Honda Prelude destaca-se pelo estilo e bom desempenho, no crivo do especialista
Fernando Calmon dá seu veredito sobre o Honda Prelude que se revela como esportivo bem ajustado para divertir sem desgastar o motorista
Publicado em 06/09/2026 às 17h00
O cupê 2+2 da Honda voltou a ser importado depois de 34 anos, sem perder sua proposta original ao oferecer dirigibilidade e desempenho de bom nível. Não se trata, porém, de sentir as costas colarem no banco, depois de algumas voltas no autódromo de Interlagos neste primeiro contato. Prelude tem histórico de linhas atraentes desde que estreou no Japão em 1978 e assim continua. Segundo o fabricante, seu desenho remete ao perfil de um planador. Rodas de 19 pol. deixam bem visíveis as pinças de freio pintadas de azul. Pneus 235/40 R19.
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Com distância entre-eixos de 2.605 mm e 1.355 mm de altura apenas crianças se acomodam no banco traseiro, a exemplo de outros carros esporte. Porta-malas limita-se a 264 L. Uma característica interessante é o banco do motorista com assento mais firme que o do seu acompanhante. Ergonomia facilita acesso a todos os comandos. Há duas portas USB-C, central multimídia de 9 pol. com suporte a Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de oito airbags.

Prelude é um híbrido pleno com motor 2.0 aspirado, 143 cv, 19,1 kgfm, mais dois elétricos (um de tração e outro gerador), que somam 184 cv e 32,1 kgfm. Potência combinada de 203 cv e torque também combinado de 32,1 kgfm. Câmbio, se é que assim se pode chamar, tem oito marchas virtuais e até simulação de punta-tacco. Em velocidades mais elevadas, como no autódromo ou retas longas em estradas, o motor a combustão atua diretamente nas rodas dianteiras. Na maior parte do tempo, porém, operam só os motores elétricos, enquanto o motor a gasolina trabalha como gerador.
Sua arquitetura herdada do Type R inclui amortecedores adaptativos. Precisão direcional é um dos pontos altos. Em Interlagos, essa característica sobressai. Confere confiança a quem dirige mesmo na curva Ferradura, aberta e em subida, uma das mais difíceis do circuito paulistano por seu traçado. Honda não divulga no Brasil aceleração de 0 a 100 km/h, mas testes no exterior apontam entre 6,4 s (se a bateria estiver totalmente carregada) e 6,7 s. Com as marchas virtuais os tempos pioram para a faixa de 7,3 s a 9,2 s.
Audi lança duas stations como alternativas aos SUVs

Em um mercado dominado de forma avassaladora pelos utilitários esporte (SUVs), a Audi toma uma decisão louvável e corajosa: renova a aposta no nicho das peruas (station wagons) com propostas mecânicas e abordagens tecnológicas distintas. A5 Avant S-Line traz o motor 2.0, turbo, gasolina, quatro cilindros, 272 cv e 40,8 kgfm. Câmbio é o automatizado de dupla embreagem S-tronic de sete marchas e a tração integral sob demanda. Alcance (km): 487 (cidade); 644 (estrada).
Já a A6 Avant e-tron S-Line é 100% elétrica, maior em todas as dimensões e com porta-malas de 502 L, mais 27 L, dianteiro (no total, 54 L a mais que a A5). Motor 367 cv, 57,6 kgfm e tração traseira. Arquitetura de 800 V, bateria de 100 kWh e alcance de 440 km (padrão Inmetro). O sistema de recarga aceita até 270 kW em corrente contínua e neste caso repõe a carga de 10% a 80% em 21 minutos. Recuperação de energia em desacelerações varia do rodar livre (coasting) ao modo one-pedal, selecionáveis por borboletas no volante.
Destaque para o conjunto de telas digitais: quadro de instrumentos de 11,9 pol., central multimídia de 14,5 pol. e outra dedicada ao passageiro de 10,9 pol. Há teto solar panorâmico com opacidade variável, projetor de dados no para-brisa e pacote completo de assistência à condução (Adas).
Avaliação dinâmica no trajeto entre São Paulo e Porto Feliz (SP) revelou o apuro do acerto de suspensões e isolamento acústico em ambas. A5 entrega trocas de marchas quase imperceptíveis e o A6 e-tron prima pela progressividade. A perua com motor a combustão acelera de 0 a 100 km/h em 5,9 s. Contudo, A6 Avant e-tron, mesmo com 410 kg a mais em razão da bateria e dimensões um pouco maiores, consegue melhor aceleração: 0 a 100 km/h em 5,4 s.
Em resumo, modelos distintos no conceito de propulsão, mas irmãos no esmero dinâmico e na construção. Escolha recairá sobre a preferência por motor a combustão ou elétrico — além, claro, do fator preço.
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