Governo trapalhão

Será que o Contran imaginou dependurar uma placa na traseira de bicicletas e… pedestres?

Por Boris Feldman25/03/18 às 09h55

O governo atual comete uma série de trapalhadas e depois não entende porque as pesquisas apontam popularidade próxima a zero. A nomeação de Cristina Brasil para o Ministério do Trabalho foi apenas uma delas.

No começo do mês, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou uma resolução tornando obrigatório um curso para motoristas ao renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A decisão provocou tamanha reação da sociedade, que o Ministério das Cidades (ao qual está subordinado o Contran) não hesitou em cancelar a decisão dois dias depois.

E o pior: a resolução (de número 726) continha este besteirol que iria onerar inutilmente o bolso do brasileiro. Entretanto, revogou também alguns outros itens pertinentes. Um deles o do exame para a habilitação de motociclistas: ao invés da prova prática num área isolada, ela seria realizada em vias urbanas, assim como os candidatos à carteira para automóveis.

Nossos governantes trapalhões
É difícil explicar tantas idas e vindas e tanta trapalhada do nossos políticos

Mais duas decisões do Contran foram revogadas ou adiadas recentemente. A que estabelecia o padrão de placas Mercosul e a das infrações de trânsito cometidas por pedestres e ciclistas. Quem esbravejou contra as novas placas foi o Ministério Público Federal do Amazonas, que questionou o processo administrativo para sua implantação e o suposto favorecimento de algumas empresas fabricantes das placas.

Quanto à fiscalização de pedestres e ciclistas, questionou-se a dificuldade em dependurar uma placa na traseira de ambos…

A falta de conhecimento dos “técnicos” do órgão é surpreendente. Recentemente, discutia-se a instalação de cadeirinhas infantis nas vans escolares, um assunto que está há anos para ser regulamentado. Diante da impossibilidade de serem fixadas nos bancos, pois as vans são equipadas apenas com cintos de dois pontos, um “técnico” do Denatran defendeu solução no mínimo tosca: “basta adaptar nas vans os cintos de três pontos”. E nada mais disse nem lhe foi perguntado, depois de demonstrar cabal ignorância da impossibilidade técnica de se adaptar uma terceira fixação para o cinto em qualquer veículo.

Mais trapalhada do governo

Ainda em Brasilia, apenas mudando de prédio, a Casa Civil da Presidência preparou no início do mês um decreto para alterar a proporção de etanol na gasolina, de 27% para 40%. O tema foi levantado pelo projeto RenovaBio para estimular a utilização de biocombustíveis e reduzir emissões. A ideia era de “adições compulsórias de biocombustíveis aos combustíveis fósseis”.

Ninguém sequer ponderou os aspectos técnicos desta alteração percentual do etanol, apenas as questões jurídicas e tributárias. Divulgada pela imprensa, a ideia foi contestada e o presidente acabou assinando o decreto sem mencionar o percentual de etanol na gasolina.

É quase inacreditável uma trapalhada dessas, pois até Dilma Rousseff, em campanha para o segundo mandato, só concordou com a exigência dos usineiros (passar o etanol de 25 para 27%) depois de solicitar testes que comprovassem a viabilidade da alteração.

Elevar irresponsavelmente o percentual de etanol teria pelo menos duas implicações. A primeira de ordem técnica, pois afetaria os automóveis a gasolina, já no limite da adição de álcool sem comprometer seu funcionamento. Os carros flex não seriam vítimas do novo percentual, pois são projetados para rodar com qualquer mistura entre os dois combustíveis.

A segunda é de ordem financeira, pois tanto o dono de carro a gasolina como o do flex seriam penalizados no bolso pela decisão governamental. Pagar no posto por um litro de gasolina e receber 40% de etanol é quase um assalto à mão armada pois um litro de álcool contém apenas 60% da energia contida na gasolina. O dono do carro que só queima o derivado do petróleo iria certamente ter problemas de funcionamento. O que abastece com o da cana-de-açúcar continuaria rodando normalmente para mas sentiria o golpe ao fazer as contas do consumo de combustível no final do mês.

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7 Comentários

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  • Bruno 1 de abril de 2018

    Boris, este CONTRAN uma vez proibiu qualquer dispositivo no painel do veículo com imagens e fez papel de RIDÍCULO sendo obrigado a voltar atrás pois os carros importados estavam chegando com um “negócio” chamado GPS. Vale lembrar ainda o selo pedágio que era imposto disfarçado, o empréstimo compulsório dos veículos que era mais imposto disfarçado, e agora temos IPVA que é um imposto EXTORSIVO, a taxa de licenciamento e querem inventar a INSPEÇÃO VEICULAR, que claro será cobrada. Como sempre o ESTADO faz, tudo com a desculpa do politicamente correto, segurança, diminuir acidentes, mostram umas estatísticas fajutas e TOME IMPOSTO disfarçado… Boris vamos fazer uma campanha: FECHEM O CONTRAN!

  • Rogerio Marino 29 de março de 2018

    Triste demais, nossa sociedade precisa se organizar e se unir mais, o interesse é todo nosso!

  • GLEYDSON DIAS 28 de março de 2018

    O atual governo que na verdade e uma vergonha chamar isso de governo, porque seus especialistas são formados em cagadas, acredito que mal sabem fazer a conta de 1 + 1 para inventar tanta asneira

    se esse ano nos não elegermos alguém que tenha um minimo de bom senso o que faz estaremos perdidos

  • fil 25 de março de 2018

    Que governo?

  • IVAN VASCONCELLOS 25 de março de 2018

    Mais uma vez, parabéns Boris!
    As vezes penso que esses caras vivem em outro planeta, ou nunca tiveram um carro, ou nunca dirigiram nas nossas ruas e estradas. Parece que o objetivo deles é apenas midiático, pois é só o que conseguem com essas ideias sem fundamento.

  • Fernando 25 de março de 2018

    E o vampirao acha que vai ser reeleito. Esse governo superou tudo em questao de incompetencia. Só tem troca de cargos pro apoio ao temer e as reformas q ele quer. Ninguem entende NADA de assunto nenhum.

  • PAULO RENATO MATOS 25 de março de 2018

    BORIS, GOSTEI MUITO DAS SUAS CRÍTICAS A ESSE GOVERNO DESGOVERNADO! ABRAÇÃO.

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