fruto de um investimento de US$ 600 milhões (cerca de R$ 2 bilhões, em conversão direta). Dos veículos produzidos, 50% serão destinados a exportação.

nissa frontier suspensão multilink
Em seu site, Nissan afirma que a Frontier é equipada com suspensão multilink, o que não é verdade (Nissan | Reprodução)

Com a inauguração da planta, a marca espera aumentar seu retorno financeiro e alcançar um crescimento sustentável em escala global, segundo afirma no comunicado. O grupo considera a América Latina como uma região importante para alcançar essas metas.

“Há três anos, a Nissan decidiu apostar fortemente na Argentina. Anunciamos a chegada da Nissan ao país como subsidiária e fabricante de veículos, confirmando um grande investimento que dá sustentação ao nosso plano de nos tornarmos uma das maiores marcas automotivas na região”, declarou o presidente da Nissan América Latina, José Luis Valls.

A Frontier vendida no Brasil desde o ano passado vem do México, já dentro do projeto conjunto das três montadoras. A picape também já foi produzida no Brasil.

Agora, só resta uma dúvida com relação à Frontier argentina: será que as irmãs da Mercedes-Benz e Renault vão reproduzir a mentira do ano?

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